Caras leitoras, caros leitores
O 1° de Maio cada vez está mais distanciado do trabalhador!
Eles
comem tudo e, sem se preocuparem com os interesses dos outros,
apoderaram-se das terras, do saber e das instituições. Eles subiram ao
Olimpo e mataram também os deuses para, sem escrúpulos, poderem
escravizar o ser humano. Onde o Espírito não conta, o Homem torna-se
selvagem!
«O que se nos depara é a perspetiva de uma sociedade de
trabalhadores sem trabalho, isto é, sem a única atividade que lhes
resta». Hanna Arendt
Eles apoderaram-se da terra e do trabalho e
criaram uma sociedade onde o trabalho se tornou o único meio de se ser
alguém. Quando se chega a este ponto, já a dignidade humana passou!
Apesar de tudo, há muita esperança! O tempo da crise é a época de preparação duma nova era!
Abraço
António Justo
quarta-feira, 1 de maio de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
25 de Abril mais um Aborto da Nação – Porquê?
“Mais quero Burro que me leve que Cavalo que me derrube”
UM SISTEMA PARTIDÁRIO GERADOR DE MEDIOCRIDADE
António Justo
"Mais quero asno que me leve, que cavalo que me
derrube", é o mote encoberto da classe política portuguesa (e da nação),
bem descrita na “ Farsa Inês Pereira “ de Gil Vicente. A classe política
prefere ser levada por um povo asno (Pero Marques) do que ter um povo esperto
(cavalo) que a controle. O mesmo
se poderia dizer do povo.
Inês Pereira é uma moça interesseira e preguiçosa que
vive insatisfeita na monotonia do dia-a-dia. Por isso pretende arranjar um
marido progressista que a tire da pasmaceira duma vida insignificante. São-lhe
apresentados dois pretendentes: Pero Marques (conservador, bom, rico, ingénuo e
simplório) e o Escudeiro Brás da Mata (progressista, homem com maneiras, controlador
e refinado). A dificuldade de Inês na escolha do marido, vem-lhe do conflito que
traz consigo. Nela debatem-se duas mundivisões: a medieval (Pero Marques) e a
moderna (Cavaleiro). Inês recusa o primeiro pretendente Pêro Marques, mas ao
notar que o Escudeiro Brás da Mata (segundo pretendente) é demasiado exigente e
não a honra; Inês, logo que se livra dele, casa com Pero Marques. Este é tão
bobo e saloio, que cantando e bailando a leva às costas a um ermo onde ela pode
dormir com um falso Ermitão (antigo amigo). Inês Pereira é ajudada por vários
personagens, todos eles só estão interessados no negócio com o casamento.
Na Farsa, além do
fadário do país na sua luta entre a visão tradicionalista e a visão modernista,
reconheço a classe política representada pela protagonista Inês Pereira
(oportunista) que trai o marido Pero Marques (povo tradicional) e não sofre as
consequências disso. Em Inês podemos reconhecer tanto o rescrito da nação como
dos partidos. Inês serve-se da esperteza para granjear a simpatia.
A classe política também se tem servido da alcoviteira Lianor Vaz e dos judeus Latão
e Vidal (TV, Media, etc.), dos Moços (do partido), dos Ermitãos (maçonaria e
interesses internacionalistas, republicanismo mercenário, etc.) e da Mãe
(Presidentes da República cúmplices dos jogos da classe política), para se servir
a ela e aos seus acólitos.
Uma nação incapaz de integrar nela mesma a terra
(conservadorismo) e a ideologia (progressismo) está predestinada a não se
encontrar a si mesma e a expressar-se partida. Por isso a sociedade portuguesa
não cresce organicamente de maneira continuada. A sua evolução dá-se, aos
soluços, de crise em crise, num processo de querer adquirir o perdido nunca alcançado.
Isto agravou-se a partir do séc. XIX. A partir daqui a ideologia assume o lugar
da terra.
A Nação perdeu o
Sentido da Realidade
“Casa onde falta o pão todos ralham e ninguém
tem razão”. A crise financeira portuguesa de 1891, (http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1218726298J7kLR2hh1En65AF7.pdf) acompanhada
das revoltas republicanas. culminou na abolição da monarquia em 1910. A
Carbonária (“defensores da Pátria”), braço direito da maçonaria matara o rei e
o infante em nome da defesa dos interesses nacionais e do modernismo, com a
mesma ligeireza com que tinha atraiçoado a pátria ao saudar as invasões
francesas como libertadoras. A 1ª república acaba também falida no golpe
militar de 28 de Maio de 1926, que instala a ditadura militar até 1933. Com a
Constituição de 1933, forma-se o “Estado Novo” (regime autoritário com tendências fascistas mas que não assume o
fascismo); este entende-se já não como fruto da ideologia mas como tentativa de
reabilitar o Estado através do corporativismo económico e social, compreendendo-se
como "um Estado pluricontinental e multirracial". Salazar tenta dar
uma nova tarefa ao país: olhar para a terra e defender o ultramar.
A 25 de Abril de 1974 é demitido o regime autoritário de
Salazar. A Junta de Salvação Nacional das FMA nomeou como presidente da
República o General António de Spínola a 15 de maio de 1974. Segue-se o período
anárquico dos revolucionários em torno do PREC (Processo Revolucionário em
Curso). Surge o 25 de Novembro de 75 a corrigir um pouco a direcção anárquica
com o Presidente da República Ramalho Eanes. A impaciência da liderança
partidária e a pressão de “estrangeirados” como Soares, Cunhal, etc., interessadas
em arrecadar para si o sol de Abril apressam a tarefa de impor os seus
interesses partidários. A 25 de Abril de 1976 a terceira república restabelece
o regime democrático, com a nova Constituição de orientação comunista e com as eleições.
Com a derrocada do regime autoritário de Salazar, o 25 de
Abril de 1974 restabelece o caracter ideológico da primeira república com
muitos avanços a nível de ideias e retrocessos a nível da terra. Portugal desconcilia-se
ainda mais e continua a viver na superficialidade de ondas de ideológicas. Para Portugal ser fiel a si mesmo e se
reconciliar internamente teria que permitir-se uma discussão séria entre
conservadores como Salazar e socialistas como Azedo Gneco; doutro modo seguirá
o mau caminho de dupla personalidade (esquizofrenia) à medida dum Mário Soares
republicano comunista que depois salva a raposa republicana tornando-se
socialista estrangeirado. A tática do seu PS foi difamar e defraudar sistematicamente
a direita e a Igreja de maneira a criar na opinião pública num
anti-conservadorismo como tinha criado com o anticlericalismo na primeira
república (perpetuando uma mentalidade mesquinha do contra, seja ela anticlerical
ou anticomunista). Assim um republicanismo jacobino consegue, através dum
socialismo estrangeirista vaidoso, impor à nação uma prática cultural extremamente
ideológica. Torna tabu tudo o que é conservador esquecendo que uma política
séria e dinâmica teria de ter um aspecto conservador e outro progressista como
partes integrantes e expressões duma só realidade. Enquanto o país não for
capaz de equacionar uma política conservadora e uma política progressista teóricas
próprias, auto-conscientes e bem fundamentadas, de origem e convergência
nacionais, continuará nas mãos dum internacionalismo para inglês ver.
O país ainda não digeriu a revolução liberal (invasão
francesa)! Não conseguindo apaziguar a terra com a sua ideia, vivendo ao rumo
de ideologias interesseiras e estrangeiras. Também a primeira república, embora
engordada pelos bens Igreja não serviu mais que os interesses dos que a
fizeram, fomentando os barões do 5 de Outubro que em 16 anos produziu 39
governo e acabou na bancarrota em 1926. Afinal, o benefício do 25 de Abril foi
dar à nação o desenvolvimento que os governos dos países vizinhos, sem o desvio
da revolução, deram ao seu povo; caracterizou-se, no seguimento da primeira
república, por criar novos barões (os novos ricos) quando o que se esperava era
que produzisse cidadãos.
Tal como
aconteceu na primeira república, a sociedade portuguesa, em vez de discutir
objectivamente a melhor maneira de construir um Portugal solidário independente
e de impedir a falência do Estado, é levada a cultivar um discurso partidário em
torno duma rectórica de culpas e desculpas geralmente à margem da “coisa
pública”. O maior impedimento momentâneo para o desenvolvimento do
país encontra-se num estado ocupado a nível de estrutura e inquinado por um discurso
unilateral do ou… ou… Neste sentido, o desinteresse da nova geração pelos seus
pais, que ocupam a opinião política e pública, só poderá ser de benefício para
a nação para o momento em que assumam eles a responsabilidade de dirigir o
país.
A sociedade desperdiça-se
no partido do contra
A sociedade
portuguesa tem vivido dum grande equívoco: o equívoco de identificar os interesses de
Portugal com os interesses dos partidos e o equívoco de identificar lógica
(rectórica) com a realidade objectiva.
De facto o que temos é uma nação travada pelas peias dos
partidos sempre a mancar atrás do acontecimento e com uma classe política (de conservadores envergonhados e progressistas
arrogantes a governar no enclave de Lisboa) a viver da improvisação (Cavaleiro)
e a servir de manequim à moda que o estrangeiro produz.
Os que levaram o
Estado português à ruina apresentam-se como a solução e, o que é mais grave,
Portugal não tem alternativa de escolha: só pode
escolher entre maus e piores (aliás uma tendência geral contemporânea!). Neste
contexto, também o fenómeno Sócrates não é mais que um sintoma dum Portugal
adolescente, melindrado e doentio, dum querer ir ao restaurante sem ter de
pagar a conta, dum Portugal Inês Pereira.
Uma cultura democrática, que limita o discurso político à
satisfação de adeptos, como se o Estado fosse um relvado onde os políticos
jogam o seu jogo perante um povo reduzido a assistência, uma população de
claques logo satisfeitas com a perda do clube contrário, desautoriza-se e
impossibilita, ao cidadão, a capacidade de referência à realidade. Suficiente parece ser o calor da afronta, pertencer-se
ao partido do contra; é-se moderno e sabido na medida em que se tem opinião
contra isto ou contra aquilo: contra o governo, contra a Igreja, contra a
esquerda, contra a direita, contra a justiça e contra a injustiça... A essência
do discurso político e popular parece reduzir-se a duas palavras: ser contra, pertencer
aos contras dos contrários. O ser do contra acrítico confere estatura moderna e
encobre a ignorância do contra e do contrário. Este espírito de contradição impede a formação duma cultura
conservadora crítica séria e profunda e impede também a formação duma cultura
progressista crítica séria e aferida ao país. A inveja e a pretensão
completam-se…
Um povo é levado ao engano pelos modelos que se lhe
apresentam. Só lhe resta a oportunidade de comparação entre os que o sistema
político lhes apresenta e estes são reles porque o húmus republicano que os
produziu, mais que na ideia, baseia-se num pragmatismo parasitário e
oportunista condicionado e condicionante: um sistema de pensamento de matriz partidária.
A República Portuguesa, uma realidade muito enredada e
mal feita, (talvez demasiado vergonhosa para poder ser contada nas aulas de
História!) só poderá tornar-se frutífera depois dum autoexame crítico sem
recalques. Sem o reconhecimento dos
erros dos conservadores e dos progressistas, a partir duma grelha da cultura nacional,
o país não sairá do ciclo vicioso de extremos pendulares. Fruto de
ideologias importadas e mal digeridas, a república, têm conduzido Portugal de insolvência
em insolvência, não conseguindo produzir políticos, à altura do povo histórico
luso, nem da realidade contemporânea. Herdou
da monarquia e da Idade Média os vícios que pretensamente queria combater com a
mudança, mas que, de facto, ainda exacerbou ao incorporar as aspirações do
“Escudeiro”: nobreza (elite) decadente, aventureira e parasita que vive da
trafega do vinho azedado em odres novos!
Portugal na Avalanche
do Efeito Decoy
Portugal ainda
não terminou a guerra civil. Apenas transformou a guerra civil armada em
guerras ideológico-partidárias, numa guerra da cidade contra o campo, do
moderno contra o tradicional, do povo contra o povo. Os conflitos armados encontram
a sua perpetuação através dos conflitos ideológicos nos partidos numa luta
desigual de conservadores intimidados e de progressistas atrevidos.
Na tribuna
pública da sociedade portuguesa (TV) reina o discurso partidário e a sociedade não
se pode resguardar porque não tem infraestruturas capazes de criar alternativas
reais e independentes. Não há grupos de imprensa fortes nem
correntes de pensamento de relevância nacional capazes de provocar impacto
político que obrigue a nação a reflectir para crescer organicamente. Um Estado
ocupado por um sistema de bajulações e de “guetos secretos” pouco mais pode
produzir que mediocridades a nível económico, político, cívico e social. Neste sistema, a correspondente ascensão
partidária favorece a formação de líderes medianos de espírito mais esperto que
inteligente, animais políticos, frutos de influências e jogos; expressam neles
mais a esperteza árabe do que a inteligência francesa. Na falta de modelos
políticos, económicos e sociais consistentes, Portugal não conhece alternativas
aferidas à realidade. Apenas conhece alternativas partidárias, que centram a
atenção em modelos particulares inferiores. A
República só tem vindo a gerar alternativas atrofiantes. Nenhuma delas tem a
qualidade de dominar a outra ou de ser integral. A opinião pública, dado
adquirir o conhecimento político através da via demagógica, só é capaz de
equacionar os problemas em alternativas binárias partidárias ou na
irresponsabilidade de partidos pequenos com ideias luzidias mas não aferidas à
realidade portuguesa. Considera como
satisfação do seu ideal o servilismo a um partido, quando o ideal passaria por
uma terceira via, fruto de uma análise científica fria independente, baseada na
realidade, que o sistema impossibilita. Mesmo o povo pensante, aquele que
não reduz a sua erudição ao saber acomodado da TV, não é confrontado com uma
alternativa real, deixando-se levar pelo efeito Decoy. Assim,
o sistema político português não gera alternativas adequadas ao povo e às
necessidades da nação. São muitas vezes alternativas copiadas de países também
elas decadentes porque baseadas na divisão e na exploração do mais fraco.
No seguimento de
quem dá a ideologia e o pão
Lugar-comum das nossas revoluções tem sido o adiar da
nação em nome de liberdades coloridas: Tal como elites portuguesas se tinham
outrora colocado do lado do invasor napoleónico, também no 25 de Abril, os
seguidores do mesmo espírito, se puseram ao lado da União Soviética passando as
províncias ultramarinas portuguesas para a influência comunista. Agora, o 25 de
abril tropeça na própria ideologia, porque, na realidade “quem dá o pão, dá a
criação”. No tempo de D. Manuel o magnânimo, tínhamos os quintos das
especiarias, depois o ouro do Brasil, as remessas dos emigrantes e os fundos
perdidos. A incapacidade política do país, para acompanhar a nação e a evolução
dos tempos, leva-a a viver num estado esquizofrénico (de personalidade
fendida). Os egos dos partidos têm sido construídos à custa do povo e contra o
ego da nação.
Gil Vicente,
quando escreveu a farsa de Inês Pereira, certamente já previa na política de
José Sócrates o Escudeiro Brás da Mata e, na de Passos Coelho, o Pero Marques! Na
rotação, de noivado em noivado, Portugal emigra, envelhece e não gera.
António da Cunha
Duarte Justo
segunda-feira, 8 de abril de 2013
José Sócrates - um Vendedor moderno de Ilusões velhas
O Filho pródigo
regressa à Casa paterna com Aspirações a ser Presidente
António Justo
Sócrates é o homem que melhor retrata o estado doentio dum país renitente
que se recusa a encarar a realidade em que se encontra para continuar a viver
embalado em sonhos e contos da carochinha. A sociedade portuguesa continua a
cultivar poleiros como se o cacarejar de galos com penas de modernidade lhe
dessem o pão e lhe pudessem compensar o atraso económico. No panorama português continua a não haver alternativa de escolha, a não
ser a opção entre o mau e o pior.
O Sistema partidário português,
num país de adeptos que não de eleitores, não precisa de se preocupar com questões
deontológicas, nem com os verdadeiros problemas da nação; vive das victórias
partidárias e o desagradável é resolvido pela rectórica e pelos estrangeiros (Troika).
Sócrates regressa a Portugal e entra pela porta do cavalo, recebendo um
poleiro semanal de destaque no sacrário da nação (TV). Daí pode ditar as suas
sentenças e atirar pedras numa nação partidária devota, habituada a comer e
calar e a admirar uma argumentação fomentadora de ressentimentos. A argumentação
fascina-os, não a realidade nem o objecto da argumentação. Mas por uma questão de
justiça para com o povo português terá de ser dito que o que acontece em
Portugal já germina, há muito, na Europa e a decadência começa pelos mais
fracos.
A TV pública, que privilegia os
galadores políticos, está consciente de que pode beneficiar e receber, de
braços abertos, o seu filho pródigo sem que os seus irmãos fiéis protestem. Aquele abandonou o país
depois de o ter conduzido a uma situação desolada; ciente de que o povo tem
memória curta, e como esperto “animal político”, aguentou-se em Paris o tempo
suficiente para poder descer de paraquedas ao povoado e poder falar da desolação
dum país que ele mesmo afundou, ajudado pelos outros partidos. Apesar da
bancarrota e da Troika continuam a ter a razão toda; continuam a falar como se
fossem libertadores. É um lugar-comum
partidário, ignorar a crise económica e cultural, falar mal dos governos e
branquear a própria miséria no tempo da oposição. Num país irreal, José
Sócrates, com a sua atitude galante, é a melhor Isca que o PS tem também para frustrações
e sonhos femininos. Espectadores, que não distinguem entre o brilho do falar e
a argumentação seguem, de olhar fixo, mais uma história de embalar crianças.
Um país de tanga, com uma TV
jacobina à procura de “audiências”, prefere a demagogia gratuita à informação
séria paga!
A melhor atitude a assumir neste desapropósito, seria o boicote ao programa
de Sócrates, e até apagar a televisão; “para quem é bacalhau basta”! O boicote não se deveria dar por razões
partidárias mas apenas por uma questão de honra e de respeito por si mesmo e
pela nação. Seria ingenuidade pedir responsabilidade à direcção da TV; ela é
fruto de interesses mesquinhos e não duma cultura política. De facto, tão
culpado é o PS como o PSD por tal desacato.
Os
interesses individuais são confundidos com os do Estado
"Um político que desiste de puxar pelas energias do seu futuro não
está à altura das suas responsabilidades". No contexto em que Sócrates
proferiu esta frase fala como se a defesa dos seus interesses se identificasse
com a defesa dos interesses do Estado. E referindo-se ao seu espaço semanal na
TV pública como comentador político, a partir do 7 de Abril, disse
laconicamente: "Ninguém tem de ter medo". Como se a sua entronização
não fosse um acto partidário inocente numa TV pública sempre partidariamente
politizada nem mais uma encenação para um
povo que só conhece a realidade política situada entre as frontes dos
interesses partidários. Pelo que se constata, Portugal continuará a viver
embalado pelo cantar da cigarra a encantar a formiga!
É o cúmulo dos cúmulos o que a classe política portuguesa, aninhada nos bastidores
da TV pública, se permite. Não é de admirar porque o manancial do grande saber
público é a TV. Sócrates, e muitos
outros, podem permitir-se fazer o que bem lhes apetecer porque desonraram o
povo português a ponto de fazerem do Estado um bordel! O espírito democrático
ainda não chegou aos partidos, doutro modo haveria membros que boicotariam tal
disparate que só fala mal de Portugal e dos membros dos partidos que se
permitem o que em nenhuma nação europeia de respeito se não permitiria.
Quando é que o povo regressa de férias para pôr Portugal na linha? Sócrates como comentador na TV pública, é a
melhor prova de que Portugal não tem os pressupostos necessários para poder mudar
e que a classe política continua a apostar na corrupção e na demagogia. O
Bobo tem pele grossa e não nota o que acontece.
A cegueira é tanta que até se argumenta que em nome da honestidade e da
representação proporcional na TV se deve tratar a todos por igual. Seria porém
desonesto pretender-se, em nome da honestidade, falar da desonestidade. O
sistema rotativo confirma que a um presidente PSD se sigue um socialista e o
povo, sem entender nada do que se passa em Portugal já se cansou de Coelho como
antes de Sócrates. Neste cenário, quem melhor que Sócrates para atrair um
público feminino com grande poder na votação!
Porque nos encontramos num enredo de desonestidades consecutivas, o povo
terá de aguentar uma desonestidade rotativa resumida no progresso da continuidade
do banal.
Naturalmente que cada qual tem
direito a honrar e louvar os seus "santos" mas querer, em nome da
desonestidade de uns, afirmar o direito à desonestidade dos outros é perversão e
deslealdade para com o todo. Esta tem sido uma constante da república.
Eles bem sabem que os cães ladram mas a sua caravana passa. O sistema de
mafia branca que vive nas entranhas da nossa república tira sempre proveito tanto
do sucesso como da bancarrota. O excessivo discurso partidário inquinou a nação.
A luta política tira-nos as forças que poderiam ser empregues na defesa de
programas objectivos servidores do povo e da nação.
Já outrora o povo gritava: soltem Barrabás. E o sábio sermão da montanha
diz: “não oponhais resistência ao mau”. Mas o mesmo discurso diz também:
"Bem-aventurados os que têm fome e sêde de justiça, porque serão
saciados."
António da cunha Duarte Justo
sexta-feira, 29 de março de 2013
BOAS FESTAS DE PÁSCOA
BOAS FESTAS DE
PÁSCOA
Boas festas,
aleluia
É Páscoa é
Primavera
Sol e graça já
acenam
Em desejos de
alegria
O verde, de
olhos no céu
Congrega a
vida a orar
Na procura do
milagre
Da Páscoa a
brotar
A natura se
ergue nas flores
Da seiva
rescende o sonho
No aroma das
cores
É Domingo da
ressurreição
Na frescura
das aleluias
O amor enche a
criação
Boas Festas,
aleluia, aleluia!
No ovo da
ressurreição
Se esconde a
liberdade
Em sonhos de
terra germinada
A despertar
para a eternidade
Boas Festas,
aleluia, aleluia!
António da
Cunha Duarte Justo
antoniocunhajusto@gmail.com
quinta-feira, 28 de março de 2013
Comunicação Social miserabilista
Informação que apela à Lágrima e ao Sentimento
António Justo
Acabo de regressar de
Portugal com uma certa melancolia pela beleza e riqueza dum país que sofre no
corpo e na alma como um canino amarrado a uma casota de raposas e predadores. O
medo e a raiva assolam um povo a viver cada vez mais na rua, sem poder entrar
em casa.
O povo ainda anda de pé
mas é conduzido pela mão da Troika e de instalados nas diferentes
administrações e representações que o conduzem docemente ao curral dos
senhores. Muitas pessoas “vivem da mão para a boca” e muitas outras na angústia/revolta
perante um Estado que cada vez interfere mais negativamente na sua vida. Apesar
da presença de personalidades sociais responsáveis a dignidade humana cada vez
é mais ultrajada.
Fomenta-se uma
mentalidade mafiosa que, a nível de discussão pública, deita achas para a
fogueira duma emotividade que ofusca a razão com o fumo de sentimentos difusos
que vão da raiva ao desespero e da inveja ao racismo. Um Estado sem rumo
próprio segue uma política subterrânea jacobina que ganhou especial expressão
em Portugal com as invasões francesas e com o republicanismo.
A luz do sol e a alegria
de viver encontram-se cada vez mais ensombrados. A falta de esperança leva a
dormir e torna-se motivo do não viver.
A grande cultura lusa
sofre e é depauperada por uma Comunicação Social que fomenta o miserabilismo
popular e a leviandade de muitos comentadores cínicos e convencidos que se
aproveitam dum certo voyeurismo e de opiniões entumecidas como se opinião e
realidade fossem a mesma coisa.
Muitos locutores do
dia-a-dia agarrados às banalidades noticiosas bombardeiam o povo com ideias,
imagens e sentimentos repetitivos lisonjeadores de amigos e desrespeitadores de
inimigos. Fomenta-se um pessimismo amedrontador que inibe a própria iniciativa e o
espírito de investimento.
Como sanguessugas, até os
meios de comunicação social nacionais se fixam no negativismo de notícias
dirigidas ao sentimento. Quando alguém se enforca logo se juntam os leões e as
hienas à volta de imagens e ideias que fomentam a imitação. A TV pública fala
de suicídios do foro privado e faz render o peixe, como se se tratasse de
suicídios de motivação política realizados dentro da sala do Parlamento.
Cultiva-se o extremismo emocional e um voyeurismo que se alonga nos telejornais
até às profundezas dos canais de rádio. As coisas são repetidas até à exaustão.
Observam-se controlos da
ASAE a restaurantes e empresas como se fossem mandatados por estrangeirados sem
consciência pela realidade local com um comportamento anti-regionalista ao
serviço de interesses centralistas anónimos e antinacionais.
Um sistema político
servidor de interesses individuais e partidários a nível nacional e de
autarquias continua a servir o compadrio da avalanche dos arrivistas criando
postos de trabalho na administração quando não há trabalho suficiente para os
já empregados. Uma mafia de rosto lavado dos lugares cimeiros de Câmaras e
administrações procura desestabilizar os seus subordinados criando um clima de
medo, desconfiança e intriga entre os empregados.
Arrasta-se o povo para um
pessimismo medroso e amedrontador. Num ambiente de tudo contra todos, tudo tem
razão, predadores e subjugados; só uma coisa falta: a consciência de
responsabilidade nacional.
A contestação social mais
que objectiva, é, muitas vezes, manipulada por grupos que vivem de mordomias à
custa do povo, sejam eles representantes dos trabalhadores ou dos senhores. Um
exemplo disto foi a última greve ferroviária que pretende manter bilhetes
gratuitos para os familiares dos empregados. Naturalmente que todos os grupos
têm direito a defenderem os próprios interesses; o dilema de Portugal é
encontrar-se nas mãos duma esquerda intransigente e de senhores e capitalistas
sem alma social nem nacional.
O último sintoma do
estado doentio grave e depravado de quem tem o dizer em Portugal, foi o facto
José Sócrates, que deveria estar sob observação judicial, aparecer como
candidato a comentador político nos canais da TV pública. Um atrevimento que
bradaria aos céus numa sociedade normal! A tal falta de discernimento chegou um
povo! A honra dos predadores é legitimada com a desonra da nação. Os
interesses partidários afirmam-se mafiosamente sem que haja oposição
qualificada. Com esta iniciativa, José Sócrates pretendia aproveitar-se da
lorpice da Comunicação Social para se preparar para as presidenciais.
No meu belo e inocente
país os predadores são os senhores!
António da Cunha Duarte
Justo
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