domingo, 8 de março de 2015

DIA INTERNACIONAL DA MULHER




António Justo
O Dia Internacional da Mulher pretende fortalecer a luta por melhores condições de vida e trabalho e igualdade de direitos sociais. É um testemunho da injustiça reinante no trato entre o género masculino e o género feminino.

GRANDE MAIORIA PARLAMENTAR ALEMÃ FORTALECE A POSIÇÃO DAS MULHERES NAS CHEFIAS

O Parlamento decidiu uma quota de 30% para mulheres nos conselhos administrativos de empresas cotadas na bolsa. A lei aplica-se a partir de 2016.

Cerca de 100 empresas terão de eleger 180 mulheres. Alguns empresários consideram a lei um envolvimento na liberdade empresarial.

Esta é a vantagem de uma coligação dos partidos da maioria (neste caso a coligação CDU/CSU-SPD): conseguir publicar leis que um governo só de SPD e esquerda ou de CDU e CSU não conseguiriam.
A lei tem um caracter simbólico no sentido de mudar hábitos e condições sociais.

Observa-se uma mudança cultural e um sinal para os direitos da mulher a nível mundial.
A presença de mulheres nos andares superiores das empresas tornar-se-á mais visível.

ESTERILIZAÇÃO DE 5 MILHÕES DE MULHERES POR ANO NA ÍNDIA

Na índia morreram 12 mulheres depois da sua esterilização num hospital no âmbito de um programa grátis de planeamento familiar. Outras 30 encontram-se em perigo de vida. Um só médico terá esterilizado 80 mulheres no mesmo dia. O governo fomenta o programa de esterilização de mulheres porque para homens é tabu.

Anualmente são esterilizadas 5 milhões de mulheres na India. As autoridades oferecem prémios para mulheres que se submetem à esterilização. A índia tem 1,2 mil milhões de habitantes.


MULHERES EUROPEIAS ALISTAM-SE PARA O JIHAD NA SÍRIA

O Jihad atrai mulheres muçulmanas para o combate na Síria ao lado dos “mártires” jihadistas na luta pela formação de um estado islâmico. Da Inglaterra encontram-se 60 mulheres e meninas jovens em combate ao lado dos jihadistas na Síria e no Iraque .

Os terroristas louvam o papel das mulheres de um mártir, através de redes sociais e de contactos pessoais junto de jovens. Estes não estão preparados para a argumentação dos salafistas e outros extremistas tornando-se suas vítimas fáceis. Os salafistas assumem, neste sentido, um papel preponderante.

Muitos jihadistas usam as Companhias Aéreas Turcas para ou a Turquia para chegarem à Síria e ao Iraque.

Segundo informação das autoridades alemãs 11% dos 600 muçulmanos de nacionalidade alemã a combater no “Estado Islâmico” são mulheres. 75 islamistas alemães já morreram na Síria e no  Iraque.

António da Cunha Duarte Justo
Jornalista
www.antonio-justo.eu

terça-feira, 3 de março de 2015

O IMPOSTO PARA A IGREJA NA ALEMANHA (“KIRCHENSTEUER”)




Muitos imigrantes não acham muito “católico” terem de pagar imposto para a Igreja
António Justo
Na Alemanha, Áustria e Suíça, os membros das comunidades religiosas pagam um imposto para financiarem as despesas e encargos das suas confissões religiosas. Estas assumem na Alemanha tarefas sociais de assistência social e caritativa em hospitais, lares de terceira idade, jardins infantis, assistência a estrangeiros, desfavorecidos sociais, etc. 

Na Alemanha, um casal com um rendimento de 3.000 € por mês (classe de impostos III/2) está isento do imposto para a Igreja. Apenas cerca de um terço dos fiéis católicos estão sujeitos ao pagamento do referido imposto.  

O levantamento do imposto da igreja ou da religião tem como base o imposto sobre o rendimento ou o imposto sobre o salário e é cobrado pelas autoridades fiscais dos respectivos estados federados. Historicamente tem também uma componente de compensação aos bens que a Igreja perdeu aquando da secularização. Além disso uma certa coabitação de estado e igreja têm concorrido para o maior desenvolvimento da Alemanha. A mentalidade dos alemães dá grande relevância ao bom funcionamento da sociedade não tendo problema em contribuir para o bom funcionamento das instituições, enquanto a mentalidade latina aponta mais para os direitos individuais.
Em 2012, o Tribunal Administrativo Federal alemão decretou que não é possível deixar de pagar o imposto para a igreja e ao mesmo tempo permanecer na comunidade religiosa.

Um ponto muito criticável da sentença do tribunal está em não fazer distinção entre a "comunidade de fé Igreja Católica na Alemanha" e a "sociedade de utilidade pública Igreja Católica na Alemanha". De facto, o que determina a qualidade de cristão é o baptismo e não a pertença a uma corporação de utilidade pública. A Alemanha ao determinar que é o país (Alemanha) e o estatuto associativo que determinam, a categoria de católico, protestante, judeu, etc. atribui-lhe um estatuto com encargos económicos que de si não deveriam ser automaticamente vinculativos para a exclusão da confissão religiosa.

Teologicamente e sob o ponto de vista católico global, as instituições cristãs na Alemanha cometem o pecado de simonia (Actos dos Apóstolos 8,5-24) ao condicionarem a pertença à comunidade religiosa com o levantamento de imposto (a católicos, protestantes, judeus, etc.). Simonia é a compra ou venta do espiritual com bens materiais. Vem do facto de Simão Mago querer comprar o poder de fazer milagres, que terá observado nos apóstolos. 

O dever de pagar imposto, que fica entre 8 e 10% do imposto que se paga para o Estado, acaba só ao abandonar-se a igreja. O estado entrega à respectiva instituição religiosa os correspondentes impostos levantados aos fiéis. 

Por direito consensual eclesial, a desvinculação da repartição dos impostos não deveria implicar a saída da Igreja. Por estas e por outras abandonam, anualmente, mais de 100.000 pessoas a Igreja. Em 2013, a Igreja Católica recebeu cerca de 5,5 mil milhões de euros de impostos dos seus fiéis e a Igreja Evangélica cerca de 4,8 mil milhões de euros.

Inscrição de cristãos estrangeiros na “Loja do cidadão”

O imigrante ao registar-se na repartição de registo (Anmeldeamt) da cidade (“loja do cidadão”) vê-se confrontado com a pergunta, do funcionário público, sobre a confissão religiosa a que pertence. 

O funcionário não deveria perguntar, se o cidadão imigrante pertence a esta ou àquela religião mas sim se pertence a esta ou àquela instituição religiosa alemã! A resposta “sou católico ou baptizado” não deveria incluir a sua inscrição automática na sociedade católica de utilidade pública alemã. Nos países de proveniência dos estrangeiros não há a prática de se cobrar impostos para fins de culto. O imigrante que queira ficar isento do imposto pode responder que não pertence a “nenhuma „ confissão, isto é, “Konfessionslos”. O problema surgirá posteriormente no caso de vir a precisar de um certificado para efeitos de casamento religioso.

Muitos cristãos estrangeiros querem apoiar a igreja mas a título voluntário de oferta; alguns preferiam patrocinar a igreja da sua terra com alguma oferta e não a alemã por constatar que a sua igreja natal é bastante pobre. Também vêem a possibilidade de frequentar o serviço religioso e apoiá-lo com ofertas. A saída da igreja alemã não pode significar o abandono da Igreja a nível mundial. 

Vozes críticas vêem na cobrança dos impostos pela repartição de finanças uma demasiada ligação entre estado e confissões religiosas. Também criticam a dedução fiscal ilimitada das confissões religiosas, dos partidos e dos sindicatos como uma subvenção indirecta do estado. 

Há grupos cristãos na Alemanha que criticam o levantamento dos impostos por parte do estado, vendo nisso também um certo comprometimento entre estado e igreja e consequente compromisso nas injustiças ligadas ao sistema de impostos; além disso o dinheiro fomenta o demasiado poder da burocracia eclesiástica sobre a igreja não se verificando grande motivação de muitos funcionários da igreja no empenho pessoal.
A Conferência dos Bispos da Alemanha estabeleceu que os católicos que façam declaração na repartição de finanças de não pagarem imposto para a Igreja (abandono da Igreja), são excluídos dos sacramentos da Igreja e impedidos de assumir cargos eclesiásticos (em vigor a partir de Setembro de 2012). 

Neste caso, se se entender o “abandono da Igreja” com a declaração de recusa a pagamento de imposto para a Igreja, seria latente o pecado de simonia. Como teólogo católico, reconhecendo muito embora o alto e qualificado serviço que a instituição católica e protestante prestam à sociedade alemã e aos mais desfavorecidos também em muitas nações, sou de opinião que a prática de impostos vigentes na Alemanha, com o automatismo de exclusão que representa, não encontra fundamento na dogmática da igreja nem no direito canónico. Mais ainda, tal prática atenta contra a doutrina da Igreja e motiva muitos cristãos a abandonarem a Igreja para não pagarem o referido imposto. Mesmo uma ponderação cuidada entre o imenso bem que as bênçãos do dinheiro acarretam e o mal espiritual individual que podem originar teria como consequência cristã a opção pelo bem espiritual individual. Uma solução compatível seria a continuação do levantamento do imposto mas sem consequências religiosas para quem declarasse não pagar o imposto.

A frequência da paróquia ou “missão católica” não só tem vantagens espirituais como vantagens de exercício e formação social, ajudando o imigrante na inserção na sociedade e criando a possibilidade, também para crianças, de se exercitarem em grupos, assumir responsabilidades com tarefas perante a comunidade, criação de novas amizades e terem direito a determinadas festas para elas. A espiritualidade é um bem que contribui para o desenvolvimento de uma personalidade autónoma. Independentemente da crença de uma pessoa deve ter-se em conta os ritos de integração social muito necessários para uma criança e também uma das oportunidades para a pessoa de se realizar como sujeito social.

O problema da sobrecarga económica através do imposto é nulo ou insignificante para a grande maioria dos fiéis; quem paga bastante são as firmas grandes ou quem ganha muito acima do normal. 

Quanto se paga para a Igreja

No link http://www.steuer-forum-kirche.de/kist2014.html#_Toc378331673 pode ter informações exactas sobre o Imposto da Igreja, donde traduzi algumas informações que se seguem.

Exemplo 1
Um empregado com um salário mensal bruto de 3.500 €, casado com dois filhos (classe III/2) pagou no ano 2014 mensalmente 328,83 € de imposto para as finanças e 5,14 € de Kirchensteuer (imposto para a Igreja). De notar que a quantia paga para a Igreja pode ainda ser reduzida, no ajustamento de impostos, ao ordenado bruto a ser sujeito a impostos.
Exemplo 2 – Quem paga e quanto paga de imposto para a Igreja
Salário mensal brutto
Solteiro
Classe de impostos I
Casado 
Classe de impostos III
Casado
1 Filho
Classe de impostos III/1
Casado
2 Filhos
Classe de impostos III/2
2.000 €
18,84 €
2,36 €
0,0 €
0,0 €
3.000 €
41,31 €
19,85 €
7,79 €
0,0 €
3.500 €
53,91 €
29,59 €
16,43 €
5,14 €
4.000 €
67,42 €
39,78 €
26,02 €
13,10 €
Sem contar o desconto de despesas especiais nos termos do § 10 par. 1, n°. 4 EStG. Aqui ainda há outros encargos que se podem fazer valer no ajustamento de impostos e que reduzem os impostos a pagar.

Também pessoas com salário mínimo, ou que o não atinjam, estão isentas de pagar imposto para a Igreja. 

Dos 16 estados federados alemães, há 8 estados que determinam o pagamento de um mínimo de 1,8 euros ou de 3,6 euros por ano. Os restantes 8 estados não exige nenhum mínimo.

A tradição do imposto começou propriamente no século XIX e em 1919 foi incluída na Constituição (Weimer).


António da Cunha Duarte Justo
Teólogo


segunda-feira, 2 de março de 2015

PRIVATIZAÇÃO DAS “ÁGUAS DE PORTUGAL” - O POVO DEFRAUDADO



A Cumplicidade da UE com o grande Capital em Paços de Ferreira

António Justo
Bruxelas quer o ouro do futuro (a Água) nas mãos de especuladores privados internacionais (já possibilita isso através da directriz 2000/60/EG). É uma catástrofe, em termos de futuro, querer furtar a água ao povo para o colocar na dependência arbitrária do monopólio das multinacionais de grandes países. O custo da água de Paços de Ferreira subiu 400%, para o consumidor, em pouco espaço de tempo. 

As autoridades parecem olhar a questão com indiferença porque sabem que quanto mais custa a água mais dinheiro entra, através do imposto, nos cofres do Estado.
Em muitos lugares já se vê a indicação de fontes públicas com o letreiro: "Impotável". Isto pode ser um indício de uma medida de assalto aos bens públicos.

Que tencionam fazer os partidos no sentido de não deixar um bem elementar tornar-se num produto de especulação? O povo precisa de posições concretas e expressas nos programas de partidos para as eleições, onde se expresse a vontade de combater a corrupção internacional. (Veja-se esta reportagem alemã com legendas em português sobre as consequências da privatização da água em Paços de Ferreira
https://www.youtube.com/watch?v=I5X9ioO9x9A&feature=player_embedded)

Os meios de comunicação social ocupam-se demasiado com intrigas e especulações de pessoas e de assuntos partidários, servindo deste modo os aduladores dos partidos e os que constroem a sua vida à custa deles, deixando de discutir medidas económicas e sociais que dizem respeito aos interesses do povo.

A liberalização do mercado da água, tal como se viu nos têxteis e nas pescas portuguesas, vem favorecer o capital das grandes firmas internacionais e indirectamente os países economicamente fortes porque destes é que surgem os capitalistas que compram as matérias-primas de países mais fracos e são também eles que substituem aí as empresas locais mais fracas. Se a política não defende os interesses das nações com menos poder de concorrência, quem os defende?

A burla económica só se torna eficiente com a colaboração de corruptos políticos (Muitas vezes vêem-se os políticos transitarem para as direcções de grandes empresas como paga dos seus serviços indirectamente prestados nos governos ou nos partidos). 

Em Portugal, as comunas que privatizaram a água vêem-se sujeitas a um grande aumento de preços. Os monopólios só beneficiam os seus donos e os investidores nas especulações accionistas! Estas medidas de privatização implementadas pela Troika em países com dificuldades económicas degrada a personalidade do indivíduo e das nações. A UE com directrizes protectoras do grande capital coloca os países com dificuldades à disposição da irresponsabilidade. No passado os países pequenos podiam concorrer com os países fortes através dos seus produtos mais baratos. Agora que as grandes multinacionais produzem os produtos em quantidades mastodônticas (e deste modo mais baratos que os produtos de economias fracas) por mais que as economias da periferia se esforcem, não lhes fica senão a hipótese de resignar, emigrar ou baixar o nível de vida a padrões de vida de regiões ainda mais fracas. A concorrência dá-se a nível de proletariado e das regiões mais carenciadas.
 António da Cunha Duarte Justo
Jornalista
www.antonio-justo.eu