quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O ISLÃO É INCOMPATÍVEL COM A DEMOCRACIA OCIDENTAL



MUÇULMANOS PODEM SER DEMOCRATAS O ISLAO NÃO

 Por António Justo
O cientista e politólogo Hamed Abdel-Samad constata que “o Islão é incompatível com a democracia, muçulmanos podem muito bem ser democratas… são democratas não por serem muçulmanos mas apesar de serem muçulmanos” (HNA 11.11.2016). 

Muçulmanos e não muçulmanos defensores de uma modernização do islão na Europa, declaram-se fracassados e impotentes nos seus esforços de implementação de um islão mais democrático e aberto, dado a política europeia favorecer um islão de lenço e não apoiar as pessoas defensoras da modernização do islão nem um laicismo islâmico.

 O cientista muçulmano Prof. Dr. Bassan-Tibi que sempre lutou por um islão filantrópico, democrático e humanista na Europa, vê tal intento frustrado, numa entrevista ao Cícero. Também segundo ele, muçulmanos liberais não são tomados a sério pelas instituições sociais nem são convidados pelas instituições públicas; convidados são os representantes tradicionalistas de organizações muçulmanas e mesquitas. Geralmente, em torno das mesquitas formam-se associações de utilidade pública que fomentam o gueto.

 Abdel-Samad critica a vigente cultura de debate social que evita ou impede de falar a quem analisa objectivamente as coisas e fala texto claro e, por outro lado, concede palco a quem ideologiza e tudo isto em nome da tolerância que se baseia no medo de uma análise científica do assunto e, como tal se evita, com o pretexto de que uma discussão aberta e livre poderia fomentar a xenofobia. Com medo de encarar a realidade como ela é, prefere-se viver de diálogos oportunos para fazer salão e para alguns, mas que não tocam o âmago das questões e deste modo não servem também o islão. 

Os nossos políticos estão interessados em que não haja uma discussão aberta sobre o assunto porque por um lado perderiam adeptos islâmicos e eleitores não islâmicos e triam de tomar mais medidas em favor da integração. Esta é uma questão muito complicada devido aos muitos interesses em jogo, sejam eles de assunto partidário e política ou de interesses profissionais como é o caso de assistentes sociais, advogados, médicos, professores, indústria e todo o comércio.

O islamismo considera a mulher como despojo nas suas conquistas e permite aos homens bater nas suas mulheres ou considerá-las como objecto sexual e como “sementes de colheita” (Corão), diz Abdel-Samad, defensor de um islão moderno. 

Muito da nossa boa gente e até intelectuais preferem viver de ideias de um conhecimento superficial do islão para poderem aparecer nos palcos públicos (vivendo da ideia errónea de que as religiões defendem todas o mesmo), não notando que assim estão a apoiar o radicalismo islâmico e a impedir a formação de um islão moderno.

“O Corão protocola diferentes estádios ou condições em que Maomé e a sua comunidade se encontravam. Quando se sentia fraco e oprimido pregava a tolerância e o perdão e quando formou um exército com a comunidade, entrou em conflito com povos politeístas, judeus e cristãos, então são protocoladas no Corão as passagens de exclusão (xenofobia) e de ódio”, atesta Abdel-Samad. Uma vez que o Corão é visto como a última palavra de Deus imutável e intangível torna-se difícil pronunciar-se, sendo lógica a contradição e a ambiguidade do esmo Corão. “O Corão ordena aos muçulmanos que não façam amizade com cristãos nem com judeus porque são piores que animais e são impuros”; isto contradiz a dignidade e a igualdade; revela-se como uma boa estratégia porque o contacto poderia levá-los a comparar e a pensar mais diferenciadamente. Em geral, como nos Testemunhas de Jeová, o contacto inter-familiar de muçulmanos e cristãos não é desejado, a não ser no trabalho e com representantes.

Na crítica que se faz é determinante distinguir-se entre pessoa e ideologia. Uma coisa é o islão e outra coisa são os muçulmanos. Estes não devem ser abordados com preconceitos nem devem ser excluídos.

Uma pesquisa feita na Alemanha em 2015 revela que 57% dos residentes na Alemanha vêem o islão como ameaçador e 61% dizem que ele não se enquadra na democracia e dois terços rejeitam a afirmação de que o islão faz parte da Alemanha.

Muitos crentes fazem guerra fora e dentro: em nome da liberdade religiosa, exigem direitos especiais (acabar com a carne de porco nas escolas, pôr salas de oração à sua disposição, libertar as meninas de aulas de natação, de viagens de estudo, etc. e evitar gestos de cortesia, como apertar a mão a mulheres; estas são consideradas impuras no tempo da menstruação. 

Em democracia é natural que os grupos de interesse se juntem para defenderem os seus interesses; a democracia, porém deveria estar mais atenta a quem se serve dela para impor costumes e leis antidemocráticas. Na Alemanha cada vez se sofre mais com a ligação do chauvinismo nacional turco promovido e controlado pelo governo turco que envia os seus funcionários para dirigir as mesquitas e por grandes organizações turcas numa Alemanha com 4 milhões de turcos que apoiam maioritariamente o regime fascista de Erdogan.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Espírito no Tempo, http://antonio-justo.eu/?p=4004

GRANDE OFENSIVA CONTRA ISLAMISTAS NA ALEMANHA – ASSOCIAÇÃO SALAFISTA PROIBIDA



Aumento da Roupa islâmica nas ruas é Sinal do Avanço do Islão radical

Por António Justo
No dia 15.11.2016 realizou-se a maior operação policial em 10 estados federais. 1900 polícias fizeram buscas em 60 cidades a 200 habitações, escritórios e mesquitas da organização salafista “A Verdadeira Religião”( rede de pregadores), foi proibida na Alemanha por ser contra a Constituição. O seu chefe Abou-Nagie encontra-se actualmente na Malásia. (Ele já tinha recebido ilegalmente, com a família, apoios sociais em Berlim no valor de 53.000€). 

A polícia confiscou armas, computadores, várias facas, um facão, um soco-inglês e pirotecnia, ninguém foi preso na altura. Através do controlo policial geralmente discreto, a Alemanha consegue evitar actos de violência maiores na sociedade.

O Gabinete Federal para a Proteção da Constituição avalia o crescente número de radicais salafistas islâmicos na Alemanha em cerca de 1.200 homens e mulheres (20% mulheres!). A tática da organização é: primeiro distribuir o Corão e, em seguida, levar a aderir ao “Estado Islâmico”.

Sob o pretexto da distribuição do Corão em zonas de peões, a organização “Lê” fazia reclame pelo Estado Islâmico (Distribuíram na Alemanha, até 2016, 3,5 milhões de exemplares do Corão e no estrangeiro cerca de 26 milhões). Na Alemanha há cerca de 9.200 salafistas; 140 jovens foram radicalizados pelo grupo tendo ido como jiadistas para as zonas de combate na Síria e no Iraque.

Muçulmanos salafisas rejeitam a democracia e apenas reconhecem a jurisprudência islâmica (Sharia) e a “ordem islâmica” como única forma legítima de Estado e da sociedade. No início, quando o salafismo começou a distribuir o Corão nas zonas de peões, ninguém imaginava a pólvora que ele contem e então diziam não se poderem discriminar porque também se pode distribuir a Bíblia. 

Na rua cada vez se nota mais a roupa islâmica como o sinal do avanço do islão radical. O Problema do Lenço tem a ver com o islão político, com aspectos religiosos, feministas, minorias e direitos humanos, geralmente não tratados. A mulher muçulmana que tapa o corpo e põe o lenço assume uma áurea de vítima: vítima do islão e da sociedade ocidental porque na sua decisão não é livre de fugir à pressão social de timbre fundamentalista muçulmano nem à pressão de timbre emancipatório ocidental.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Espírito no Tempo, http://antonio-justo.eu/?p=4002

POR UM PORTUGAL LIVRE E COM MENOS NEVOEIRO


É um prazer ler e meditar o poema “Nevoeiro” de Fernando Pessoa que coloco a seguir e que retrata o estado da alma de Portugal, já há muito tempo enevoada e triste. Não será o barulho do arraial nem o orgulho balofo de uma população em fila a seguir o andor de um Estado confundido com a nação, que ajudam Portugal. Portugal terá de ser mais que uma nuvem ou um sentimento que passa.

“NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
Valete, Fratres.”
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa bem avisa “É a hora!” Mas a hora de despertar não chega e no escuro até os satélites brilham e como estes brilham demais, o povo não vê mais. Irei ainda hoje elaborar esta ideia em poesia e coloca-la amanhã aqui.
Obrigado pela vossa atenção.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Espírito no Tempo

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O FANATISMO EMPURRA O MUNDO – ATENTADO CONTRA CRISTÃOS COPTAS


Domingo, 12.12.2016 o ministro egípcio da saúde deu conhecimento de um atentado muçulmano no Cairo numa igreja copta. O atentado provocou 25  mortos e 49 feridos, durante uma missa.

Mais um atentado à conta do Islão, que alguns teimam em afirmar ser uma "religião da paz". Pelo que a realidade mostra por todo o lado, não. Pela paz é, certamente, a maioria dos muçulmanos mas o islão não. Em nome dele, sem contradição das massas muçulmanas, se cometem imensas barbaridades contra a humanidade.

Os cristãos coptas, uma comunidade cristã antiquíssima em toda a região constitui hoje uma minoria de 10% da população egípcia.

Al-Sisi, o presidente, decretou um luto nacional de três dias. De facto, a “Irmandade Muçulmana” é uma ameaça contínua não só para os cristãos mas também para os muçulmanos que querem viver em paz e sossego.

Os fanáticos muçulmanos determinam não só a imagem mas também a actualidade do islão. Em nome da honra do Islão assassinam e destroem enquanto os civilizados explicam as suas barbaridades em nome da compreensão e da tolerância.

Será que a História lhes dá razão ao provar que quem se afirma com fanatismo e  mais violência cria os pressupostos do futuro que então os legitim e lhe dão razão... Porque será que no mundo ainda há tanta gente a viver da produção e do uso das armas e do combate por ideologias?
António da Cunha Duarte Justo

domingo, 11 de dezembro de 2016

O PORTUGUÊS DEIXA DE SER LÍNGUA OFICIAL EM CABO VERDE - QUE FUTURO PARA TIMOR-LESTE



Lusofonia – Defesa da Língua portuguesa - Um apelo à CPLP

Por António Justo
A língua materna em Cabo Verde é o crioulo de base lexical portuguesa com a semântica portuguesa do século XV-XVII. A língua oficial de Cabo Verde é o Português e a Língua nacional é o crioulo cabo-verdiano (Krioulo); o governo visa tornar o “Krioulo” também a língua oficial. O português passa a a língua não materna. 


O Português começará a ser ensinado como segunda língua já no ensino pré-escolar (4/5 anos) ”, revela VOA (1). Esta decisão talvez tenha mais um fundamento pedagógico e de eficiência linguística na estatística do que político. O Krioulo tem várias variantes (2).

Os portugueses descobriram as ilhas de Cabo Verde em 1445. Então as ilhas eram desabitadas; os cabo-verdianos de hoje são descendentes de portugueses e africanos. Hoje têm uma população crioula de cerca de 546.000 habitantes e cerca de 700.000 emigrantes.

A 19 de Dezembro de 1974, foi assinado um acordo entre o "Partido Africano para a Independência da Guiné (3) e Cabo Verde". A 5 de Julho de 1975, foi proclamada a independência de Cabo Verde; se não fosse o zelo ideológico próprio da descolonização, certamente Cabo Verde teria hoje autonomia administrativa com um estatuto semelhante ao da Madeira e dos Açores. 

Portugal com o Instituto Camões tem apoiado o ensino de Português. A língua não só é importante pelo aspecto identitário e cultural mas também pela sua expansão e crédito a nível internacional.


Timor-Leste em situação mais arriscada que a de Cabo Verde

Em Timor-Leste, a situação do português é mais precária do que em Cabo Verde, devido ao contexto cultural e político envolvente. 

O ecossistema linguístico (natural, mental e social) de Timor-Leste é muito variado. Timor-Leste tem, constitucionalmente, duas línguas oficiais: o Português e o Tétum, sendo o Tétum a mais falada. Só 25% da população escreve e fala o português (mais falado em Díli), 45% usam o bahasa indonésio e 56% o tétum. 40% da população é analfabeta. O indonésio e o Inglês são considerados línguas de trabalho. Em Timor-Leste há cerca de 15 grupos étnicos, dos quais 12 grandes tribos. 

Aquando da proibição da língua portuguesa em Timor pela Indonésia em favor do indonésio (bahasa), os padres da igreja católica não seguiram a imposição e celebravam as missas em Tétum. O Tetum é uma língua austronésia com muitas palavras derivadas do malaio e do português, tornando-se numa língua crioula (tétum-praça). 

Um problema na expansão da língua estará na qualificação dos Professores que se sentem mais fluentes no tétum e no indonésio. O crescimento de uma língua depende muito dos factores económicos, políticos e ideológicos circundantes. Timor-Leste estará muito dependente do empenho dos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para não ser sufocado.

Timor-Leste (Timór-Timur), é uma nação transcontinental com cerca de 1 143 667 de habitantes, que deve a sua existência nacional à sua vontade política, ao português e ao catolicismo. Timor encontra-se numa situação contextual diferente da de Cabo Verde; mas se Timor-Leste também remeter o português para segunda língua corre o perigo de se dissolver em línguas e dialectos e com o tempo ser absorvida pela cultura indonésia. A existência de uma cultura mista e polivalente na região é de muita importância em termos futuros de uma maior interligação entre as culturas. 

O jornalista Max Stahl adverte que "sem a língua portuguesa, não há nação em Timor-Leste”(4). De facto, Timor-Leste, tem a sua razão de ser como país pela sua diferença (uma diferença que cria pontes étnicas e intercivilizacionais) dependendo ela do investimento a fazer nos seus factores de identidade e de identificação; doutro modo será, com o tempo, dissolvida na parte ocidental de Timor indonésio. A vontade dos povos também muda conforme as circunstâncias e interesses surgentes. 

Para quem estiver interessado em conhecer melhor as etnias e o ecossistema linguístico (natural, mental e social) de Timor recomendo a obra “Léxico Fataluco-português” do salesiano Pe. Nácher, meu antigo confrade (5).

Em 1975, Timor-Leste declarou a sua independência, mas no final daquele ano foi invadido e ocupado pela Indonésia sendo anexado como sua 27° província.

Os timorenses resistiram e o antigo Timor português transformou-se no primeiro novo Estado soberano do século XXI, em 20 de Maio de 2002. A atribuição do Prêmio Nobel da Paz ao bispo Carlos Ximenes Belo e a José Ramos Horta em outubro de 1996 contribuíram imenso para a concretização da independência de Timor-Leste na sua afirmação contra a Indonésia país agressor. A sua relevância vem-lhe também do facto de ser com as Filipinas os únicos países asiáticos cristãos.
Timor-Leste tem 1.183.643 habitantes (censo de 2015) e cerca de 10.983 estrangeiros (5.501 indonésios, 1.139 chineses, 726 filipinos, 517 australianos e 318 Portugueses. O catolicismo tem sido um elemento de ligação e conciliação entre todos os grupos da população. 

Por volta de 1975, só 30% da população timorense era católica o resto era na sua maioria animista.  Devido à agressão indonésia contra a colónia portuguesa, as diferentes tribos envolvidas na defesa conta a Indonésia e para afirmação da independência tornaram-se católicas. O movimento de libertação Fretilin envolvia uma mistura de teologia da libertação e de comunismo. O cristianismo é visto como símbolo da luta pelos valores humanos.

Há dois factores que testemunham o domínio na humanidade através da História: a economia e a ideologia. Hoje o cidadão queixa-se dos povos colonizadores do passado que dominavam os povos menos fortes, hoje as finanças e a economia de potências política e economicamente fortes dominam e provocam uma colonização aparentemente mansa…

Na polis não se tem mostrado eficiente combater a economia e a ideologia, dado o problema vir da força destas; a alternativa poderia ser a igualdade: ou tornar-se todos fortes ou tornar-se todos fracos; mas o problema é que na natura não há nada igual e o que poderia criar uma certa igualdade na sociedade e na cultura mostra-se impossível dado esta seguir as leis da natura. Para se chegar a uma paz social digna do nome, seria preciso provocar-se um salto na estrutura da consciência humana que superasse as leis da causalidade e as leis da selecção natural; mas também este estádio poderia trazer consigo o problema da estagnação. 

Para mim não esqueço o empenho e a acção social de pessoas como o Pe. Nácher que professando uma crença religiosa não a impõem e empenham todas as suas forças no serviço do bem-estar e do bem comum, promovendo a pessoa e as populações independentemente do povo, da raça ou da fé que professem.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo no Espírito, http://antonio-justo.eu/?p=3987

(1)    http://www.voaportugues.com/a/portugues-segunda-lingua-cabo-verde/3626880.html
(2)     Para se ter uma ideia da diferença entre frase em português traduzida para crioulo: Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.” = Túdu alguêm tâ nacê lívri í iguál nâ dignidádi cú nâ dirêtus. Ês ê dotádu cú razõ í cú «consciência», í ês devê agí pâ cumpanhêru cú sprítu dí fraternidádi.” Exemplo da expressão portuguesa “Ele/ela cantou” em variantes crioulas = Ê’ cantâ, Ê’ cánta, Êl cantâ, Êl cantá.
(3)    Na Guiné-Bissau com 1,6 milhões de habitantes, embora a língua oficial seja o Português apenas 14% fala o português e 44% fala um crioulo baseado no português. A taxa de alfabetização é de cerca de 45 por cento. Cada etnia tem a sua própria linguagem. A Língua franca é Crioulo da Guiné-Bissau. Guiné-Bissau foi a primeira colónia portuguesa a ser reconhecida como independente em 1974.


(5)    http://ruc.udc.es/dspace/bitstream/handle/2183/9927/Nacher_Dictioluku.pdf;jsessionid=C90ACFEF2FB99E60949059FB80C76B4F?sequence=2  O Pe. Afonso Maria Nácher Lluesa, falava  fataluku fluentemente. Como testemunha o historiador José Mattoso, meu antigo professor, o Pe Nácher, teve muita influência na formação de Nino Konis Santana (líder da resistência timorense, depois assistente de Xanana Gusmão e mais tarde comandante da FALINTIL).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

POPULISMO ERUDITO CONTRA POPULISMO VULGAR E VICE-VERSA



O POPULISMO DE CIMA E O POPULISMO DE BAIXO

Por António Justo
Está em moda criticar-se irreflectidamente o populismo, ignorando que vivemos em democracia, como se o povo fosse algo a desprezar ou como se alguém fosse o senhor da verdade e dos interesses a defender e a transmitir ao povo. Na última campanha eleitoral dos USA tivemos a actuar em palco, em termos de igualdade, o populismo de cima expresso em Clinton e o populismo de baixo representado em Trump. 

Na arena pública da democracia temos a classe dominante com um tipo de discurso: o discurso do politicamente correcto (o populismo erudito, o populismo dos de cima) que implica uma certa restrição da liberdade de expressão e defende mais os interesses da sua classe, apresentando-os como os interesses do “povo”; temos, por outro lado o discurso mais simplificado (o populismo vulgar, o populismo de baixo) que diz pretender defender os interesses do “povo”. 

Em democracia tudo é povo pelo que não fica bem que a classe dominante se reserve para ela o direito da interpretação e da opinião correcta em questões da coisa pública. Já cheira a esturro, o facto de em quase toda a Comunicação Social europeia dominante (do politicamente correcto) serem uníssona em criar preconceitos contra subculturas políticas rivais, como se os pretensos preconceitos dos que representam os interesses dos de baixo não tivessem nada a ver com os preconceitos e os interesses da camada dos de cima. 

O populismo vulgar tem porém um aspecto positivo que o populismo erudito não tem: consegue apresentar assuntos complexos de forma compreensível para a generalidade da população; coisa que os políticos e os meios de comunicação social não conseguem! A esta forma de expressão simplificada poder-se-ia denomina-la de populismo de baixo ou populismo vulgar (a maneira de ver do cidadão em geral).

É também moda dizer-se na Comunicação Social que o populismo vulgar reage por medo. Esta é uma conclusão apressada e generalista, dado confundir “grande preocupação” com “medo”. Enfim, o que temos em democracia são grupos de interesses onde a orientação pelo bem-comum, por todo o povo, seja ele mais alto ou mais baixo, parece estar ausente!

É da natureza da comunicação publicada haver muitas formas de discurso, na defesa de interesses organizados, que geralmente se usam do populismo (erudito ou vulgar) de esquerda e de direita.

 Na polis, a luta pelos votos é cada vez mais renhida e brutal porque os grupos de interesses que ganham têm muito a ganhar e os grupos de interesse que perdem têm mesmo muito a perder: e isto acontece porque, na realidade, mais que o interesse do bem-comum está em jogo os interesses dos grupos rivais; assim, cada grupo procura defender a sua ideologia e os seus interesses com o mau princípio de que os fins justificam os meios e na esperança de que o povo pense que é defendido e não note o que verdadeiramente está em jogo: poder e influência, ceder o mínimo e receber o máximo.

O espírito da época (Zeitgeist) e o pensar politicamente correcto são a forma mais populista que há. Este populismo engravatado é publicitado automaticamente como pensamento correcto e é, geralmente, encenado pelos regimes políticos dirigentes e pelos que beneficiam mais do sistema.

A pressão do Zeitgeist e do pensar correcto é tão forte que leva muitíssimas das pessoas a trazerem em público a tesoura da censura na própria cabeça, uma instância que limita a criatividade e a liberdade de expressão, porque a autocensura age sob o medo de provocar reacções inesperadas. Esta censura interior e inconsciente corta com tudo o que possa contrariar a corrente porque se orienta pela oportunidade do conveniente. Esta forma de populismo fino é comum em todas as Eras da história e é comum a todos os regimes e ideologias. 

O populismo vulgar é mais próprio dos tempos de crise política, cultural ou social. Não interessa a defesa do politicamente correcto (ideologia da classe dominante), do politicamente incorrecto nem tão-pouco do espírito conspirativo de um lado ou do outro, o que interessa é que no emaranhado dos interesses em debate, em primeiro plano, esteja a preocupação da defesa do Bem-comum no reconhecimento da complementaridade que leva ao compromisso e não a defesa de interesses de uns contra os outros, porque nesta dinâmica ganha geralmente o mais forte e é fomentado o fanatismo ideológico. 

O conceito de povo, e de estado democrático como forma de representação de interesses, implica a inclusão e não a exclusão e uma forma de discurso com regras mas que não impeçam a criatividade. A dominância de grupos é legítima no respeito pelas minorias.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Espírito no Tempo, http://antonio-justo.eu/?p=3979