quarta-feira, 21 de junho de 2017

VAMOS PLANTAR UMA ÁRVORE EM LEMBRANÇA DAS VÍTIMAS E EM DESAGRAVO DA NATUREZA!



Proposta de iniciativa


Esta é a hora da tristeza, da reflexão e do silêncio. A catástrofe de Pedrógão Grande poderá unir-nos, na solidariedade com a natureza, com as famílias e com os mortos; uma solidariedade integral pode despertar em nós energias reforçadas que também nos leve a plantar árvores por todo o país em desagravo pela natureza e como oração pelas pessoas vítimas do incêndio.
Todos nós temos uma lágrima a derramar devido à maneira como temos tratado a natureza! Choremos e enterremos os mortos! Como povo, para que as nossas lágrimas não caiam em terra seca, esta seria a hora de todos plantamos árvores por todo o país! Esta seria uma forma concreta de reparação nacional e uma maneira de nos acordar para a gravidade da natureza ofendida! Quando ela sofre, sofremos todos; ela é a nossa casa e também nossa mãe e irmã! Vamos plantar uma árvore!

UMA PROPOSTA PARA O CONCELHO ATINGIDO

No concelho atingido pela catástrofe, a Câmara municipal poderia elaborar num lugar determinado, um monumento constituído por 64 árvores plantadas (lembrança dos mortos) e ao lado de cada árvore uma pedra como símbolo de algo que permanece (Árvores tradicionalmente bem portuguesas são o sobreiro, a oliveira (símbolo da paz) e o pinheiro).

António da Cunha Duarte Justo
(Presidente da ARCÁDIA - Associação de Arte e Cultura em Diálogo)
 Pegadas do Tempo, http://antonio-justo.eu/?p=4334

Pintura “Alma a subir” de Carola Justo, http://carola-justo.de/


PORTUGAL TEM QUE CONTAR NO FUTURO COM INCÊNDIOS FLORESTAIS DEVASTADORES



A mudança no clima acentuar-se-á em Portugal

António Justo
Especialistas internacionais advertiram que Portugal no futuro tem que contar com incêndios florestais devastadores; isto implica um trabalho nacional sério de reordenamento do território e evitar a negligência governamental manifestada até aqui; os políticos portugueses não podem limitar-se a andar ao sabor da emoção e atrás do acontecimento como mostra em Portugal a ausência de serviços florestais!
Thomas Curt da  IRSTEA (Organização de Planeamento Físico e ordenamento do território e problemas estruturais na França), diz que em Portugal nos últimos 50 anos as temperaturas subiram mais que na média mundial. A desertificação da floresta mais ajudará o processo em via! Temos a sorte de ter o atlântico à beira, mas as pessoas do interior cada vez serão mais obrigadas a abandonar as suas terras e deste modo a abandonar a defesa e o cultivo do interior. (Enquanto os nossos políticos maiores continuarem a considerar-se refugiados da província em Lisboa, Portugal inteiro não terá hipótese!)
O relatório dos fogos de 2011/12 foi feito em 2014 mas só foi publicado a 20 de Junho passado como refere o Público, não se fale já dos outros... A confirmar a atitude política em relação à desgraça nacional de tantas famílias destruídas e de tanta natureza devastada, o nosso Parlamento, prefere “ir de férias não dando andamento ao pacote florestal, parado há dois meses na comissão de Agricultura”.

Servir-se da experiência estrangeira


Seria de implementar a ideia do envolvimento de técnicos estrangeiros no sentido de melhorar soluções e evitar questiúnculas de possíveis envolvimentos e aproveitamentos partidários; um estudo sobre o que se faz noutras nações, com problemas semelhantes, seria muito útil porque embora tenhamos estudos científicos sobre o assunto, os resultados de investigações ou de projectos dependem também, por vezes, da cor política de quem os elabora. Certamente, seria óbvia a criação de trabalhadores florestais (guardas florestais que trabalhem na sua demarcação).

Na Alemanha que é um Estado que tem as florestas primorosamente em bom estado e bem administradas porque possui administração descentralizada e naturalmente com guardas florestais por todo o lado (estes são verdadeiros técnicos aficionados pela floresta como pude constatar em tempos passados!)
Na Alemanha os guardas florestais assumem várias funções; esta profissão ocupa-se também do aproveitamento económico sustentável das florestas, tendo em conta as suas funções ecológicas e sociais. A sua situação de emprego e respectivas funções depende dos diferentes caracteres da floresta. A caça pode contar entre as suas tarefas. Na Alemanha os “ guardas florestais “ são geralmente engenheiros com um estudo próprio.
Gonçalo Ribeiro Telles dizia: «É urgente fazer o reordenamento do território "a sério," não para a floresta mas para as árvores em todas as suas funções».
Urge a reactivação da carreira de guardas-florestais e a revisão das suas tarefas. De facto, seria mesmo pobre uma organização que se limitasse apenas a vigar a floresta. (De lamentar manifestações e sindicatos que se preocupam só com ordenados e com aumento de pessoal e não se preocupam mais pela organização moderna de serviços florestais e pela eficiência e qualificação dos seus membros.

Mudar de atitude e de política


Uma cultura da artificialidade e do artifício, desconsideradora do natural e da natureza não põe luto pelas árvores, não chora ainda pelas árvores ardidas! Também as diferentes espécies vegetais com o seu habitat natural esperam por serem defendidas.
Uma pólis preocupada com o dinheiro fácil (eucaliptos em demasia) e com o consumo refugia-se no gueto da cidade sem consciência do que deveria investir e fazer pelas aldeias e pelas regiões. Portugal, com o seu centralismo obsoleto em Lisboa continuou na República o que o espírito monárquico tem de criticável.
Naturalmente, não chega criticar por criticar nem ser contra os críticos. Quanto mais viva for uma sociedade civil maior será a expressão de opiniões e as suas intervenções! O espírito crítico é o pressuposto para o avanço de uma cultura!
Homenagem seja feita aos mortos e ao povo comovido que se mostra imensamente solidário com a sua ajuda concreta às vítimas de forças alheias e da incúria social e política.
© António da Cunha Duarte Justo

domingo, 18 de junho de 2017

MORREU HELMUT KOHL O “PAI DA UNIDADE ALEMÔ E GRANDE OBREIRO DA UE



O Legado de Kohl à Europa é a sua Coragem na Execução de uma Visão

António Justo
Políticos de todo o mundo apreciam a obra de Helmut Kohl. As bandeiras da UE em Bruxelas encontram-se penduradas a meia haste. Apesar de divergências nalguns pontos da política, a Alemanha toda honra o seu grande homem e político; morreu com 87 anos, um estadista alemão e europeu, talvez o último de uma geração de políticos que ainda tinham grandes visões. Kohl foi chanceler desde 1982 até 1998.

Foi um amigo de Portugal fomentando a sua entrada na União Europeia (1986) e criticando um certo rigor de Ângela Merkel para com os países do Sul. 

Helmut Kohl parece ter tido como mote da sua vida uma frase que um dia disse: temos que saber "aonde se pertence e para onde se quer ir." No verão de 2011, disse: "Nós já tínhamos estado muito mais longe na Europa “e queixou-se que a Alemanha já não era uma “grandeza previsível„! Disse isto num desabafo contra a chanceler Ângela Merkel, que tinha acusado "países como a Grécia, Espanha e Portugal" de mandarem os seus funcionários mais cedo para a reforma e de "deixarem ir muito tempo de férias." A grande visão de Kohl era realizar a união europeia, pensando que, com a introdução do Euro, tornava a União irreversível. Mitterrand tinha medo da Alemanha unida, mas, a contrapartida da introdução do Euro oferecia-lhe uma certa segurança. O facto de Kohl ter usado o euro como instrumento para impor a união europeia terá sido uma visão corajosa que no momento é mais vista como ousadia. Facto é que Jean Monnet, Jacques Delors e Helmut Kohl foram os maiores no serviço da cooperação europeia deixando um grande legado à Europa.

Em Verdum, Mitterrand estendeu a mão a Kohl!  O gesto simbólico da reconciliação de 1984, em que Kohl e Mitterrand se apresentam de mãos dadas, ficou na memória europeia. Na batalha de Verdum, dos dois milhões de soldados morreram 700.000 e entre eles o irmão mais velho de Kohl . A amizade de Mitterrand e Kohl levou Kohl a chorar em Paris, aquando do enterro de Mitterrand. O aperto de mão de Verdum como símbolo político tem o mesmo peso que o ajoelhar de Willy Brandt em Varsóvia.
Aquando da revolução pacífica na Alemanha Oriental em 1989, Kohl percebeu, que a porta estaria aberta apenas por pouco tempo para a unidade alemã. Sob alta pressão, negociou com os líderes dos Estados Unidos, da União Soviética, da Grã-Bretanha, da França e com os líderes da União Europeia, as modalidades da união das duas Alemanhas.

A chanceler alemã Ângela Merkel, de visita ao Papa Francisco, ao saber da morte de Kohl, também se referiu a Helmut Kohl como “personalidade alemã e europeia de grandeza histórica”; ele foi “um lance de sorte„ que se aproveitou da hora benévola para a união das Alemanhas e que “isto foi a maior arte do Estado ao serviço das pessoas e da paz”;  Merkel confessou também: „Helmut Kohl também mudou a minha vida de forma significativa." De facto, ele foi o seu grande promotor.

O presidente francês Emmanuel Macron escreveu em alemão: Kohl é o "pioneiro da Alemanha unida e da amizade franco-alemã: com Helmut Kohl perdemos um grande europeu".

Em abril 2016, Kohl recebeu em casa em Oggersheim o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban.

Não há luz sem sombra. Kohl foi um grande estadista no actual sistema europeu; no seu corrículo fica com uma mancha escura: o caso da doação ilegal de 2,1 milhões de DM ao partido da CDU, para o qual Kohl tinha criado uma “conta bancária preta” à margem dos registos. Nunca revelou os nomes dos doadores, argumentando que lhes tinha dado a sua palavra de honra. Kohl, que tinha negligenciado a família em benefício do partido CDU, viu então o partido romper com ele; na sequência Kohl renunciou ao cargo de presidente honorário do CDU.

Helmut Kohl, com George H. W. Bush e Michael Gorbatchov foram os pais da unidade alemã e do fim da guerra fria.
© António da Cunha Duarte Justo