sábado, 24 de novembro de 2018

PARIS: JÁ NÃO HÁ ESQUERDA NEM DIREITA - MANIFESTANTES E ACTIVISTAS TOMAM CONTA DA PRAÇA



Já não há esquerda nem direita o povo é quem protesta

António Justo

Com um presidente sem partido é nisto que a política dá: junta-se a esquerda e a direita com o povo e então a situação torna-se incontrolável; assim não se podem jogar uns contra os outros. Como se vê nos Champs-Elysées de passa a haver só os “lá de cima” e os “cá de baixo”.

Desde há uma semana protestam os os manifestantes do movimento "coletes amarelos" contra os altos preços da gasolina e o custo de vida. Neste sábado, só nos Champs-Elysées juntaram-se 5.000 manifestantes, entre eles membros mascarados da extrema direita e da extrema esquerda. Apesar da mobilização de 3.000 policiais, os manifestantes provocaram fortes tumultos construindo barricadas e destruindo móveis urbanos. Pelo menos 19 pessoas ficaram feridas, incluindo quatro policiais.

A polícia tem reagido com canhões de água e gás lacrimogéneo contra os manifestantes.

Nos Elyssées, o movimento até já berra “fora com Macron”.

Numa mensagem, Macron reagiu com clareza de intenção: ”Obrigado às nossas forças de segurança por sua coragem e profissionalismo. A vergonha para quem os atacou. Vergonha para aqueles que abusaram de outros cidadãos e jornalistas. Vergonha para aqueles que tentaram intimidar os funcionários eleitos. Na República não há espaço para este tipo de violência.”

Um crítico do presidente expressando o pensar de muitos franceses, saiu-se com esta assim: “Macron, a única aposentada que ainda te aguenta é a tua esposa!”.

O povo, que as nossas elites produziram, não está fácil de se enfileirar em conceitos polares e isto deveria ser uma oportunidade para uma maior reflexão política, doutro modo o que se vê é que se os políticos não deixam de servir a plutocracia teremos um povo cada vez mais “endiabrado”!

O problema cada vez se torna socialmente mais grave porque a geração facebooquiana cada vez está mais informada apesar das campanhas que os favorecidos pelo regime fazem contra ela; isto até que a cheguem a controlar também! O escândalo de uma plutocracia cada vez mais forte, com a anuência da política, constitui um real rastilho de incêndio!

É verdade que a classe média europeia se sente fatigada e até parece estar nas intenções da agenda, ser defraudada para se criar uma sociedade anónima de cientismos! Vamos indo e vendo no que isto vai dar. Não promete melhora porque as elites divertem-se enquanto o povo berra!

Na Alemanha ouvem-se apenas moderados protestas e os que há dirigem-se mais contra o Pacto de Migração da ONU, pois consideram-no uma expropriação do Estado e do povo!

© António da Cunha Duarte Justo

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

HISTÓRIA DE PORTUGAL E DO POSTO CONSULAR DE FRNKFURT RESUMIDA NUM QUADRO HISTÓRICO


Antiga Vice-Cônsul situa a tela do grande pintor W. Peiner

Por António Justo

Fotografei este belo quadro da Torre de Belém que os portugueses conhecem dos tempos em que havia consulado geral em Frankfurt. O quadro é muito simbólico:  representa o apogeu de Portugal que foi o primeiro e verdadeiro império do mundo e o mais antigo império colonial existente na Europa; como Património da Humanidade é um farol a avisar os portugueses e a Europa que se atualizem, mas não se deixem levar no canto das sereias da moda (pensar politicamente correcto) e se tornem conscientes de si mesmos e da sua missão (o ideário da Europa resumida na lusitanidade), a que a velha luz do antigo farol hoje apela.
Diria que no quadro se encontra também uma recomendação a Lisboa: o barco grande simboliza o antigo consulado que a falta de visão encerrou e o barco pequeno significa o atual Escritório Consular que espera por uma vontade resoluta e inteligente que o transforme no barco grande.
Este quadro é testemunho dos altos e baixos por que passou o Consulado Português e da recordação de gerações de portugueses residentes e de funcionários passados por lá.

Fica-se sensibilizado ao ver o velho quadro nas novas instalações e ao ouvir a funcionária do Consulado-Geral de Estugard, Irene Rodrigues dizer que, quando as portas de Franfurt foram encerradas (apesar da contra-razão expressa na manifestação), se transportou o Quadro para o Consulado Geral de Estugarda, na viva esperança de que as portas  do Consulado de Frankfurt, um dia, se abririam e que ele pudesse continuar aí a testemunhar a história do seu nascimento. Isto está a acontecer por inteligência da Embaixada, da Cônsul-Geral de Portugal de Estugarda, Carla Saragoça e do MNE/SECP, com a abertura do actual Escritório consular em Hattersheim am Main. Neste quadro se reúne a esperança e a grandeza de  Portugal e a comunidade portuguesa alegra-se ao constatar que o Estado português reassume responsabilidade na área de Frankfurt.

Passo a citar a benemérita Marlis Bastos, ex-Vice-Cônsul, do ex-Consulado de Frankfurt, que me elucidou sobre este quadro, que eu tinha colocado, como foto, num meio de comunicação social: "Quando iniciei funções no consulado honorário, em outubro de 1963, o quadro já existia e pertencia ao então cônsul honorário Walter Gerling. Por ocasião da transformação em consulado de carreira, em 1972 o sr. Gerling ofereceu o quadro ao Governo Português, que infelizmente não lhe deu a importância que ele esperava merecer. Trata-se de uma pintura a óleo em tela de pele de búfalo, pintado, a pedido do cônsul honorário," por um então famoso professor da Faculdade ou Escola de Belas Artes em Colónia, cujo nome não me ocorre neste momento (Lembro-me o Sr. Gerling falar sempre em Professor Peiner). Sei que na época, ou seja, em 1958, o Sr. Gerling teria pago dez mil marcos por ele."

Entretanto apurei que o autor do quadro com a assinatura PPeiner será o professor de arte Werner Peiner.

A inauguração oficial do Escritório Consular de Portugal em Hattersheim am Main será feita, no dia 12 de Dezembro de 2018, por Sua Excelência o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr. José Luís Carneiro e na presença do Embaixador de Portugal na Alemanha, Dr. João Mira Gomes, e da Cônsul - Geral de Portugal em Estugarda, Dra. Carla Saragoça.
© António da Cunha Duarte Justo, ex-conselheiro consultivo do ex-Consulado de Frankfurt

ESPANHA QUER TRAVAR O BREXIT POR CAUSA DE GIBRALTAR – E PORTUGAL CALA EM RELAÇÃO A OLIVENÇA E ÀS ILHAS SELVAGENS!



António Justo

O PM espanhol, Pedro Chances, declarou ontem que a Espanha recusará a aprovação do Acordo Brexit se não houver alteração na questão de Gibraltar (contencioso ente Espanha e GB) no projeto de Acordo-Brexit, entre EU E GB.

Gibraltar encontra-se desde 1713 sob soberania britânica.

Nesta lógica, o que acontece com a inclusão de Olivença no tratado, por parte de Portugal em relação ao conflito Espanha-Portugal?

Olivença é reivindicada, de jure, por Portugal, mas encontra-se, de facto, ocupada pela Espanha.

O Tratado de Alcanizes, de 1297, estabelecia Olivença como parte integrante de Portugal e no Congresso de Viena de 1815, a Espanha comprometeu-se (a acabar com o conflito luso-hispânico ocorrido em 1762)  a restituir Olivença a Portugal dado ter-se apossado indevidamente de Olivença através da imposição a Portugal pelos tratados de Badajoz de 1801.

Um caso ainda mais grave para o futuro é o facto de a Espanha também pretender assenhorear-se da zona marítima das Ilhas Selvagens (portuguesas)!

Espanha quer que se ignorem as Ilhas Selvagens portuguesas, entre as Ilhas Canárias e a Madeira que considera apenas como rochas, enquanto que o Estado Português insiste na sua classificação como ilhas, o que permite a ampliação da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa. Portugal tem lá um farol.

Atendendo à caturrice espanhola, o governo português deveria passar a atuar como faz o governo chinês, com ilhas semelhantes, no Mar do Sul da China. A China aumenta as ilhas artificialmente e transporta para lá areia de outras zonas do mar.

Tudo isto constitui naturalmente um problema relativo à integração europeia, mas uma parte, importante a não ser descuidada, é a defesa da integridade nacional não se deixando ir na onda, a pretexto dos interesses dos maiores da EU. Mais tarde é que se reconhecem os erros cometidos ao longo da História. O mar é o grande potencial de recursos do futuro!

O que outrora tornou grande Portugal foi a consciência de expressar e espalhar no mundo o espírito europeu e não o de um seguidismo obediente de uma União Europeia que se prostitui por meros interesses de grandeza económica.

© António da Cunha Duarte Justo
In “Pegadas do Tempo” http://antonio-justo.eu/?p=5091