quarta-feira, 29 de maio de 2019

VOTAÇÕES PARA AS EUROPEIAS EM PORTUGAL


A Abstenção de 68,6% não prova Consciência europeia

António Justo
O PS ganhou as eleições europeias com 33,38% dos votos (9 eurodeputados), o PSD 21,94% (seis deputados), a CDU (PCP) 6,88%, (dois deputados), o BE 9,82% (2 deputados), CDS: 6,19% (1 deputado), o PAN 5,08% (1 deputado), Brancos e nulos 2,1%, a Aliança 1,86% e outros 7,8% (1). Portugal tem 21 eurodeputados (a). 

Houve 6,54% (brancos e nulos) que deste modo demonstram indignação, protesto ou desconfiança destes eleitores na classe política. Estes como os outros votantes revelam consciência de cidadania.
A abstenção de 68, 6% constitui um problema para a democracia, mas os partidos vivem com ela segundo a fórmula: o que conta é quem é eleito (b).

Com tal abstenção os prognósticos tornam-se difíceis em relação às votações futuras e deveria constituir um quebra-cabeças para a democracia partidocrática! 

Talvez quando todos os partidos colocarem nos seus programas de eleitorado o combate à corrupção e se empenharem na defesa das causas ambientais e dos portugueses em geral certamente o eleitor terá mais interesse em votar. Culpar os absentistas por não votarem não é recomendável tal como o culpar o adversário, porque isso ainda é fruto que alimenta a viver à sombra da bananeira cómoda do não pensar. A fadiga eleitoral e falta de educação política das massas revelam-se como erros do sistema, tornando-se descabida a crítica generalizada contra o povo abstencionista.

Se é verdade que a abstenção não elege, pelo menos, deveria fazer pensar: não será que corremos o perigo de sob o nome de democracia abusarmos da partidocracia a ponto de não termos legitimidade para agir em nome do povo?! 

No jogo em campo da democracia, abstenção é, para alguns, uma rasteira e uma tentativa de colocar os representantes dela em “fora de jogo”! Quem está descontente e a quem os programas dos partidos não agradam, deveria votar em branco ou voto nulo. Assim demonstraria o descontentamento e consciência de cidadania!

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=5461

(a)     https://observador.pt/especiais/eleicoes-europeias-os-resultados-pais-a-pais/
(b)      Como Abílio Lousada bem resume em relação a Portugal, “a matemática não engana, porque, de facto: Eleitores Recenseados: 10.600.000
Eleitores Votantes: 3.328.400
1.° ABSTENÇÃO – 68,6% [7.271.600]
2. ° PS – 10,5% [1.111.650]
3.° PSD – 6,9% [728.900]
4.° BE – 3,1% [326.100]
5.° BRANCOS/NULOS – 2,1% [230.000]
6.° CDU – 2,1% [229.650]
7.° CDS – 1,9% [206.350]
8.° PAN – 1,6% [169.750]
9.° Restantes Partidos (11) – 3,1% [326.000]”

A EUROPA VOTOU E ACORDOU MAIS VERDE E VARIADA

No Carrossel das Nações e das Culturas a Europa revela já tonturas

António Justo
As eleições europeias revelaram que está em curso a fragmentação e polarização das paisagens políticas europeias e a necessidade de implementação de políticas do ambiente. Com as eleições, os Verdes e os partidos pequenos começam a ter maior representatividade nos parlamentos, apesar do sistema favorecer os partidos grandes.

Em parte, a Alemanha está para os países europeus como a América para a Europa. Na Alemanha já se verifica o tempo de viragem dos partidos estabelecidos: a CDU também perdeu eleitorado embora continue à frente (28,9%), os Verdes (20,5%) conseguiram atrair a esquerda liberal do SPD, que viu reduzidos os seus eleitores de 27,31 para 15,8%.  A História não para, ela é de quem a acompanha e a muda. De momento tudo procura e ninguém encontra! Na Alemanha, a juventude marcou presença nas urnas e a afluência geral do eleitorado foi de 61,5%.

Um outro fenómeno a manifestar-se é o facto de artistas conhecidos começarem a candidatar-se como pessoas individuais e conseguirem assento no parlamento. Ver em nota os resultados dos partidos na Alemanha (1) e noutros países (2). Verdes e pequenos partidos registam as maiores subidas (3). 

Constata-se que, na consciência popular, avança o proteccionismo de Trump, não só na praça pública, mas também através de um populismo domesticado dentro dos próprios partidos, o que denota uma certa adaptação aos novos ventos. De facto, mesmo os chamados populistas AfD lutam por domar o seu populismo (expressão emocional popular) para que, com o tempo, possam afirmar-se como populismo civilizado à imagem do que acontece nos partidos já estabelecidos no sistema. Com o desmoronar dos grandes partidos populares, como a CDU e o SPD, os populismos de esquerda e de direita ganhará mais expressão.

De notar que embora esteja a dar-se um tornado a nível dos chamdos partidos populares, permanece um equilíbrio nacional da cidadania de esquerda e de direita, na forma de estar política dos diferentes países, apesar de aqueles se encontram em navio a afundar-se; só na península ibérica, onde o discurso ideológico tem mais peso nas actividades governamentais, é que não. Na Alemanha, o partido os Verdes encontra-se a caminho de se tornar num partido popular e prestes a substituir o SPD nas rédeas do poder; outros partidos minúsculos também marcam presença.
O facto da fragmentação e polarização das paisagens políticas europeias obrigará os partidos a mudar a estratégia de conversações   em formações de governo mais complexas e, por outro lado, a um acentuar de identidades partidárias com a consequência de, em vez de dialogarem, rivalizarem; também isto significará uma mudança de atitude   na relação entre os tradicionais partidos formadores de governos na Europa central e norte e terá consequências a nível da EU na procura de consensos menos fáceis.

A acompanhar a greve do clima na paisagem juntou-se a greve das escolas a apoiá-lo, tentando assim irromper contra um cepticismo governamental ainda distanciado. O motor de arranque para a mudança sistémica da classe governante nos países europeus é movido pelas mudanças climáticas e pela imigração descontrolada e um certo desrespeito pela própria cultura.

A juventude, desta vez mais participativa, quer que o futuro lhe pertença, tendo emprestado, para isso, a sua voz aos partidos e movimentos verdes e não aos negociantes do hoje! A Europa encontra-se agora mais dividida entre os que puxam a corda em direcção ao futuro e os que a puxam em direcção ao passado. Um encontro de pausa para voltar ao meio seria o mais adequado!

A situação da EU não é boa e sofre de vários desalinhamentos e exigirá paciência para a construção de coligações multipartidárias com novas plataformas de conversações na gestão da coisa pública; na consequência teremos regimes políticos mais instáveis como tem acontecido com a Itália.  Isso tornar-se-á já visível nas discussões para a substituição de Jean-Claude Juncker na escolha do novo presidente da Comissão.

Numa sociedade cada vez mais diferenciada também se torna compreensível um certo desconsolo nos monopólios dos Media e o descontentamento na classe política estabelecida.  A velhice não perdoa e a juventude, se não é burra, aproveita-se.

Conclusão: uma loucura comum do globalismo económico avassalador, sem respeito pela natureza, movimenta o eleitorado de modo a substituir o partido social democrata pelo dos Verdes e a loucura de uma política de portas abertas irresponsável fomenta o chamado populismo de direita que instabiliza os centristas, como mostra o exemplo do AfD alemão.

Para cá dos Pireneus os eleitores hesitam ainda na vontade de mudar o sistema de partidos clássicos, mas os partidos defensores de programas verdes e ecológicos já se encontrem a iniciar os primeiros passos para pisar a arena pública; são ainda demasiado fracos, mas o exemplo da Europa central encoraja-os.  A variedade de partidos eleitos em Portugal já aponta para uma sociedade pronta a deixar de sonhar com maiorias absolutas.

© António da Cunha Duarte Justo

(1)     Resultados: CDU 28,9% (29 deputados), Verdes 20,5% (21), SPD 15,8% (16), AfD 11% (11), Die Linke 5,5% (5), FDP 5,4% (5), Die partei: 2,4% (2), Freie Wähler: 2,2% (2), Tierschutpartei:1,4% (1),ÖDP 1% (1), Piraten 0,7% (1), Familie 0,7% (1), Volt 0,7% (1). https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=wahlen+ergebnisse
(2)     Na França Le Pen consegue com 24,2% do eleitorado, mais votantes do que La République en Marche, do presidente da República (22,4%). Na Polónia os conservadores conseguem 42,2% enquanto a oposição conseguiu 39,1%. Na Grécia os conservadores ganham com 33,5% enquanto o chefe do governo Tsipras só consegue 25%. Na Úngria o partido de Viktor Orbán consegue 56%. Na Dinamarca vencem os sociais democratas com 22,2% e os populistas de direita descem para 11,8%.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

PORTUGAL FAZ 836 ANOS – PARABÉNS



Hoje Portugal faz 836 anos. A 22 de Maio de 1179 o Papa Alexandre III, com a bula "Manifestis Probatum", reconheceu Portugal como Reino. 

O reconhecimento da nacionalidade pelo Papa era naquele tempo como hoje o reconhecimento da ONU.

Portugal ficou independente de facto, a partir do momento em que foi celebrado o Tratado de paz de Zamora a 5 de outubro de 1143, por Afonso VII, que reconheceu Portugal como Reino.

Facto é também que D. Afonso Henriques já se considerava rei a partir da Batalha de Ourique em 25 de julho de 1139.

Parabéns Portugal, não te esqueças da Ordem dos Templários que, nos momentos mais gloriosos e mais importantes da tua História, foram decisivos para o teu desenvolvimento! Foi-o na origem do Portugral (Porto do Graal) e depois na preparação dos Descobrimentos.

António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=5441

PREÇO DA ELECTICIDADE NA EUROPA – PORTUGAL DOS MAIS CAROS


A Eurostat (1) revelou as estatísticas dos preços de electricidade (KWh) nas habitações particulares relativamente a 2017.

Dos 38 países analizados, Portugal pertence ao grupo dos mais caros. Mais caros que Portugal só temos Irlanda, Bélgica, Alemanha e Dinamarca onde se paga entre 0,24 e 0,3 euros por KWh.
Na Ucrânia o cidadão paga 0,04 € por KWh , na Holanda, Finlândia, luxemburgo e Gécia 0,116 por KWh, na França 0,18, no Reino Unido 0,19,  Portugal e Espanha 0,22 por KWh.

A média europeia paga 21,1 cêntimos por kWh. Em geral, mais de metade do preço da electricidade é constituído por impostos e taxas.

Pelos vistos, os portugueses são muito bem comportados perante as fornecedoras e perante os políticos!

Se se tem em conta a diferença entre o preço do KWh para privado e o da indústria,  esta paga em geral, cerca de metsde do que paga o cidadão para a sua habitação. 

Um outro aspecto a ser considerado é a diferença dos preços que há entre os diversos países no preço do KWh para o comércio e indústria. Aqui observa-se, por parte de alguns países uma subvenção indirecta a empresas o que leva a uma concorrência desleal entre eles.

António da Cunha Duarte Justo
“Pegadas do tempo” https://antonio-justo.eu/?p=5437
Notas no site

sábado, 18 de maio de 2019

PORQUE NÃO DEIXARMOS DE SER PATOS E NOS CONTENTAMOS COM A CAÇA AOS GAMBUZINOS!



Independentemente das facções políticas que nos têm governado, continuamos a ser um país desgovernado; se fossemos um país bem governado poderíamos ser um país como a Suiça.

Em vez da "ínclita geração" que nos tornou grandes, passamos a ter jacobinos que fazem as coisas de tal modo embrulhadas que o povo anda sempre atrás do acontecimento!
Os nossos dançarinos do poder mais que inteligentes parecem ser espertos que conseguem pôr todo o povo no jogo da caça aos gambuzinos!
Persistimos em ser patos!

Em tempos de campanhas eleitorais torna-se mais que necessária uma auto-análise sobre o exercício da cidadania.

António da Cunha Duarte Justo

quarta-feira, 15 de maio de 2019

GUERRA COMERCIAL ENTRE OS EUA E A CHINA: PORQUÊ?

Números que podem ajudar a diminuir Preconceitos!

António Justo
O comércio dos EUA com a China é muitíssimo desfavorável para os EUA e a continuar como antes estava a correr perigo de se reduzir a uma subvenção do capitalismo comunista de Estado na China.
Como relata a imprensa alemã, as importações de produtos da China pelos USA em 2017 cifraram-se em 506,3 mil milhões de dólares, enquanto a China importou apenas 130,4 mil milhões de dólares de mercadorias dos USA.

Em 2018 o balanço financeiro ainda foi pior para os USA. Enquanto os EUA importaram da China mercadorias no valor de 540,3 mil milhões de Dólares, a China importou dos EUA artigos no valor de 121,0 mil milhões de dólares. Em 2018 os USA tiveram um balanço financeiro negativo de 419,3 mil milhões de dólares.

O balanço comercial (importação e exportação de produtos) entre os USA e a Europa é desfavorável para os USA.

Assim podemos compreender melhor alguns preconceitos que se espalham nos Media em relação à atitude protecionista dos USA. Por esse fenómeno Trump (não sendo muito embora nenhum santinho) é cognominado, pelos adversários, de nacionalista e de populista.

Precisamos de uma economia que crie um equilíbrio social e melhores condições do meio ambiente dentro e fora dos próprios muros e não à custa do fomento da luta e do preconceito que alimenta muita gente a viver à custa dos pobres de todo o mundo e dos cidadãos empenhados no trabalho para enriquecer a sociedade.

Uma solidariedade estável sistematizada em cada Estado seria o primeiro passo para criar um modelo de sociedade que poderia ser exemplo de solidariedade com os outros povos. 

Como pode um sistema interno injusto que não cumpre os deveres de casa justificar tanto idealismo e empenho fora da própria nação? Não estará por trás de tudo isto um turbo-capitalismo anónimo irmanado com um marxismo anonimizador, interessado em estabilizar o fenómeno da pobreza nos Estados ocidentais, em nome do combate à pobreza fora da civilização ocidental?

Doutro modo, porque facilitou o partido democrata, quando governava, a saída de empresas dos USA para a China e até as isentando de tachas aduaneiras? Porque apoiam os camaradas o regime chinês de ditadura capitalista- socialista? 

Porque se irritam tanto com um Trump que no aspecto ideológico parece contribuir para um melhor equilíbrio obrigando a repensar-se o globalismo desenfreado? Nesta guerra parece encontrar-se escondida a luta entre os republicanos nacionalistas e patriotas que querem proteger o próprio mercado e os democratas progressistas mais interessados na implementação do globalismo. Isto leva à irritação em todo o mundo ocidental cada vez mais dividido entre conservadores e progressistas e irrita especialmente as nações europeias de economia forte que tinham apostado tudo na cartada de uma economia liberal sem consideração por interesses nacionais!

A política económica americana revelava-se num programa de apoio e fomento da ditadura chinesa, num desvio dos interesses ocidentais da África, América do Sul e Rússia e numa desobriga política das elites dos estados europeus perante os seus cidadãos.
Não se fale já da luta entre as diferentes formas de ver e entender a realidade!

© António da Cunha Duarte Justo


ISRAEL OSTRACIZADO NA ONU!
No 70° aniversário da inclusão de Israel na ONU, o ministro da Justiça alemão H. Maas queixou-se do mau trato de Israel nos grémios da ONU e acusa: Israel é “denunciado de forma inapropriada, tratado unilateralmente e ostracizado”



O DINHEIRO EUROPEU COBRE MUITAS NECESSIDADES!

“O Fundo de Solidariedade da União Europeia atribuiu a Portugal mais de 50 milhões de euros para responder à tragédia dos incêndios do verão de 2017, onde morreram mais de 100 pessoas.
Menos de metade do dinheiro foi entregue às áreas afetadas. O Governo “cativou” mais de 25 milhões de euros para despesas administrativas e serviços do Estado”, confirma o deputado José Cesário.
Como águas passadas não movem moinhos e para continuarmos cada vez mais na mesma é melhor seguirmos cantando e rindo como a cigarra. Apesar de tudo, a parte da sociedade que se expressa não vive mal.