domingo, 23 de junho de 2019

DA VIOLÊNCIA DA OPINIÃO PARA A CRUELDADE DA ACTUAÇÃO - APENAS UM PASSO


Assassínio do alemão Walter Lübcke pela Extrema Direita, “Rede de Resistência Democrática” … nas pegadas da “Fração do Exército Vermelho”?
 
Por António Justo
A 2/06/2019 foi assassinado, em frente de sua casa, Walter Lübcke, presidente distrital do distrito de Kassel, alegadamente, por mão traiçoeira da extrema direita, com um tiro na cabeça. Na sequência do crime, foi preso, como suspeito, o neonazi Stephan E.

Lübcke, político da CDU, que era conhecido pelo seu empenho em favor dos refugiados, incomodava de maneira especial a cena parda da sociedade. Aquando (2015) da abetura de um lar para refugiados ele foi apupado por alguns presentes. Lübcke, homem de texto claro e não habituado a engolir cobras e lagartos, dirigiu-se então aos apupantes dizendo: "Vale a pena viver no nosso país. É preciso defender os valores, e aqueles que não os defendem, se não estiverem de acordo, podem deixar este país a qualquer momento. Essa é a liberdade de cada alemão." 

Desde então não se fizeram esperar ameaças contra ele por parte dos “Cidadãos do Império” ( Reichsbürgern) e da extrema-direita "Nuremberga 2.0 Alemanha - Rede de Resistência Democrática" que colocara Lübcke numa lista de inimigos, porque tinha participado na "islamização, na desdemocratização, na repopulação da Alemanha" (1).

Desde 2011, circula na Internet uma lista negra da rede extremista de direita com pessoas consideradas desagradáveis e em que constava também Lübcke.

Este facto trágico não pode ser considerado como um caso isolado. Depois de ter sido encontrado morto no seu jardim já outros dignitários alemães têm recebido ameaças de morte. Desde 2015 cresceu “enormemente" o potencial de terror de direita na Alemanha. O medo do islão e insatisfações difusas mudaram o clima social e estão a mudar a constelação dos cenários governantes.

O assassínio de Walter Lübcke provoca imensa excitação e medos na sociedade alemã porque esta ainda tem bem presente na memória a atmosfera social que se viveu da década dos anos 70 até 1998, causado pela Fração do Exército Vermelho (RAF), uma organização terrorista extremista de esquerda (“Bando Baader-Meinhof”), responsável por 33 assassinatos de líderes políticos, empresariais, administrativos, funcionários aduaneiros e soldados americanos. A divisão na sociedade alemã e europeia é hoje semelhante à dos tempos da “guerra fria” entre os propagandistas do capitalismo e os do socialismo (hoje os militantes internacionalistas e os nacionalistas). Então a ala esquerda da sociedade encontrava-se extremamente descontente até ao ponto de se sentir vítima do sistema; atualmente é a ala direita da sociedade que se sente descontente e vítima, provocando nos seus extremos reacções de violência que poderiam, com o tempo, vir a igualar a violência da Fração do Exército Vermelho (2) de outrora.

Num país que parece ter a visão geral de tudo, o Governo encontra-se cada vez mais na necessidade de se explicar. O cidadão normal sente-se cada vez mais existencialmente inseguro e sem perspectivas de futuro. Muitos são do parecer que o direito penal se tornou insuficiente na luta contra o extremismo de direita e a julgamentos demasiado laxos na solução do crescimento da delinquência social. 

De facto, com a imigração muçulmana, a Europa já não é a mesma; tornou-se numa Europa de extremos condensados; especialmente para o cidadão europeu, torna-se mais difícil viver nesta EU dividida em duas trincheiras (direita e esquerda), cada vez mais agressivas e fanáticas. A crescente politização do dia a dia envenena as relações e enegrece o horizonte e as perspectivas de vida do cidadão, tornando possível assassínios como este. A sobranceria dos dirigentes e a insatisfação dos desnorteados não possibilitam uma plataforma de interesses comuns. As agressões que antigamente eram compensadas em jogos ou em guerras extramuros são hoje vividas dentro da sociedade numa espécie de guerrilha. No discurso público falta o cultivo de uma tolerância global, uma tolerância de diferentes horizontes e perspectivas e não apenas uma tolerância do politicamente correcto, ou apenas reduzida ao que fomenta a própria ideologia e opinião. Também nos formadores da opinião pública (Media) se pode ver uma certa divisão: os Media considerados sérios como multiplicadores do politicamente correcto (discurso oficial) e os meios virtuais sociais de interesses difusos mais multiplicadores de alegados interesses do cidadão.

Numa época em que o extremismo político se expande, põe-se a questão até que ponto a democracia é capaz de integrar extremistas da direita e da esquerda. O clima político encontra-se em mudança numa sociedade que se sente cada vez mais insegura e em que a política não consegue refelectir nem explicar o próprio agir. Num clima de intolerância recíproca, cada parte considera a outra ilegítima, não concedendo margem para compromissos; passa-se à lei da selva, do “quem pode, pode” e do quem não pode abaixa-se... A politização da linguagem tem concorrido para a rudeza da expressão; a violência normaliza-se, seja de forma velada em palavras polidas ou de forma manifesta em palavras grosseiras que conduzem a actos violentos. Tudo é usado para colocar o adversário na lista negra. Neste ambiente confuso e perturbado, o Estado desleixa o seu dever de proteger o cidadão.

Ser a favor ou contra é um direito democrático, mas existem redes extremistas de direita e redes extremistas de esquerda que não abdicam da violência para impor os seus fins; como não se trata de perpetradores individuais, tanto a ala esquerda como a ala direita da sociedade deveriam analisar as cenas extremistas criticamente numa perspectiva já não de perpetrador único mas de redes organizadas e de ONGs. Há 13.000 extremistas da direita que estariam prontos a usar da violência, na Alemanha de hoje (3).

Na Alemanha é agora bastante criticada a existência do órgão de proteção da Constituição (BfV). Nos Estados torna-se por vezes difícil desmantelar certas redes maléficas porque por razões de Estado, os órgãos de protecção da constituição (Ministério do Interior) bloqueiam o acesso a ficheiros e actas, por espaços de 30, 50, 90 e até 120 anos.

Geralmente são 30 anos de bloqueio a jornalistas e historiadores e de uma maneira geral os documentos secretos das autoridades podem ser vistos depois de 60 anos. A lei alemã permite tais prazos de tempo (casos de espionagem, etc. dizendo para tal tratar-se da protecção dos informantes que correriam perigo, no caso de se tornarem públicos).

A protecção da Constituição em sentido lato refere-se a todas as medidas de consolidação e defesa da Constituição contra insurreições e revoluções, bem como contra outros ataques anticonstitucionais e perturbações constitucionais. Na Alemanha há uma discussão aberta sobre a oportunidade dos órgãos de protecção da constituição, sendo estes, por vezes, vistos, mais como impedimento do que prevenção contra a extrema direita.


© António da Cunha Duarte Justo


 
(2)   Fração do Exército Vermelho: https://de.wikipedia.org/wiki/Rote_Armee_Fraktion
(3)   O Terrorismo tem vindo a aumentar: https://antonio-justo.eu/?p=4963

sábado, 15 de junho de 2019

O DILEMA DA ALEMANHA É O IMPASSE DA UNIÃO EUROPEIA

Paradoxo do Centralismo francês versus Federalismo germânico

Por António Justo
O dilema da EU resume-se no confronto de dois sistemas de organização político-administrativa e na dualidade de interesses de uma Alemanha que é demasiado grande para ser só nação e demasiado pequena para ser império! A Alemanha como fulcro da Europa teria de estar, por natureza, virada para leste (Rússia) e para o ocidente (países latinos), o que implicaria a consequente implementação dos seus interesses económicos nos dois sentidos e consequentemente uma desquitação europeia dos EUA, o que inquietaria a França e outros países da EU. Devido à sua situação geográfica e social-histórica, a Alemanha, a longo prazo, não poderá deixar de oscilar entre o expandir da sua influência no sentido do Leste e no sentido do ocidente (e sul), o que constitui problema para uma França (A mudança da Capital de Bonn para Berlim é também consequência da sua resposta à fidelidade histórica). Um outro aspecto que, no meu entender, a opinião pública publicada tem menosprezado é o facto de a Alemanha resumir federalmente nela a grande ideia europeia de Carlos Magno, “o pai da Europa”. A Alemanha federal já realizou de maneira exemplar o caminho que a EU terá de realizar, não por convicção, mas por força das circunstâncias económica e estratégicas mundiais (o afirmar-se de novas constelações concorrentes, como China e grupos supranacionais).  

A atual filosofia centralista de Bruxelas corresponde a uma violação dos seus interesses e do seu génio pois quer amarrá-la definitivamente aos romanos e por outro lado despreza os processos de desenvolvimento da independência histórica das diversas soberanias europeias. 

Os países latinos de pensamento mais abstrato e centralista não estão dispostos a aceitar a realidade da influência económica germânica nem a compreender a dicotomia dos interesses de um país forte no centro e norte da Europa.  A União Europeia, fora de sentimentalismos bairristas, para ser construída com os pés na terra, terá de ser construída a partir da Alemanha e para já no sentido de uma confederação de Estados.
 
O Brexit é um aviso e terá de constituir para a Alemanha, um grande momento de reflexão crítica sobre o constructo da EU até agora artificialmente produzido. Consequentemente, a EU que temos, precisa de uma substancial remodelação a nível de concepção e de modelo de realização (repensar a organização política de vários Estados num „Estado federal" que, a nível internacional, perdem autonomia, porque as constituições estatais se teriam de subjugar a uma constituição central). De considerar que o que hoje a inteligência não vê, amanhã a necessidade obrigará.

Trump que joga com dilema germânico, que se torna também no dilema da Europa, tenta cativar o Reino Unido no sentido do império anglófono e ao mesmo tempo enfraquecer a Europa, debilitando a Rússia, com o aumento da presença militar da NATO na sua fronteira e com a implementação de sanções económicas. De notar também a agressividade do governo dos USA contra o actual empreendimento russo-alemão de construir um gasoduto entre os dois países. As guerras são sempre de base económica e ideológica no sentido de formar hegemonias…

 O problema alemão não resolvido historicamente será o de se decidir por expandir no sentido leste ou oeste. Os USA e a França farão tudo por tudo para que a Alemanha se vincule exclusivamente ao Ocidente europeu. Forçar a Rússia a unir-se à China constituirá, porém, um erro europeu histórico que adiarão o natural processo de desenvolvimento e definição europeia.

A EU tem de arredar caminho na sua estratégia de desautorizar nações membros e de se armar em juiz sobre os países a ponto de os humilhar, como tem acontecido a membros que se manifestam ainda adolescentes nas suas atitudes e exigências. A estratégia de fomentar oposições ou de se castigar grupos rebeldes num país membro corresponde a uma estratégia de guerra e não de paz, ao contrário do que pretende defender com a criação da EU como espaço de paz. A Europa, atendendo à sua História e à história dos diferentes países, está vocacionada a tornar-se antes numa confederação de Estados e não primeiramente numa apressada federação em que estes teriam consequentemente de renunciar à sua soberania, historicamente alcançada depois de muitos séculos de lutas.

O Presidente francês Emmanuel Macron disse na TV suíça (11.06.2019) que daria o seu voto a Ângela Merkel para Presidente da Comissão Europeia, embora a chanceler alemã tenha já excluído essa hipótese. Mácron disse aí que a “Europa precisa de personalidades fortes que tenham uma credibilidade e competência pessoal para preencher as posições” (Talvez sob esta proposta se encontre a esperança de uma mulher germânica amarrar mais a Alemanha aos interesses da Europa do Sul!). A concretização dessa proposta resolveria o empasse da escolha em via para tal posto, mas não resolveria a questão de fundo da EU. A questão a resolver será a de transformar o constructo EU numa instituição orgânica europeia. O Povo a acordar não quer que Zeus desvie a Europa para fora dela… Segundo a mitologia grega a Europa era uma princesa fenícia que deu o nome ao continente Europeu. O Deus Zeus apaixonou-se por ela e para passar desapercebido aos ciúmes de sua mulher transformou-se num touro misturando-se nos reses de touros do pai de Europa e como era brilhante e manso seduziu a princesa Europa, que ao colocar-se no seu dorso se viu transportada rapidamente para Creta onde desfrutou dela, abandonando-a mais tarde. 

Nos últimos 70 anos, o crescimento económico tem garantido a Europa pacífica… agora que “outros valores mais altos se levantam” como a (China) e em que o povo se começa a intrometer no processo da EU instam grandes transformações. Um aparelho burocrático a que falta a alma (povo), se não arrepia caminho, corre, cada vez mais o perigo de se transformar numa ilusão…

O centralismo exagerado foi o coveiro de grandes civilizações. O que está em jogo na EU é a velha luta europeia entre o centralismo francês e o federalismo germânico e entre a hegemonia americana na Europa e uma Europa que possa olhar de olhos nos olhos os EUA, além da falta de realismo de que grande parte da Rússia é europeia (ao contrário de uma Turquia que já o foi e cujo movente é puramente económico). 

A experiência feita dos nacionalismos como fonte de guerra e o seu ressurgimento atemoriza muitos bons pensantes europeus (de momento, porém, tais movimentos não expressam mais que a necessidade de correcções num conceito de EU talvez demasiado capitalista-socialista).

 A EU como a Europa encontram-se em contínuo processo de mudança tendo, depois da II Grande Guerra, criado vários laços circunstanciais (1).

A EU tem estado a ser construída em contradição com a dinâmica da formação orgânica das estruturas de um Estado. Daí o Brexit e os movimentos nacionalistas surgentes como sintoma de um problema maior: o da oligarquia burocrática de Bruxelas atrelada a um globalismo liberal anónimo e sem limites. Tem-se feito muito trabalho louvável, mas falta a coesão que lhe daria vida e esta chama-se povo. 

A EU tem de ser refeita; o permanente estado de crise de Bruxelas vem principalmente do facto de os seus actores terem querido fazer do cume da pirâmide a sua base ao ignorar povo e a tradição. A oligarquia transforma-se assim numa espécie de Olimpo longínquo em oposição aos terráqueos. Tudo seria mais fácil se não fossem as duas almas da europa a terem de ser metidas num só corpo (EU): o génio federalista alemão ligado à terra e o génio centralista francês mais um parto de cabeça e por outro o génio católico latino em confronto com o protestantismo nórdico.  

Não admira que o Presidente francês Mácron esteja a avançar com o seu desejo de liderar o discurso sobre a reorganização de uma UE (2) a fim de a modelar no sentido centralista do tipo francês (3); é também compreensível que os alemães se mostrem reservados, embora uma verdadeira União Europeia possa ser mais bem acomodada, posteriormente, num molde federalista à semelhança do alemão. 

A hora dos alemães só chegará depois de alguns erros economicistas e de alguns exageros latinos. Os movimentos nacionalistas, que se encontram de vento em popa apesar das anticampanhas da classe estabelecida nas capitais europeias, são a melhor prova de como tem sido mal encaminhado o discurso sobre a Europa: um discurso demasiadamente orientado no sentido autoritário e autocrático provoca o desrespeito nos relegados a espectadores. A agressão que durante anos se cultivava contra Angela Merkel e o seu Ministro da Economia, nalguns estados latinos, pode considerar-se em parte equivocada ao querer reduzir o espírito alemão ao aspecto económico. 

Objecto de uma discussão séria seria a elaboração de um superestado central ou de uma confederação, e assim se ultrapassar um discurso público reduzido ao economismo. A observação das duas mentalidades pode ser constatada no partido francês de Le Pen que luta no sentido de uma soberania nacionalista centralista e no partido alemão AfD que centra o seu discurso mais num contexto europeu cultural que colmataria numa EU – uma confederação de estados que respeite a gene de uma europa das nações. 

Que seria dos bons se não houvesse os maus e que seria dos maus se não houvesse os piores nem os melhores! Do desprezo recíproco surge a energia alimentadora da guerra que descrita na perspectiva do discurso de uns e dos outros só pretende o bem, o desenvolvimento.

© António da Cunha Duarte Justo
Teólogo e Pedagogo (História e Português)
In Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=5485


(1)      A crise do carvão na França levou a França a aproximar-se da Alemanha em 1950, através da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, considerada por Robert Schuman como a “primeira etapa da federação europeia”, a criação da OECE como resposta ao Plano Marshall (1948), a criação da NATO em 1949 sob gerência dos USA e que culmina no reconhecimento dos USA como a grande potência mundial, relativizando os tradicionais potentados nacionais internacionais vigentes até à primeira guerra mundial).
(2)      ALEMANHA FEDERALISTA CONTRA FRANÇA CENTRALISTA NA REFORMA DA UNIÃO EUROPEIA? https://antonio-justo.eu/?p=5353
(3)      MACRON QUER A REFORMA DA UNIÃO EUROPEIA QUE OS PAÍSES NÓRDICOS NÃO QUEREM https://antonio-justo.eu/?p=4764



sexta-feira, 7 de junho de 2019

DEUSES DO OLIMPO POLÍTICO NA CENSURA DO PENSAMENTO LIVRE


Plataformas YouTube, Twitter e Facebook obrigadas a substituir o Poder judicativo?

António Justo

O Regime político no Papel da “Princesa e a Ervilha”

Na mitologia (o eterno hoje) grega de outrora, no Olimpo, o Deus Júpiter castigou Prometeu por este ter dado o fogo dos deuses à humanidade. 

Como outrora, a posse do fogo constituiu um passo decisivo para o desenvolvimento e independência da humanidade, o acto de Prometeu ter roubado o fogo do Olimpo abria perspectivas para os humanos se tornarem independentes dos deuses e  a sua posse constituía uma ameaça ao poderio dos deuses; consequentemente Prometeu foi severamente punido por eles. Também hoje o acesso do povo ao pensamento livre parece constituir ameaça ao domínio da classe política que, embora de fraco pensamento, quer controlar a opinião e para isso castigar o novo Prometeu (Facebook, YouTube, etc.), vulgarizador de ideias e opiniões.

Hoje os “deuses” do nosso Olimpo político querem proibir-nos de pensar e de expressar o pensamento, com pseudoargumentos que escondem segundas intenções.

Até a ilusão do fraco povo de desejar pensar por cabeça própria é percebida como ameaça por parte de uma elite débil tão encarneirada nas filas do mainstream, como o povo que dirige.

Os detentores do domínio político, em vez de se dedicarem a uma melhor democratização da economia e da informação, não suportam a democratização do pensamento, arranjando para isso motivos falsos para censurarem as opiniões expostas. Naturalmente que há gente mal-educada que abusa desses meios virtuais tal como a classe dirigente abusa dos Media; também a manifestação emocional popular, muitas vezes, é injusta, mas para isso há leis para castigar os infractores e a elite não precisa de reagir como a Princesa deitada sobre a Ervilha! 

As Plataformas YouTube e Facebook estão a ceder à pressão da política no sentido de censurarem previamente mensagens a postar. A “clerezia” e “fiéis” do politicamente correcto querem aos utilizadores menos felizardos lhes seja permitida uma expressão de indignação educada em seu favor, como se não houvesse leis para castigar os infractores. Pode considerar-se sintomática a reacção imediata da plataforma YouTube à influência que o YouTuber Rezo teve no desfecho das eleições na Alemanha em desfavor da CDU.

O Ódio e a má-educação nos meios digitais sociais

A procura de influência é cada vez mais agressiva numa sociedade de concorrência de interesses cada vez mais repartidos. Trata-se de Poder! Assiste-se à radicalização da linguagem política, à falta de nível, por nos encontrarmos cada vez mais distantes das convenções culturais e a responsabilidade social parecer estar a tornar-se numa palavra estranha.

Também é verdade que uma só pessoa, o jovem youtuber Rezo (1), à última hora, conseguiu influenciar as eleições na Alemanha em desfavor de Ângela Merkel. Isto não legitima, porém, o medo exagerado perante os influenciadores que usam da polarização e da emocionalização, para conseguirem o aplauso de pessoas não preparadas.

A intenção agora declarada pela plataforma YouTube (5.06.2019) é impedir “extremismo violento” e “proibir e eliminar vídeos que discriminem alguém pela sua idade, raça, cor de pele, religião ou orientação sexual” (2). A religião política de cariz tecnocrata e democrático pretende uma liberdade vigiada por um clericato laico que excomungue do seu reino (Democracia) quem não professar o credo do politicamente correto; para isso estabelece que sejam jogados para fora dos muros da cidade os denominados “islamófobos”, “xenófobos”, “extremistas”, “populistas” enfim, quem não siga o estatuto dos deuses e não professe uma verdade encarneirada.

Numa perspetiva do cidadão, será de pôr a pergunta: Quem discrimina quem? - a criança que berra para ter a sensação de ser ouvida ou o “irmão maior” que tudo quer sob o seu controlo? O propósito dos temas a censurar é de tal modo abrangente que esconde a soberania e arbitrariedade de interpretação em favor da censura e torna-se num criado de políticos que cinicamente querem ser confundidos como defensores da liberdade. Estamos a chegar a um ponto em que a indignação popular chega a ser considerada crime por não corresponder aos interesses de poder de quem dirige. Porque não se recorre ao poder legislativo? A missão de governar é cada vez mais difícil, mas não se pode deixar o comando superior à técnica e suas plataformas.

 À espionagem global através de Google e de outros segue-se a censura globalizada. Naturalmente que tudo o que incita ao ódio, ao assédio, à discriminação e à violência deve ser chamado à responsabilidade e até multado. Para isso há leis e tribunais; doutro modo passamos o foro jurídico da democracia para empresários ao serviço de interesses anónimos. Twitter e Facebook, que foram grandes beneméritos na democratização da informação, estão a tornar-se, devido a pressões políticas e a abusos organizados, em censuradores da liberdade de expressão e a discriminar uns usuários em nome dos interesses de outros!

Os representantes da democracia querem-se legitimar através do povo, mas não parecem querer ser confrontados com a indignação popular desordenada. Cada vez se observa mais que a classe política instalada num Olimpo de deidades intocáveis quer determinar como crime o pensamento não correcto, para tudo o que se encontra abaixo da sua nuvem. É naturalmente necessário prevenir, mas sempre no sentido da defesa da pessoa e da dignidade humana.

Também é de compreender a impaciência dos nossos políticos, em democracias cada vez mais complexas e com ideias à deriva e, como tal, mais difíceis de governar; a democracia sente-se ameaçada e o sistema democrático ocidental encontra-se em rivalidade directa com o sistema ditatorial chinês que se gaba de conseguir mais desenvolvimento, em pouco tempo, do que o que as democracias estão a conseguir agora! Daí não é de admirar que os detentores da democracia se encontrem cada vez mais em apuros e façam dela uma religião!

© António da Cunha Duarte Justo,
In “Pegadas do Tempo”, https://antonio-justo.eu/?p=5471

segunda-feira, 3 de junho de 2019

JÁ SOLUCIONARAM O PROBLEMA “PORTUGAL LIXEIRA”? CLASSE GOVERNANTE COM OUTROS INTERESSES?



A Violação  da Mãe Terra – Portugal importa Lixo altamente poluente da Itália

Na Ásia já há países a exigir o retorno de lixo chinês para a terra onde é produzido. Em Portugal, um país europeu abre as portas aos comerciantes de lixo que enriquecem com a poluição da terra, procurando lugares onde o povo ainda dorme e os governos vivem mais virados para tais boys do que para o interesse do país! O cum quibus das declarações ministeriais revelam a total irresponsabilidade do governo em relação à defesa do ambiente!

Por onde andam os ecologistas?
As empresas em questão serão a Valor-Rib, a Rima e entre outras a CITRI do grupo Sapec em Setubal mas só fazem o que a política lhes proporciona.

Muito lixo na cabeça impede de ver a doença agravante a que a terra está a ser sujeita com tanto lixo a ser produzido e a ser levado para os países mais pobres e em que os políticos são ignorantes ou coniventes.
O governo deveria ocupar-se dos problemas reais e menos da ideologia na cabeça e no sistema!
Portugal importa Lixo altamente poluente da Itália, criando irresponsavelmente problemas para as gerações vindouras. Abusa-se da mãe terra, como se ela fosse apenas objecto para satisfazer devaneios.

António da Cunha Duarte Justo