quarta-feira, 6 de novembro de 2019
terça-feira, 5 de novembro de 2019
DE UMA IGREJA FUNCIONAL PARA UMA IGREJA DE VOLUNTARIADO
Eleições
para a Direcção paroquial
Tal como comunica o HNA (5.11.2019), no próximo fim de
semana, há eleições para os conselhos paroquiais na diocese de Fulda, Alemanha.
O conselho paroquial dirige a paróquia juntamente com o
pároco e os agentes de pastoral da comunidade. O Conselho assessora questões pastorais
e actividades da comunidade, coordena o trabalho voluntário e molda a vida da
comunidade. Junto ao conselho paroquial
há também o conselho de administração que se ocupa das questões financeiras.
Eleitores são todos os católicos com residência na
paróquia. Também crianças e jovens têm direito a voto. Para menores de 16 anos,
os pais exercem, em seu lugar, o seu direito de voto. A comunidade pode eleger
entre 6 e 15 membros candidatos, conforme a dimensão da paróquia.
Seria de desejar que nas listas de cada comunidade
paroquial haja 50% mais candidatos do que os lugares a serem
eleitos no boletim de voto, doutro modo os eleitores não têm propriamente escolha.
A participação nas últimas eleições de uma paróquia de
Kassel foi de 12%; geralmente votam os que vêm à missa (hora de eleições). Há, no entanto, a possibilidade de votação por
correspondência.
Os conselhos paroquiais, nesta “legislatura „têm muitos
problemas a resolver porque nos próximos anos as paróquias do bispado de Fulda
devem ser reduzidas a um quarto das atuais existentes e também nisto tem a
comunidade uma importante palavra a dizer2, como diz o pároco Harald Fisher que
acrescenta: „Estamos a caminho da Igreja Funcional para a Igreja do
Voluntariado", pelo que o conselho paroquial terá de assumir ainda mais
responsabilidade na respectiva comunidade.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do tempo, https://antonio-justo.eu/?p=5679
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
ADMINISTRADORES INFIÉIS QUEREM MAIS PRIVILÉGIOS PARA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Políticos fracos em vez de se preocuparem em fazer boa política para o país, procuram
assegurar a sua clientela concedendo privilégios aos funcionários do Estado. O
“Público” diz que a ministra da Administração Pública quer facilitar a
pré-reforma a funcionários do Estado que
não faltem ao trabalho, para deste modo impedir a falta de moral laborar em
muitos empregados públicos.
Não têm os funcionários estatais um
dever especial para com o Estado?
Incentivos para o cumprimento do dever
conseguidos à custa do dinheiro do contribuinte não deveria ser medida aceite,
também porque prejudica a imagem de um Governo que tende a beneficiar os trabalhadores do
Estado em relação aos outros para melhor se colar ao Estado. Já não chegam as
35 horas de trabalho para o serviço público, quando no privado são quarenta?
A
medida da redução das 40 para 35 horas foi partidária, antinacional e de
consequências muito graves para um Estado deficitário com um PNB inferior ao
PIB.
Portugal anestesiado
A
política do dinheiro barato que favorece devedores e castiga poupadores, foi
iniciada por Draghi (BCE) para salvar o Euro e com ele os países de fraca
produtividade; impediu assim, por um lado, grandes crises político-sociais nos
países do Sul , mas, por outro lado, em países como Portugal, a classe
governante em vez de se aproveitar da situação do dinheiro barato e da compra
de dívidas soberanas, para se dedicar responsavelmente ao desenvolvimento
económico do país e desembargar o futuro das gerações jovens, o governo,
iludiu o povo com a abundância do dinheiro fortalecido e vindo de fora,
apresentando-se como grande benemérito, quando essa abundância é meramente
artificial e sem o mínimo mérito; por outro lado o governo como não
investe na produção vinga-se no operariado mantendo os ordenados muito baixos
para poder compensar a não produtividade com o trabalho barato o único factor
que favorece a competitividade portuguesa a nível de comercialização de bens a
nível internacional (O outro factor é o turismo e as remessas dos emigrantes).
A desinformação do público português, na sua generalidade, criou uma atmosfera
de país anestesiado. Esta fraude a um operariado português desatento não foi
notada por este. A irresponsabilidade governamental da Geringonça a ser
continuada no novo governo de António Costa, será desmascarada em pouco tempo,
porque na segunda legislatura o povo desatento começará a sentir as falhas da
primeira.
Isto
até dá a impressão que trabalho é coisa estranha para os nossos governantes e
os leva a serem maus administradores!
A respeito destas coisas, o evangelhista Lucas (16:1/8) refere a parábola
de Jesus em relação ao administrador infie: “ Um homem rico tinha um
administrador que foi denunciado por estar dissipando os seus bens. Mandou
chamá-lo e disse-lhe: Que é isso que ouço dizer de ti? Presta contas da tua
administração, pois já não podes ser administrador! O administrador então
reflectiu: Que farei, uma vez que meu senhor me retire a administração? Cavar?
Não posso. Mendigar? Tenho vergonha… Já sei o que vou fazer para que, uma vez
afastado da administração, tenha quem me receba na própria casa.
Convocou então os devedores do seu senhor
um a um, e disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor? Cem barris de óleo, respondeu ele. Disse
então: Toma tua conta, senta-te e escreve depressa cinquenta. Depois, disse a outro: E tu, quanto deves? –
Cem medidas de trigo, respondeu. Ele disse: Toma tua conta e escreve oitenta.
E o
senhor louvou o administrador desonesto por ter agido com prudência. Pois os
filhos deste século são mais prudentes com sua geração do que os filhos da luz”.
António da Cunha Duarte Justo
In Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=5670
sexta-feira, 1 de novembro de 2019
A ALEMANHA PREPARA-SE PARA A ERA PÓS-ÂNGELA MERKEL
A Mudança político-social na Alemanha expressa a Mudança em Via na Europa
António Justo
As eleições do Estado federado
Turíngia, na continuação de outras eleições federais, colocaram em xeque-mate
não só os partidos da Coligação como também as tradicionais forças políticas do
arco do poder na Alemanha. Pelo que se observa, a liberdade favorece as margens
partidárias e abandona o centro.
O partido Esquerda ganhou as eleições na Turíngia (antiga Alemanha
Oriental) com 31,0 % (29 assentos num parlamento de 90 deputados), AfD 23,4 %
(22 assentos, duplicando o seu resultado de 2014); a CDU 21,8% (21 assentos,
menos 11,7 %), SPD 8,2%, (oito assentos), os Verdes 5,2 % (cinco assentos); o
FDP 5,0% ( cinco assentos, cinco votos fizeram com que o partido entrasse no
Parlamento; restantes partidos 5,4% . A maioria absoluta é de 46 lugares.
Do meio da sociedade alemã surge um clamor que faz lembrar um toque a
finados anunciador da era pós-Merkel e do poder político europeu classicamente
disputado e repartido entre os partidos populares do centro da esquerda e da
direita.
Chanceler Merkel conseguiu com a coligação CDU/CSU-SPD fortalecer a força
económica da Alemanha. Mas, com a sua
teimosia em matéria de política de refugiados (política das portas abertas à
imigração muçulmana e do norte de África) e de política energética (pôr termo
agendado às centrais nucleares e às centrais do carvão) embora conseguisse também
o aplauso dos Verdes e da esquerda em geral, desestabilizou a sociedade
centrista alemã e em parte a política europeia (A política dos refugiados
desestabiliza toda a Europa e as relações entre os membros da EU (O Brexit
também tem explicações neste contexto; a difamação da Polónia que conseguiu integrar
um milhão de ucranianos também).
A Grande Coligação do Governo de Merkel criou prosperidade, mas em vez de
reagir às exigências da maioria do povo que representava limitou-se a criticar
o surgir de um AfD que provem do seu eleitorado. Não chega a demonização da AfD, a força de uns é a fraqueza dos outros.
Importante seria a discussão política de quem tem as melhores ideias.
Enquanto os partidos do poder se concentram em torno do monotema clima, e a
AfD se ocupa do monotema imigração muçulmana, a sociedade reagirá. As medidas
para redução do CO2 fazem-se sentir na carteira de cada um e a criminalidade sobretudo
de estrangeiros parece tornar-se normal na sociedade. Não admira que o AfD
surja como novo “partido do povo”, em oposição ao estabelecimento.
A nova força, a estabelecer-se como novo centro parece querer dar resposta
a exigências de revisão de políticas, as mesmas que estão na base da eleição de
Trump nos EUA. O AfD movimentou muito dos cidadãos não eleitores pela razão do
buraco existente criado pela Grande coligação governamental (Groko) que segue
uma política tida por muitos como demasiado verde e vermelha.
O AfD perfilou-se como verdadeira
oposição, apontando também para problemas por resolver e que são o controlo das
fronteiras, a imigração em massa, Estado de direito condescendente com Erdogan,
segurança interna, islão, autonomia monetária, identidade nacional e a
Expropriação da classe média pela taxa de juro zero na zona Euro.
Embora na Turíngia tenham ganhado os polos (Esquerda e AfD), resumindo,
pode-se dizer que venceu a democracia; o cidadão encontra-se mais politizado
começando a haver mais mistura de cores. O povo sente-se submerso, não
representado, e quer ver a coisa pública nas próprias mãos; é o começo de
autoconfiança. Não é fácil governar uma sociedade do bem-estar e igualitária,
dado também ela concorrer para a divisão de pessoas e grupos.
A esquerda de Bado Ramelow poderia constituir governo com a CDU, mas esta
tem medo que lhe aconteça como tem acontecido ao SPD em plena derrocada. Por
isso se levantam na CDU as vozes conservadoras que não aceitam fazer coligação
com uma esquerda socialista que não se distancie do ideário dos pais do
socialismo. No futuro, também estes
antagonismos políticos deixarão de constituir impedimento de coligações
governamentais; é apenas uma questão de tempo.
A discussão em vez de se dar em tabus e ataques dogmáticos gerais deveria
passar a uma discussão de quem tem as melhores ideias, com debates racionais e
com espaço para compromissos. O povo bem diz : “o compromisso é a cola da
democracia”. Se os partidos do arco do poder pretenderem manter-se nele terão
de investir mais no cidadão, pois a sociedade civil será a chave para o futuro.
Censurar como o fazem aqueles que lucram com o poder estabelecido, e como
aqueles que se expressam como se fossem os senhores da democracia e da verdade
não ajuda ao desenvolvimento. Estamos em tempos de mudança; aqueles que ainda
não notaram isso já perderam.
Se a CDU e o SPD quiserem voltar aos gloriosos tempos do passado terão de
ouvir o povo que nesta época anseia por fronteiras não tão escancaradas.
António da Cunha Duarte Justo
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