sábado, 7 de fevereiro de 2026

QUANDO SE JUNTA A ESQUERDA E A DIREITA EM LUTA CONTRA A POBREZA?

No coração da sociedade lateja a úlcera de uma pobreza que problematiza  a democracia portuguesa

 

Em 2025, cerca de 1,995 milhões de portugueses encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social, o que corresponde a 18,6% da população, menos 1,1 pontos percentuais do que no ano anterior. A taxa de privação material e social desceu para 10,2%, embora quase três em cada dez pessoas continuem sem capacidade para suportar uma despesa inesperada, enfrentando a angústia diária de não conseguir viver com dignidade.

Os rostos desta emergência expressam-se sobretudo nas crianças que crescem em agregados familiares onde por vezes menos de 422 euros têm de chegar para um mês inteiro; são os idosos, com 23,8% dos maiores de 65 anos em risco; são as mulheres, que representam 56% das pessoas em situação de pobreza. São, ainda, os trabalhadores pobres, um dado que desmonta um dos pilares da nossa convicção social: quase metade (49,3%) dos adultos pobres estão empregados, mas o trabalho, afinal, já não garante, por si só, a libertação da miséria. O limiar de pobreza (2025) é quem vive com menos de 632€/mês (ou cerca de 700€ segundo outras fontes baseadas em 2025)...

As despesas médias familiares rondam os 2.900 euros, mas milhões sobrevivem com entre 1.200 e 2.000 euros, dependendo do lugar do país onde calhou nascer... (Naturalmente nas médias têm muito peso tanto os ordenados como os gastos das populações com estatuto económico mais relevante).

A distribuição de riqueza mundial é uma fotografia da injustiça: 1,6% da população detém quase 48% da riqueza global, enquanto os 40% mais pobres partilham 0,6%....

Há, pois, uma contradição democrática gritante. Proclama-se que a terra e os seus frutos são para todos, mas constrói-se uma sociedade onde a escadaria social tem degraus partidos. Chega-se a ter a impressão que em política cada um trata apenas da "sua vidinha", preso a ciclos eleitorais curtos e a debates estéreis? Não se pede uma equalização forçada e irrealista de todas as condições. Pede-se honra, coerência e coragem de Portugal longe das contendas entre as potências deixar de contribuir para guerras geopolíticas resultantes da ganância das potências.

Por isso, a pergunta que se impõe não é partidária, é civilizacional: Quando é que a esquerda e a direita se juntam numa verdadeira "guerra santa" contra a pobreza?...

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10751

 

 

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