O Cardeal Robert Sarah, numa lectio magistralis no Parlamento Europeu, em Bruxelas, apelou a que as palavras «homem», «mulher» e «família» sejam reconhecidas como realidades ontológicas e não como construções sociais manipuláveis. Durante a intervenção, o purpurado guineano classificou a ideologia de género e o fundamentalismo islâmico como «duas bestas apocalípticas» que ameaçam a dignidade humana.
Sarah centrou a sua reflexão naquilo que designou como uma «crise do logos» (da razão e da linguagem), argumentando que as instituições europeias utilizam uma semântica ambígua, como «saúde sexual e reprodutiva» ou «igualdade de género», para impor, através de tratados e ajudas financeiras, políticas contrárias à visão antropológica africana, num autêntico neocolonialismo cultural e económico. O cardeal alertou que quem controla o significado das palavras controla o resultado das negociações, sem que a outra parte se aperceba.
Para sustentar a sua tese, Sarah articulou o magistério de três Papas: Bento XVI (sobre a razão e o direito natural), Francisco (sobre a «colonização ideológica» e a defesa da família) e Leão XIV (sobre a necessidade de palavras que expressem realidades certas e unívocas). Denunciou ainda o que chamou de «sistema de três níveis» de condicionalidade, normativo (resoluções da UE sobre aborto e políticas LGBT+), jurídico-convencional (Acordo de Samoa) e financeiro (instrumento NDICI de 200 mil milhões de euros), citando o caso do Uganda como exemplo claro de pressão externa para alterar a legislação soberana de um país.
A nível educativo, criticou a imposição de uma visão gender-transformative que ensina as crianças a considerar a identidade sexual como fluida e desligada do corpo. Por fim, Sarah apelou a que a União Europeia faça um exame de consciência: «Escutem África. Respeitem a soberania cultural», oferecendo uma cooperação livre de agendas ideológicas, e lembrou que o continente africano, com a sua fé viva e o seu sentido de família, pode ajudar o Ocidente cansado a reencontrar o seu próprio logos.
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António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=11185


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