sábado, 23 de abril de 2011

25 de Abril uma Estação na Via popular

25 de Abril uma Estação na Via popular
O Povo a acordar é Inverno a passar

António Justo
Um ar de Abril assome às ruas da nação
Num misto de vozes, gestos e cores, o povo unido
Marcha em filas ao ritmo da canção
Do quartel militar prás casernas do partido


“O povo unido jamais será vencido”…, gritava a cidade ao ritmo da marcha. ” Grândola Vila Morena…” cantava o povo que, por momentos, descobria as cores da vida nos passos da liberdade ao ritmo ordenado da canção. A alegria da união dançava nos corações. Era o Portugal colorido a vibrar.

No campo da pátria cheirava a Abril e as cores do arco-íris deslizavam, despreocupadas, pelas ruas. Era festa, a festa do povo a florir em cravos, rosas e papoilas. Um fluir de cores e vozes a acenar na pátria em flor. Por um momento, se acaba a noite; a esperança acorda; no alfobre do povo, brilha o dia.

O vermelho escuro, do sangue derramado no ultramar, ressurge e corre agora nos cravos das ruas a acenar. A vida pula na praça a cantar. Um misto de vozes e ritmos de paradas e de marchas populares ressoa cavo nos altos das colinas da cidade. É o sentimento de cores e vozes das ruas baixas nos altos a ecoar.

Quem gritava, cantava e acenava, aspirava a tornar-se povo mas o ritmo dos altos altifalantes “revolucionários” só conhecia população a acomodar!

Depressa o entardecer bate à porta do povo. O dia sem noite findou. A diferença voltou! Ao longe, logo se ouvem os clarinetes do toque a recolher às casernas dos partidos. A liberdade fica agora apiada ao ritmo da marcha dos partidos. No arame farpado do pensamento, o povo dividido, canta já desafinado. O dia acabou. É hora de recolher.

Nos andores dos revolucionários de Abril continuam a passar figuras de sorriso redondo a insuflar-se do sorriso e da ária duma população a definhar num gesto sonolento e amarelo. A foicinha da revolução ceifou-lhe as cores. Portugal de farda parda. O povo veste agora a cor do momento.

Os zangados de ontem tornaram-se nos contentes de hoje! À custa de novas zangas, novas opressões.

Mudar de filas, é ordem do dia, é a ordem da revolução! No andor da televisão, só os contentes acenam a sua cor, que não o colorido da nação. Continuam a fita do corta fitas na finta à nação.

O sol de Abril perdeu-se no nevoeiro da estação. A colonização, lá fora, acabou, mas, cá dentro, há muito que começou.

Portugal empardecido, na m- -da
A marcar passo, à direita e à esquerda,
Um povo a alinhar-se, sem contemplação,
No sentido da contra-revolução!

Tu, meu 25 de Abril
Meu filho incógnito
Já ninguém te quer
Tu, 25 de Abril,
Festa da fraternidade
Tu, meu Portugal, por fazer

António da Cunha Duarte Justo

antoniocunhajusto@googlemail.com
www.antonio-justo.eu

2 comentários:

Anónimo disse...

25 de Abril, sempre, dizia-se. em 1974
Vasco Amigo, o povo está contigo
Força Vasco, nós seremos as muralhas de aço,
Liberdade sim, fascismo, não!”
Na comunicação social só se ouvia a gaivota voava, voava
asas de vento, coração de mar, como ela somos livres, somos livres de voar,
uma papoila cresci, crescia, grito vermelho, num campo qualquer, como ela somos livres de crescer
uma criança dizia, dizia, quando for grande não quero combater, como ela somos livres de dizer

E agora depois destes anos, acham que ainda é necessário, dizer, 25 de Abril, sempre?
Paz, paão, educação, quando houver?
ò Agostinho, ó Agustinha, isto é que vai uma crise, para a gente?
1980, Sababadu, tão actual e foi à tanto tempo!
que pena, que o desemprego aumente, o pão não é igual para todos depois de tantos anos Abril, será ainda uma ilusão, um sonho?
Ernestina Matos

António da Cunha Duarte Justo disse...

Obrigado Tininha pelas referências de slogans da altura.

Seria interessante fazer uma resenha de todos os gritos de ordem da altura, de todas as palavras de marcha e movimentação transmitidas nos media e entre o povo.