sexta-feira, 24 de junho de 2016

REINO UNIDO DESUNIDO FLEXIBILIZA A EUROPA


Por António Justo
Os britânicos disputaram entre si, os europeus tremeram e os órgãos de decisão em Bruxelas começam a acordar. Resultado do referendo: 51,9% pelo Brexit e 48,1% pela permanência na EU. 

Quem mais contribuiu para este resultado foi a vontade da UE querer impor quotas de refugiados ao Reino Unido e pretender obrigar o país a tratar os imigrantes da UE como trata os próprios nacionais, além de velhas facturas em aberto entre a velha europa e a velha Grã-Bretanha. 

A Libra desvaloriza-se e deste modo diminuirá a atracção de imigrantes provindos da Zona Euro.
Em Bruxelas, a língua oficial inglês perde a sua força em favor do alemão e do francês e talvez em favor de línguas internacionais como o português e o espanhol. 

A UE tornar-se-á ainda mais dependente da Alemanha que embora perdendo a companheira de luta Grã-Bretanha na defesa do liberalismo económico americano; a Alemanha sentir-se-á, por outro lado, mais influente no sentido de defender uma UE forte com um Euro forte; terá como opositor a europa latina com a França à frente. A força da economia dá porém razão à Alemanha e não ao sul, porque esta como potência económica, pode com os Estados Unidos e com a China forçar as economias menos competitivas. As forças empenhadas na construção de uma Europa das duas velocidades ganharão mais peso.

Os movimentos de regionalização e de federalização na Europa receberão maior impulso na Espanha (Galiza, Catalunha e país basco) e no Reino Unido também. 

As relações da federação, no Reino Unido, entre Irlanda do Norte, Escócia, Gales e Gibraltar obrigarão a coligações e a formulação de interesses contraditórios. A Irlanda e a Escócia que querem a UE têm novos trunfos. E o caso do Gibraltar em certo modo também.

O referendo mostra um Reino Unido dividido em dois blocos e em regiões contraentes! Um exemplo concreto de uma UE em que uns resmungam e outros aplaudem. 

Os movimentos nacionalistas ganham mais força porque a direita militante e a esquerda militante embora contraditórias se unem contra o projecto EU. 

Tornar-se-ão os britânicos os mentores da Europa, a partir das ilhas?

Nos próximos dias 28 e 29 de Junho realizar-se-á uma cimeira dos Estados membros em Bruxelas.

A UE não pode permanecer como era, doutro modo seguir-se-ão outras desistências iniciadas pela exigência de referendos noutros estados membros.
António da Cunha Duarte Justo

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