sábado, 7 de maio de 2022

EMBAIXADAS UCRANIANAS TRANSFORMADAS EM AGÊNCIAS DE PROPAGANDA?

A embaixada Ucraniana discrimina os próprios cidadãos procurando distingui-los em ucranianos e russos quando a interculturalidade se encontra na Ucrânia de mistura. Uns e outros são vítimas da violência e da guerra.

Também em Portugal, a Embaixada Ucraniana está a revelar-se como divisionista, de espírito nacionalista pidesco ao avisar publicamente que há associações pró-russas como se o seu povo fosse homogéneo quando 20% dos cidadãos ucranianos são de tradição russa (dos 45 milhões de ucranianos 32 milhões têm ucraniano como língua materna). Será que querem perseguir os próprios cidadãos como é praxe ucraniana?  A comunidade ucraniana com um grande património russo comum que antes era unida e se distinguia em Portugal pelo trabalho, inteligência e interculturalidade, vê-se agora metida numa campanha política de divisão. A Embaixada não olha a meios para tal e com o apoio de uma associação, consegue intrometer-se até nas questões internas do país como revela o caso de Setúbal e o contencioso contra o partido comunista.

Numa sociedade portuguesa já tensa, devido à política de informação sobre a guerra, está-se a conseguir ucranizar ainda mais a discussão e os sentimentos portugueses também em torno do PCP; escondem assim as suas verdadeiras intenções de difamar parte dos cidadãos ucranianos em Portugal! Aproveitam-se da atmosfera xenofónica espalhada por toda a Europa para fomentar o espírito de intransigência na sociedade portuguesa não só contra o povo russo, mas também intolerância entre os partidos.

Agora a associação do seu agrado “Associação de Refugiados Ucranianos (UAPT) vem dizer que não compreende a razão por que “as organizações não filtram as pessoas que lá trabalham» e, por outro, «como é que Portugal, um país democrático, continua a ter um partido como o PCP». De lembrar que Selensky, no final de 2021 condecorou um dos líderes do batalhão neonazi Azov, e posteriormente proibiu a actividade de 11 partidos políticos, incluindo o maior partido da oposição, acusados de serem pró-russos.

A sua embaixatriz em Portugal imiscui-se em assuntos de administração interna como se deu no problemático caso de Setúbal e de uma associação de ucranianos afecta à Embaixada que vem reclamar que o PCP deveria ser ilegalizado como tinham ilegalizado o comunismo em 2014 aquando do derrube do governo de então e do começa da guerra civil.

 Na manifestação do 25 de Abril a embaixatriz alinhou ao lado do partido Iniciativa Liberal, mostrando-se partidária.

Dá a impressão que querem para Portugal as mesmas relações que reinam na Ucrânia.

Uma batata quente e melindrosa por esclarecer será o envolvimento da embaixada no recrutamento de membros nazis portugueses para o exército ucraniano!

Muito questionável é o facto de parte da sociedade portuguesa, em vez de defender a liberdade de o PCP (1) se posicionar, preferir ver o partido alinhado acriticamente à caravana da propaganda de que Selensky é expressão, isto independentemente da empatia que merece o povo sofredor na Ucrânia.

A Embaixada está interessada em apoiar especialmente uma associação nacionalista de pensamento único, o qual alastra cada vez mais pela Europa! A embaixada tenta dividir cidadãos contra cidadãos, à imagem do que aconteceu desde 2013 na Ucrânia. Querem fazer passar a ideia que a luta na Ucrânia é contra o comunismo.

Domina um espírito agressivo assistindo-se a um espírito ademocrático de intolerância como se pode observar em atitudes extremistas contra o PCP e contra o Chega! O espírito dos que agora atacam o PCP é o mesmo dos que antes atacavam o CDS e jubilaram quando este deixou de estar na AR.

 A embaixatriz ucraniana (Inna Ohnivets) parece ser do mesmo cariz do seu colega embaixador na Alemanha (Melnyk) que diz “Todos os russos são inimigos”. Divide os ucranianos residentes em Portugal e não respeita a democracia nem hábitos portugueses dispensando-se de cumprir a boa tradição diplomática! Não se pode compreender como gente surgida à sombra de oligarcas ucranianos, como foi o  caso do atual presidente da Ucrânia, se arrogue o direito de atacar partidos da democracia portuguesa e de lhe dar lições.

O governo da Ucrânia tem-se comportado em suas embaixadas com desprezo e falta de diplomacia como se fossem os senhores da Europa exigindo o direito a armas e ajuda para as vítimas, como se as duas coisas não se contradissessem.

Uma preocupação ideológica nacionalista quer afirmar-se com base em ideologias de outros grupos… Abusam de uma imprensa receptiva a tudo o que é contra a Rússia (2) para espalharem insegurança entre a população. O oportunismo está a ganhar foros de cidadania!

Em declarações à SIC Notícias, Pavlo Sadokha referiu que o Alto Comissário para as Migrações ignorou os pedidos da associação para que deixasse de reconhecer como ucranianas organizações pró-russas. Deixo em nota as palavras do Major-general Raul da Cunha (3).

Esta tática divisionista revela-se certamente como uma eficiente estratégia de polémica porque será bem acatada numa sociedade portuguesa demasiadamente virada para a discussão partidária!

É preciso estar-se atentos para que representações diplomáticas e associações não se tornem em agências do nacionalismo seja de quem for (4).

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7417

(1) Os comunistas defendem, em comunicado, que as declarações do líder da associação Refugiados Ucranianos constituem um “nítido e intolerável carácter censório e persecutório que visa todos os democratas e que exige um posicionamento inequívoco dos órgãos de soberania”.   https://www.publico.pt/2022/05/03/politica/noticia/pcp-exige-posicionamento-orgaos-soberania-devido-posicoes-partido-2004761?fbclid=IwAR2g05KjKDYwdNLjV4hcZEY39Zc4xUNgCql_-0aUuGxY4bPTEMfY_7PhKdk

(2) https://www.publico.pt/2022/04/30/sociedade/noticia/ha-varias-associacoes-proputin-acolher-refugiados-acusa-representante-ucranianos-portugal-2004408; https://cnnportugal.iol.pt/russia/embaixada/embaixadora-da-ucrania-teme-pela-seguranca-dos-refugiados-ucranianos-em-portugal-e-alertou-governo-sobre-infiltrados-pro-russos-em-organizacoes-que-os-acolhem/20220408/624f8b2d0cf2f9a86e9d4002

 (3) Palavras do Major-general Raul da Cunha :

"Graças ao nosso governo e a muitos dos meus compatriotas, um fascista ucraniano (ao que parece dirigente de uma associação de refugiados ucranianos) permite-se vir dar ordens ao governo e autarcas portugueses, insultar os partidos políticos portugueses que não são do seu agrado e vomitar o seu ódio ao sistema e vivência democrática no nosso País.

Não percebo porque é que este malfeitor, que abusa da nossa hospitalidade, não é imediatamente expulso de Portugal, ou será que, tal como o hábito de haver dois pesos e duas medidas, que foi implantado no mundo ocidental, só nos indignamos quando os abusadores da nossa tolerância são do Senegal?

E, que dizer das reiteradas manifestações de ingerência da embaixadora da Ucrânia e que constituem uma intolerável afronta ao regime democrático em Portugal? Porque está o nosso PR a permitir os repetidos abusos daquela fulana? Haja quem tenha a dignidade de lhe fazer sentir que o seu comportamento é inaceitável.

Para aqueles que ainda têm dúvidas sobre o carácter fascizante do regime ucraniano e o seu total desrespeito pela democracia e liberdade, estas atitudes, evidenciadas em Portugal, mostram bem o que este miserável regime está a concretizar na Ucrânia, contra o seu próprio povo.

Infelizmente, alguns portugueses, de menor ou falso patriotismo, já se deixaram contaminar e já viraram "bufos" ou denunciantes (e até torcionários seriam) dos portugueses que não se deixaram enganar por aqueles fascistas."

(4) Cheguei há anos a dar emprego a ucranianos que não se punham o problema da sua interculturalidade e eram amigos uns dos outros. Agora que a Embaixada se mete a interferir pretende-se criar a discórdia entre eles para chegarmos às mesmas condições que têm dominado na Ucrânia desde 2014. Antidemocráticos.  Ignoram a representação complementar dos interesses do povo em democracia?

 

DISCÓRDIA ENTRE BERLIM E KIEV

PRESIDENTE DA ALEMANHA CONSIDERADO “PERSONA NON GRATA” E CHANCELER SCHOLZ APELIDADO DE “SALSICHA DE FÍGADO OFENDIDA”

 

A Ucrânia declarou o presidente federal alemão, Frank-Walter Steinmeier, persona non grata, ao recusar aceder ao seu pedido de viajar a Kiev.

O presidente da Ucrânia, Selensky, preferia que fosse o chanceler Scholz a visitar Kiev, para que através da sua peregrinação, à imagem de outros políticos, ficasse comprometido, de maneira a tornar-se parceiro de guerra.

Scholz tem assumido uma atitude ponderada em relação aos propagandistas interessados no envolvimento da Nato na guerra.

Como o chanceler não tem aceitado a pressão feita, o embaixador ucraniano na Alemanha atacou Scholz qualificando-o de “salsicha de fígado ofendida”.

Os representantes da Ucrânia já assumem atitudes arrogantes como se tivessem ganhado a guerra embora pouco mais se mostrem que propagandistas por procuração dos EUA na guerra contra a intervenção russa.

A visita a Kiev simboliza total empenho pela Ucrânia e é símbolo de alinhamento aos interesses dos EUA em dominar a Rússia e uma acedência a uma guerra total contra a Rússia, como é desejo do presidente ucraniano.

Kiev quer apresentar-se como a capital da Europa e da NATO.

Na sociedade civil alemã surgiu grande inquietação perante a arrogância ucraniana, o que levou Selensky a telefonar agora a Steinmeir. Isto no sentido de conseguir, pouco a pouco, poder legitimar perante o povo alemão uma possível saída do embaraço!

Os políticos alemães têm revelado muita paciência com os descarrilamentos do primitivismo da diplomacia ucraniana, por respeito aos USA.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo,  https://antonio-justo.eu/?p=7419

quinta-feira, 5 de maio de 2022

JÁ OUVIU OU VIU ISTO NALGUM NOTICIÁRIO?

Mais de 6.000 sacerdotes e religiosas católicos ficaram na Ucrânia para dar abrigo, comida, curar feridos, sustentar espiritualmente e administrar sacramentos.

Algumas pessoas foram confessar-se pela primeira vez, para estarem preparadas para a morte. Chegam ao ponto de se quererem confessar pelo telefone; mas não é coisa que o padre o possa fazer.

Alguém foi batizar-se antes de ir para a guerra e fez, nesse dia, a sua primeira comunhão.

Milhares de pessoas foram refugiar-se nos terrenos dos seminários de duas cidades e a Igreja acolhe-as, alimenta-as, dá-lhes apoio espiritual e lugar para dormir e para se lavarem.

Um projéctil atingiu a residência do bispo de Kharkiv, mas ninguém se feriu; lá continuam a preparar refeições para levar para duas estações de metro próximas.

Na diocese de Kiev, capital, os supermercados estão vazios; falta pão e água. O bispo auxiliar é responsável por enviar o necessário e até ele próprio ajuda a carregar os veículos nos quais são distribuídos.

Um seminário acolhe cerca de 160 mulheres e crianças e duas escolas católicas tornaram-se dormitórios. Os seminaristas e voluntários atendem.

Mais de mil conventos e casas religiosas (924 na Polónia e 98 na Ucrânia) ajudam refugiados e deslocados pela guerra.

Você não viu nada disto anunciado, porque estas notícias não são dadas nos meios de comunicação.

Pegidist do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7412

POSSÍVEL VIAGEM DO PAPA A MOSCOVO – A NATO FEZ COM QUE O KREMLIN REAGISSE MAL E DESENCADEASSE O CONFLITO

Uma boa Ocasião para os Media começarem a ser mais objectivos nas Informações

Na entrevista ao jornal Corriere della Sera (03.05.2022), o Papa Francisco disse que estava pronto para ir a Moscovo e que quem começou propriamente a guerra foi a NATO: "Penso que antes de ir a Kiev, tenho de ir a Moscovo". Disse que o encontro não serviria exactamente para condenar Putin, porque o verdadeiro "escândalo" da guerra de Putin era "o ladrar da NATO às portas da Rússia", fazendo com que o Kremlin "reagisse erradamente e desencadeasse o conflito"(1).

A viagem de um papa tem sempre um caracter simbólico e como tal o Santo Padre prefere ir primeiro a Moscovo e só depois dar resposta ao convite da Ucrânia! Francisco considera que uma visita a Kiev neste momento é de pouca utilidade para a paz. "Sinto que não devo ir. Primeiro tenho de ir a Moscovo, primeiro tenho de me encontrar com Putin. Mas também sou padre, o que posso fazer? Eu faço o que eu posso. Se Putin abrir a porta."  O Santo Padre já várias vezes tinha condenado claramente a guerra de intervenção.

O chefe da Igreja também culpou a guerra do "comércio" de armas, um "escândalo" com o qual poucos discordariam.  E acrescenta: "Era evidente que as armas estavam a ser testadas ali. Os russos sabem agora que os seus veículos blindados são pouco úteis "e já estão a pensar noutras coisas". As guerras são travadas para testar armas que tenham sido produzidas. Outras citações do Papa no Corriere della Sera em nota (2):

O vaticano já iniciou diligência e enviou a Putin a mensagem de que o Papa estava disposto a ir a Moscou (3).

À pergunta sobre a conversa vídeo que teve com o Patriarca Kirill, Francisco disse ter-lhe respondido: “Irmão, não somos clérigos do estado; não podemos usar a linguagem da política, mas a de Jesus. Somos pastores do mesmo povo santo de Deus.”

Esta intervenção do Papa poderia tornar-se em motivo para que a imprensa passasse a ter mais interesse em livros e investigação do que em armas e propaganda!

De facto, teremos de concluir que nesta guerra, além da dignidade humana, quem mais perderá será a Europa que vai de Lisboa aos Urais. A estratégia militar russa está a falhar, a estratégia dos USA/NATO de construirem um mundo unipolar falhará porque obrigaria a Rússia a unir-se à China e a China terá então oportunidade de invadir também Taiwan! Este medo de virmos a ter uma guerra mundial com dois epicentros (um na Europa e outro na Ásia, poderá levar os USA a não intervirem directamente mas a tentarem prolongar a guerra na Ucrânia para enfraquecerem mais a Rússia à custa da Europa e a aniquilação da Ucrânia. Ainda bem que a NATO não tem folgo para manter uma guerra com dois epicentros porque desta maneira talvez se evite uma guerra nuclear (4).

António da Cunha Duarte Justo

Notas em Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7410

(1)  https://doharoots.com/de/papst-franziskus-sagt-die-nato-habe-den-krieg-in-der-ukraine-begonnen-indem-sie-an-putins-tuer-bellte/ ; https://www.vaticannews.va/de/papst/news/2022-05/papst-franziskus-interview-putin-corriere-della-sera.html

(2)  https://www.ihu.unisinos.br/618223-papa-francisco-putin-nao-para-quero-encontra-lo-em-moscou-agora-nao-irei-a-kiev

(3) O Papa Francisco diz que a Otan parece ter começado o conflito latindo na porta de Putin: https://dutchbullion.de/papst-franziskus-sagt-die-nato-habe-den-krieg-in-der-ukraine-begonnen-indem-sie-putins-tur-anbellte/ 

(4) Ucrânia entre imperialismo russo e ocidental: https://www.triplov.com/letras/Antonio-Justo/2014/ucrania.htm

 

A PAZ SOCIAL DEPENDE DA JUSTIÇA

Pregava o Pe. António Vieira: "Abraçaram-se a justiça e a paz, e foi a justiça a primeira que concorreu para este abraço. Porque não é a justiça que depende da paz (como alguns tomam por escusa) senão a paz da justiça" (Sermão ao Enterro dos Ossos dos Enforcados).

Hoje fumega e cheira a guerra por todo o lado! Os poderosos fazem a guerra e a pequenada é levada atrás dela!

De momento ganha-se a impressão que também na guerra da informação, quem lança os foguetes da guerra para o ar, nos quer ver reduzidos a simples catraios a correr atrás das canas! O brilho dos foguetes da guerra é alucinante e impede-nos de desenvolver estratégias e táticas de paz no sentido de se estabelecer uma justiça equitativa.

A paz pressupõe a libertação do desejo de ganhar que se encontra subjacente ao desejo de mandar. A natureza dotou-nos deste instinto, o problema começa quando nos afirmamaos contra os outros.

A demonização, seja de Putin seja de Biden, é a expressão dos “demónios” em nós!

Paz é serenidade e empenha-se pela estabilidade física e emocional de todos. A paz interior, hoje em perigo,  é como o fundo do mar que suporta as marés e as ondas sem as extinguir!

Um bom dia de paz da justiça para todos

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7414

segunda-feira, 2 de maio de 2022

UM SOCO NA CARA!

Nesta guerra plurifacetada parece assistirmos a um jogo de ping-pong!

Moscovo está a considerar confiscar os bens de empresários de "países hostis" como resposta ao anúncio dos EUA de que irão transferir para a Ucrânia os bens confiscados aos oligarcas russos, escreveu o presidente do Parlamento, Vyacheslav Volodin.

Encontramo-nos em desespero pacífico e comportamo-nos todos como se estivéssemos sob anestesia com uma autoconfiança infundada. A propaganda de ambos os lados sofre de bloqueio de pensamento sem considerar a realidade dos interesses polares para possibilitar identificação num dos polos mentais com se houvesse um mundo sem polos, uma realidade unipolar.

Esta guerra não é entre a ideologia da esquerda ou da direita, é uma guerra a favor de imperialistas que se querem afirmar.

Há uma perda de realidade e por isso é difícil estar plenamente informado, porque a guerra polariza os jornais e as pessoas. Vai-se tendo a impressão que o melhor é evitar especialmente debates conduzidos por políticos ou pelos principais meios de comunicação. Por isso os que se concentram apenas em coisas que podem influenciar pessoal e diretamente podem ser um exemplo para todos nós.

Há um ditado de clubes de boxe (Mike Tyson) que diz "Todo mundo tem um plano - até levar um soco na cara!". É natural que lançar tons pacifistas é bom até para se ir criando consciência no sentido da paz. A realidade política económica e militar é bem diferente como se pode verificar pela declaração do Ministério da Defesa alemã: "Não vendemos armas para países em conflito"…

Apesar de tudo, depois de se apanhar um soco na cara poderemos estar certos que passaremos a reagir intuitivamente de maneira certa. Quando penso em tudo isto, vem-me, por vezes, à ideia que desperdiço preciosas horas de vida, ao constatar a realidade que rege o mundo e que nele há muita gente exclusivamente interessada em ideologia, domínio e violência!

A História ensina-nos que a razão permanece do lado de quem luta e deixa de lado os peões e os pacifistas! Não quero vencer, apenas quero lutar pela vida porque a vida é o prémio da luta!

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7404

 

 

domingo, 1 de maio de 2022

1° DE MAIO – O DIA DO TRABALHADOR E NALGUNS PAÍSES TAMBÉM O DIA DA MÃE

 Trabalho é um Direito e mais que uma Obrigação

 

Trabalho é também uma forma de valorização e de emancipação social. O facto de este ano se festejarem o dia do Trabalhador e da Mãe juntos (por calhar no primeiro domingo de maios) ganha um sentido especial atendendo a que a sociedade se tem aproveitado injustamente do trabalho dasmães sem as recompensar!

A luta dos trabalhadores conseguiu restituir-lhes mais dignidade na sua maneira de estar em sociedade. Também o trabalho formal foi o que, socialmente, proporcionou às mulheres independência económica a nível familiar, de maneira a equilibrar a distância entre homem e mulher! Essa distância era marcante pelo facto de a sociedade fazer discriminação entre as diferentes formas de trabalho! Na jerarquia social, a forma de trabalho ainda se revela como configuração determinante de diferenciação.

Com o home office, as discussões sobre horário de trabalho tendem a acabar. Passa-se a ter mais independência que reverte no bem da empresa devido à disponibilidade constante dos trabalhadores. Muitos dos custos da empresa são transferidos para a casa dos empregados.

Os sindicatos para não perderem significado nem sentido terão de conceber uma nova arquitetura de segurança para o trabalhador; esta terá de alargar o seu âmbito de acção também para os trabalhadores não filiados, porque se torna cada vez mais urgente lutar pela justiça distributiva. Uma sociedade escravizada à moeda que cada vez produz mais oligarcas (reinado dos poucos, numa cumplicidade entre riqueza e política) e mais plutocratas (reinado dos super-ricos à margem ou acima da lei) terá de controlar o mundo financeiro que pertence aos juguladores do dinheiro!

A discriminação, na sociedade ocidental, tem sido fortificada pela herança grega que fazia depender a dignidade humana da “dignidade” atribuída ao trabalho e não à pessoa! Na mentalidade grega o trabalho físico era algo inferior destinado aos escravos e mais tarde aos servos, criados, etc. (Os filósofos, membros de famílias abastadas, podiam dedicar-se ao “ócio” produtivo na consciência de que saber é poder!).

Na era cristã afirmou-se a filosofia do “ora et labora” (trabalho também é rezar) dando-se, deste modo uma valorização humana e social ao trabalho! Nesta ordem de ideias, trabalho é parte da realização humana participante da actividade divina e tão digno como a oração; segundo o princípio cristão a pessoa é que dá dignidade ao trabalho e não o trabalho à pessoa.  O princípio básico da regra beneditina (ano 529) que, na sua maneira de viver, estruturava o seu dia segundo a divisa "Rezar, trabalhar e ler" influenciou o desenvolvimento de uma “Europa” que nascia ao lado dos mosteiros.

Hoje trabalho é energia, energia concentrada em capital. O valor do que se adquire é dado pelo trabalho. O trabalho transformou-se em mercadoria e como tal em mero negócio como quer uma sociedade mecanicista, mercantilista e materialista interessada apenas em funções.

Trabalho é a forma de realização humana por excelência e como tal inerente à pessoa como se pode ver já na atividade criativa expressa na necessidade e modo de jogar das crianças; segundo este impulso sem atividade não há felicidade; trabalhar é um direito não uma obrigação! Também sob o ponto de vista bíblico, trabalhar é esforço, é criar e Domingo é o dia em que Deus deixou de trabalhar… Como se vê; também Deus trabalhou mas sem se perder no trabalho!...

Com as novas formas de organização do trabalho talvez nos aproximemos mais da divisa acima descrita.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7395

(1) Aristóteles dizia sobre o trabalho: “Todos aqueles que nada tem de melhor para nos oferecer que o uso de seu corpo e dos seus membros são condenados pela natureza à escravidão. É melhor para eles servir que serem abandonados a si próprios.”