sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A União Europeia quis a Concorrência e a Alemanha tomou-a a Sério



Razões da Crise dos Estados na União Europeia

A Queda do Socialismo favoreceu a Degradação social ocidental (2)

António Justo
Com a queda do socialismo real da União Soviética, a Europa deixa de viver mortificada, na sua sombra. Com o passo da reunificação da Alemanha, a EU pretende ser uma grande potência, ao lado dos USA. Para isso, cria a Zona Euro, com uma moeda comum capaz de enfrentar o Dólar. O Euro torna-se num desafio ao Dólar e a quem ganha com ele. 

A União Europeia quis a Concorrência e a Alemanha tomou-a a Sério
No ano 2000 os chefes do governo da União Europeia optaram, em Lisboa, por uma agenda de reformas tendente a fazer da Europa a “região mais competitiva do mundo com uma economia baseada na dinâmica do conhecimento”, até 2010.
O governo alemão do chanceler Gerhard Schröder (2003 a 2005) tomou a sério a decisão de Lisboa e elaborou a Agenda 2010 iniciando a “Reforma do Estado social alemão e do mercado de trabalho”. A Alemanha, com o pretexto de melhorar "as condições para um maior crescimento e mais empregos" e de querer "transformar o Estado social e renová-lo", sob a coligação de esquerda SPD/VERDES, conseguiu envolver na Agenda 2010 as diferentes forças sociais da nação e impô-la ao operariado. Com esta agenda os trabalhadores perderam muitos dos direitos anteriores e iniciou-se um verdadeiro ataque à economia social de mercado. 

Muitos benefícios foram excluídos do catálogo da segurança social. As contribuições previdenciárias para a reforma foram elevadas para 19,5% do salário bruto. Na reforma da segurança social em vez de ser combatido o desemprego passa a ser castigado o desempregado. A economia começou a florescer mas os salários não sofreram os aumentos adequados; por todo o lado a sociedade alemã sofreu cortes nas condições de bem-estar. Mesmo assim o nível social dos alemães manteve-se devido à política de manter os bens de consumo baratos e a uma exportação capaz de competição. Esta política colocou a Alemanha numa posição de relevo em relação a toda a Europa. As nações fortes da Zona Euro ao não aplicarem atempadamente um programa semelhante à Agenda 2010 cada vez se desestabilizam mais, vendo a Alemanha passar-lhes à frente. 

Os trabalhadores alemães, que tinham suportado a renúncia a aumentos reais durante os últimos 12 não vêem com bons olhos economias menos coerentes sem tanta disciplinação; além disso não compreendem o desperdício de capitais da EU aplicados em sectores não produtivos das zonas da periferia. Acham atrevida a política duma Irlanda que por um lado recebe apoios financeiros da EU e por outro lado levanta poucos impostos às empresas o que leva empresários alemães a sediar-se lá para não pagarem tantos impostos.

O Estado paternalista questiona-se
Com o início da política de globalização, os Estados fortes reduziram os impostos dos ricos para estes se fortalecerem e afirmarem contra firmas concorrentes estrangeiras. Passou-se a não apostar no trabalho dos operários mas no capital. Este é investido onde há maior número de consumidores e onde os ordenados dos trabalhadores são mais baixos. Por seu lado, o Estado socializa a pobreza, favorece as condições de investimento às elites do capital oferecendo-lhe terrenos e uma camada social precária disponível com leis favorecedoras dos despedimentos. Favorece-se a riqueza anónima produzida por acções (dinheiro) e renuncia-se à capacidade de criar riqueza fruto da economia real. A classe média é oprimida com exagerados impostos; o trabalhador é obrigado a renunciar a bens sociais adquiridos e a aceitar novas contribuições. Por outro lado os Estados perdem muitos dos capitalistas que geraram porque muitos destes para não pagarem impostos radicam-se em paraísos fiscais como o Dubai, mandam fazer os produtos na China e comercializam-nos na Europa. O Estado abdicou perante o capitalismo neoliberal.

As Oligarquias do Capital agem e os Estados adaptam-se
As oligarquias económicas e ideológicas (à semelhança das famílias nobres de outrora) instalam-se nos lugares estratégicos das instituições da EU e estabelecem redes coerentes de influências a nível de governos, bancos, partidos, administrações etc. Conseguem subjugar os Estados através da corrupção solidária de seus responsáveis; conseguem impor-se nas universidades através do acordo de Bolonha, instrumentalizando os seus professores e disciplinando os estudantes; conseguem impor o neoliberalismo económico e consequentemente desautorizar os sindicatos que vêem os seus sócios cada vez mais reduzidos, devido à diminuição de empregos seguros (reestruturação das empresas) e à concorrência do operariado entre si; conseguem ainda fomentar a agressão contra instituições morais como a Igreja para melhor conseguirem impor uma moral rasteira acrítica, ao nível das necessidades primárias utilitárias. Estabelece-se uma oligarquia corrupta e solidária por toda a EU com o seu “quartel geral” em Bruxelas. Esta consegue cedências de soberania das nações (Estados) que o povo ainda não outorgaria. Também por isso Bruxelas não estava interessada no controlo dos empréstimos que fazia. A crise financeira de 2008 acordou a EU dum grande sonho.

Os países da periferia tinham-se deixado ir na corrente enquanto as suas elites se aproveitavam dos créditos da União Europeia, em parte, em proveito próprio. Quem se aproveitou da EU foi a camada média superior e a camada alta, encostadas ao Estado. Como a nação portuguesa não tinha mãos para sustentar estômago tão grande o Estado teve que ir à falência.  

A Troica, em vez de exigir responsabilidade aos corruptos que se aproveitaram do Estado deixa-os à sota e castiga o povo. Agora, o povo reconhece-se entregue às feras e ladra e uiva. A opinião publicada fomenta a inveja latente no cidadão desviando as atenções dos perdedores para aqueles que ainda têm ordenados e empregos estáveis mais ou menos justos/humanos. Muitos pobres, mantidos por um estado paternalista interessado em impedir o desenvolvimento do descontentamento e do comunismo no seu seio, são agora colocados à chuva; não há nenhum sistema real capaz de contrabalançar o regime dominante. Não há modelos! O próprio comunismo chinês tornou-se num socialismo de estado capitalista! O Estado imprime dinheiro para dar aos bancos mas a inflação paga-a o consumidor. O crash financeiro que deveria ter penalizado os usurários do dinheiro serviu para empobrecer o cidadão e enriquecer a alta finança ligada aos bancos e aos seguros. 

Urge a revolução dos honestos – Um Purgatório para todos
Antes a moral reservava o inferno para os ricos e o céu para os pobres: uma justiça adiada; hoje prefere-se a injustiça do dia-a-dia: as oligarquias ao tornarem-se as fabricantes da moral, já não lhes chega a terra, reservam-se também o paraíso para elas e banem os carentes, moral e socialmente, para o inferno. Até as democracias são usadas como plinto para jogos de influências possibilitadoras da organização criminosa, com impunidade civil e penal, a uma elite bárbara que utiliza o enredamento cúmplice de sistemas estatal, político, judiciário e empresarial para enriquecimento próprio. O compadrio entre irmãos, companheiros, camaradas e sócios destrói a independências dos poderes de Estado, Executivo, Legislativo e Judiciário. O quaro poder, os Media, não controlam; numa sociedade de concorrência entre ideais e interesses, cada vez se tornam mais dependentes das encomendas publicitárias e políticas. Os intelectuais críticos não ligados a uma facção ideológica ou política são marginalizados.

Constata-se que o dinheiro nas mãos dos poucos magnates financeiros desregulados não produz riqueza social; pelo contrário, destrói Estados, lugares de trabalho e empresas: a sua filosofia reduz-se à especulação, considerando também o trabalhador como mercadoria. Solidariedade e bem-estar para todos são-lhe palavras estranhas. Arruinaram a vida próspera do cidadão (economia social de mercado) e levaram a massa proletária à dependência do imediato, sem possibilidade de fazer planos económicos e familiares. Estão interessados em destruir a classe média, o braço direito dum estado florescente. De facto, quem não tem nada a defender não vai lutar pelo que não tem. O político transforma-se em mercenário do capital; procura também racionar tudo o que é despesa com trabalhadores públicos para que o que aí poupa seja canalizado para os magnates do capital, os únicos beneficiadores do que se poupa com o Estado e com o seu enfraquecimento. O Estado encontra-se assediado pela classe dos corruptos que com os seus afilhados preparam as leis parlamentares de maneira a servi-la. 

O povo encontra-se numa situação tão depauperada (desorientação, analfabetismo político e social) que elege o palavreado daqueles que prometem o que ele deseja. As pessoas, desabituadas da solidariedade, pensam que não há solução para os problemas e contentam-se em criticar tudo e todos. O Estado encontra-se à pilhagem, o governo e o parlamento não têm legitimação ética nem competência para reorganizar um Estado que sirva uma nação honrada. Um pequeno exemplo: os governos depois do 25 de Abril assaltaram as Caixas de Previdência e ilibaram o Estado como entidade patronal de pagar contribuições para a Segurança social (CGA, ADSE) até 2005 (fala-se de um desfalque de 70.000 milhões de euros na Segurança Social). O buraco provocado tem de ser agora preenchido pelos empréstimos da Troika. 

Hoje seria um dever patriótico dos Estados fazer uma revolução contra os Dinossauros do capital, e o saneamento da corrupção estruturada, o que pressuporia um golpe de estado dentro do estado. A maior revolução seria a mudança de mentalidade.
Os dinos continuarão a subir até que o povo descubra a solidariedade como única maneira de subir e competir com eles. Não se pode esquecer que a natureza tem duas maneiras de se afirmar: uma através da selecção (lei do mais forte) e a outra através da solidariedade/colaboração dos menos fortes entre si, contra as adversidades.

De que importa a limpidez das verdades que se reconhecem com a inteligência se o coração por onde passam se encontra turvo.

António da Cunha Duarte Justo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Queda do Socialismo favoreceu a Degradação social ocidental (1)




Da Economia social para a Desregulação capitalista liberal
António Justo
Os donos do dinheiro e do poder atacam sistematicamente o padrão da economia social europeia que permitia uma vida honrada e perspectivas de futuro com segurança para a maioria da população. Este sistema conseguiu gerar o milagre económico alemão e um bem-estar geral na Europa. Hoje é desmontado pela filosofia económica e social anglo-saxónica e pela visão asiática, aliada ao desejo duma EU que se quer afirmar em relação à América e à Asia.

Até 1998 a Europa tinha uma ordem económica de mercado social orientada para o bem-estar de toda a população. Possibilitava uma classe média abrangente e uma classe baixa remediada e uma classe alta reduzida de ricos mas com uma certa consciência social. O imposto sobre o consumo era insignificante; o imposto sobre os ricos era superior a 50% e as leis laborais tinham em conta a dignidade humana. Com a queda do socialismo (União Soviética) deixou de haver uma força concorrente que metia medo a um capitalismo desalmado e motivava os Estados ocidentais a tomar medidas económicas que possibilitavam a existência dum capitalismo de rosto humano. Na concorrência entre o bloco ocidental e o do leste, as elites económicas e políticas ocidentais estavam empenhadas em conseguir melhor nível de vida para os seus cidadãos e em demonstrá-lo; tinham de convencer com o melhor nível de vida dos seus cidadãos a sua superioridade perante o socialismo.

Emanuel Kant resumia toda a ética económica europeia ao princípio do “bem-comum” como princípio superior de acção. Ao contrário, o pragmatismo económico anglo-saxónico pensa resolver o problema do bem-comum através do ditado económico dum mercado que tudo regula.

 A estratégia da União Europeia para se tornar a primeira referência económica do mundo e os exageros do paternalismo de Estado ajudaram os gangsters do dinheiro a impor ao Estado social um liberalismo económico selvagem. 

A política social e económica, em nome de um racionalismo e utilitarismo absorvente, foi destruída, de dia para dia, e com ela a coesão social que antes havia. A solidariedade só pode ser cimentada por uma emotividade ética que leva à relação humana entre patronato e operariado. A redução do ideário nacional / individual ao mercado competitivo e a um código jurídico racional, que pretende substituir o ideário cultural/ético pela luta pelas necessidades básicas, não cria felicidade e leva à explosão da crise como se deu em 2008. As zonas periféricas do euro são o barómetro do estado dum sistema económico.

Com a Queda da União Soviética deixa de haver Concorrência no bem servir
Com a criação da zona euro e da economia globalista foi interrompida a economia social de mercado de prosperidade para todos. O trabalho digno dá lugar ao trabalho precário e desumano, flexível e temporário, a firmas emprestadoras de trabalhadores, baixos salários e ao mercado desregulamentado. O Estado, pressionado e comprometido com as forças económicas, deixou de impor um quadro regulador da economia, perdendo o controlo sobre os bancos e estes deixaram de ser os financiadores da economia real para se tornarem em casinos do capital de jogadores da bolsa. O poder financeiro começou a ser de tal ordem superior ao poder do Estado que tem a possibilidade de comprar também a política. Tudo se equaciona agora em termos mercantis. Deixamos de ter empresários de fundo humanista para termos capitalistas liberalistas desenraizados.
 
Corrupção económico-política coerente
Em qualquer sector que se observa lá se encontra uma rede corrupta de interesses de compadrio entre serviços públicos, partidos empresas e justiça. A corrupção encontra-se de tal modo orquestrada que nações como Portugal para poderem viver têm de recorrer à troica que legitima a corrupção. Em texto claro: vivemos num sistema económico coerente na corrupção. A corrupção estatal pede ajuda para sobreviver aos corruptos internacionais.

Até aos anos 90 havia uma relação de solidariedade entre patronato e operariado. Com a globalização, muitíssimas firmas que antes estavam ligadas a grandes famílias nacionais passam a pertencer a sociedades de accionistas internacionais só interessados no lucro da produção sem laços com o trabalhador. Fomentam relações de trabalho péssimas, importando-se apenas da especulação com firmas e com os trabalhadores: da colaboração mais ou menos condicionada passa-se à rivalidade. 

Fomenta-se o radicalismo e desmonta-se uma democracia já de si doente
A poupança radical conduz ao desespero e asfixia a iniciativa. Como consequência, nas zonas de crise, acentua-se o radicalismo a todos os níveis sociais; o nacionalismo aumenta numa altura em que nações se encontram ameaçadas. O norte e o sul da europa têm mentalidades diferentes, não se entendendo a nível económico.
Entre a França e a Alemanha há discrepância na concepção da Europa. A França quer uma europa centralista (como ela) e a Alemanha uma europa federalista.

Egoisticamente a Alemanha exige uma política de poupança radical para o sul tal como a que praticou na sua crise dos anos trinta esquecendo que essa política foi a que possibilitou a subida de Hitler ao poder. É verdade que a Alemanha se tornou fiadora de um trilhão de Euros dos países em dificuldade e isso preocupa-a sobremaneira. Mas a EU não pode limitar a sua posição, em relação ao sul, a medidas meramente fiscais e mercantilistas. Sem margem de manobra para sanear as dívidas, devido a uma carga tributária já exorbitante sobre trabalho e energias, os governos limitam-se a adiar as soluções. A EU terá de perguntar-se porque é que foi interrompida a prosperidade para todos.

A administração estatal precisava de ser expurgada de maus hábitos crónicos mas a economia precisa de espaço para criar alternativas fomentadoras de postos de trabalho.
Deixamos de ter empresários para termos capitalistas desalmados. Isto porque a rede dos políticos corruptos com assento e mordomias em empresas são os mesmos que preparam as leis que favorecem o compadrio.

António da Cunha Duarte Justo
antoniocunhajusto@gmail.com

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Privatização das Águas - Negócio do Futuro como o do Petróleo?



Privatização das Águas – Mais um Golpe contra o Povo
Portugal é a Cobaia dos Lóbis da União Europeia
Um Negócio do Futuro como o do Petróleo?

António Justo
Os donos dos interesses económicos internacionais encontram-se a caminho à procura de nichos e cúmplices que os sirvam nas administrações públicas.
Portugal precisa de dinheiro e os Dinossauros financeiros rondam como abutres sobre ele na procura de carne para lhe deixar os ossos. A privatização da água é um assunto muito delicado, não podendo ser promovida pela calada da noite. A água é vida e por isso exige condições de tratamento que não devem estar dependentes apenas do critério do lucro. O que se apresenta como um negócio para os municípios revela-se como um roubo aos cidadãos. É um facto que nas privatizações de grande alcance se encontram sempre abutres nacionais e estrangeiros com recursos de lavagem de responsabilidade para a parceria e de responsabilização para o cidadão através de acordos do Estado. Assistimos a um actuar contraditório do Estado português: por um lado privatização dos abastecimentos de águas que se encontram nas mãos das comunas e por outro carregar com contribuições os poços que cidadãos possuam nas sua propriedades. O Estado quer que se proceda com a água como se faz com a electricidade, petróleo, gás, etc.
Segundo o que a prestigiosa emissão televisiva alemã “Monitor Nr. 642 Informou, sob o título “Água operação secreta: Como a Comissão da EU transforma a água numa mercadoria”, a Comissão Europeia prepara uma directriz de concessão para a privatização da água na Europa. A Troica quer que o Estado português privatize o que dá lucro e o coloque à disposição de consórcios internacionais especuladores.
“Bruxelas solicitou que Portugal vendesse o abastecimento de águas e que fosse promovida a privatização das empresas nacionais de água “Águas de Portugal”. Quer transformar um bem comum, em objeto de especulação das multinacionais. Em Paços de Ferreira já se deu a privatização da água, contra a vontade dos cidadãos… que “agora têm de pagar quatro vezes mais pelo preço da água”.
Humberto de Brito presidente da freguesia de Paços de Ferreira resume: “As consequências da privatização, aqui em Paços de Ferreira, foram devastadoras. Tivemos aumento de preço de 400% em poucos anos. E, novamente, um aumento de preço ao ano de 6%. Isto é um desastre. "
Na Alemanha há iniciativas contra o intento da Comissão Europeia. Em Berlim as iniciativas de cidadãos conseguiram obrigar a cidade a recuperar parte do que tinha privatizado no que respeita a águas.
A promessa de que a privatização tornará o preço da água mais barato é uma falácia atrevida. A prática mostra que as grandes empresas sob a pressão dos accionistas e através de cartéis aumentam os preços, como fazem com o gás e muitos outros produtos.
É notória e escandalosa a maneira como Portugal concretiza intenções da União Europeia envolvendo nelas interesses de nepotismo e protecção de interesses pessoais à custa dos impostos e contribuições dos cidadãos. Isto constitui prática constante, como se observa nas concessionárias das autoestradas, no negócio da ANA com o grupo francês Vinci e suas implicações com a Lusoponte, a Mota-Engil e o futuro aeroporto de Alcochete, etc.
"Agora cada vez se fecham mais fontes públicas e observa-se que fontanários públicos, sem qualquer explicação, são considerados impróprios para beber.
O acesso à água foi declarado direito humano pela Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Na realidade, porém, domina a lei da selva.
A política salva os seus interesses no mercado. A corrupção económica e a corrupção política são solidárias entre si e asseguram a limpeza das suas mãos tal como fez pilatos. A corrupção tem um lugar garantido nas caves do Estado. Por isso o povo tem de deixar de viver na paz da confiança e do "isso não é comigo" para acordar para uma realidade selvagem que o rodeia. Só podemos exigir políticos e elites responsáveis se assumirmos a nossa parte de responsabilidade. Confiança sem controlo revela estupidez.
Diz o ditado: “Queres conhecer o vilão mete-lhe a vara na mão”.
António da Cunha Duarte Justo

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Das altas Burguesias nacionais para as altas Burguesias internacionais



Ditadura financeira internacional suborna os Estados

Urge uma revolta dos Estados contra os Dinos do Capital

António Justo
O cinismo do poder financeiro
O turbocapitalismo serve-se também das estratégias soviéticas comunistas, no seu intento de destruir estados de economia social-democrata, sistemas legais, governos e oposição. Aposta na desestruturação de sistemas morais e sociais. A sua expressão e símbolo, na União Europeia, é a Troica (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) que controla os governos e os parlamentos no sentido de fazerem leis que sirvam os interesses da alta finança internacional. Troica significa em russo um carro conduzido por três cavalos. Na União soviética era o grupo dos três supremos chefes supremos: o chefe de estado, o chefe de governo e o líder do partido comunista. Estes estavam por cima da lei.
Se os velhos regimes nacionais (p.ex. de Salazar) beneficiavam a  alta burguesia nacional, os novos regimes democráticos (p.ex. 25 de Abril) servem a alta burguesia internacional. Deu-se um desvio dos microssistemas para os macrossistemas.

Sem uma classe média nacional forte os Estados são violados
O capitalismo internacional encontra-se numa fase avançada de assalto aos Estados. Assiste-se a verdadeiros golpes de estado sem que sejam conhecidos os revolucionários. As nações são, paulatinamente, destruídas e desautorizadas sob o pretexto da criação de regiões económicas favorecedoras do mercado, as famílias são destruídas em nome da necessidade de disponibilidade e flexibilidade do trabalhador. A classe média, que era a garantia da grandeza das nações, é destruída para que uma pequena oligarquia internacional de capitalistas tenha mais facilidade no controlo do Estado, do povo e da produção. As altas burguesias das nações aliam-se internacionalmente e conectam-se em impérios financeiros atuantes através dos bancos. Internacionalizam o capital, escolhem os paraísos de impostos, ficam com os lucros e socializam as dívidas. Ignora-se que, sem uma classe média alargada e forte enraizada na nação (antigamente a alta e média burguesia), os governos mais facilmente se tornam marionetes da alta burguesia internacional que actua através dum capital irresponsável anónimo. O sistema económico de Salazar favorecedor da alta burguesia nacional é convertido pelo regime do 25 de Abril num sistema favorecedor da alta burguesia internacional. Hoje a democracia é ridicularizada a ponto de os deputados, esforçadas pela Toica, votarem leis contra os interesses do próprio povo. As empresas nacionais com boa rentabilidade são internacionalizadas ficando a encargo do Estado as que não dão proveito capitalista. Até os hospitais se querem apenas nas mãos do privado para este poder explorar o prometedor negócio do futuro com os medicamentos e com a doença. Na Zona Euro os dinossauros do capital internacional empenham-se, de momento, na regulação da economia em geral e na destruição dalguns Estados e na disciplinação de outros. Os países com os seus governos encontravam-se demasiado perto do povo e como tal demasiado dependentes deste. A nova ordem globalista, da oligarquia financeira internacional, quer usar-se das estruturas democráticas locais e regionais para de cima para baixo impor a sua política mercantil em que mercadoria e Homem são produtos a seu serviço. Os dinos conseguem deslegitimar estados inteiros pelo facto de os levarem a uma situação de não poderem controlar as grandes multinacionais e condicionarem os seus actos governativos a uma feitura de legislação ditada por eles mesmos na qualidade de credores.
Privatiza-se a riqueza dos estados e socializa-se a pobreza. O Estado já não tem poder de intervir na distribuição da riqueza, no mercado de trabalho, na segurança social, na saúde, etc. Não consegue intervir como regulador da economia e como advogado da justiça social dentro do país. Um Estado sem poder de interferir deslegitima-se. As medidas que toma destinam-se a saciar a ganância dos magnates do capital internacional. As dívidas estatais não permitem mais margem de manobra e o cidadão já se encontra sufocado pelos impostos até à garganta.

O Poder económico e militar continuará no Ocidente
A Alemanha encontra-se preparada para manter o avanço técnico e económico em relação aos países concorrentes. Com a sua política favorece, também ela, os interesses da alta finança ao fomentar, também entra a sua população, um grande contingente de carenciados que freiam as exigências da classe média perante uma oligarquia financeira cada vez mais poderosa.
Segundo a revista alemã “manager magazine” o actual BIP anual, por habitante, nos USA é 48.442 Dólares, na EU 34.848, na China 5.445 e na índia 1.489. Em 2025 os cidadãos dos USA atingirão um BIP de 60.000 Dólares, os da EU 42.000 Dólares, os da China 10.000 e os da Índia 3.000. Como se prevê, as forças económicas internacionais manter-se-ão equilibradas, ao contrário de medos conjunturais; o problema maior estará na distribuição do dinheiro entre as camadas sociais.
O futuro do mundo continuará a depender em grande parte da civilização ocidental. Ela tem o gene do domínio e do progresso pelo que continuará a oferecer as melhores garantias para investidores. Os donos do mundo fortalecem os seus monopólios à custa da falta de cooperação e solidariedade entre os estados. Enquanto o desenvolvimento económico se desenvolver à custa da dignidade humana e da opressão de grupos e povos não poderemos ter boa consciência.

As elites são responsáveis pelo retrocesso cultural em via
Tudo parece estar à disposição dum grupo cada vez mais pequeno e mais rico que se aproveita do povo e das nações. Os magnates das finanças e do poder são os responsáveis pelo retrocesso cultural e humano a que estamos a assistir na Europa.
Por toda a internet se levantam clamores de queixas e acusações contra tudo e contra todos. Isso é o que os dinossauros do dinheiro e do poder querem: uma crítica geral indiferenciada de tiros para o ar; pretendem desviar a raiva popular e disfarçar a sua responsabilidade nas sombras de funcionários e de empregados com lugar estável de trabalho como se isto fosse um privilégio. A terra é de todos e para todos tal como as estrelas do universo. O povo tem uma grande palavra a dizer em tudo isto. Para isso terá de repensar a atitude consumista a que foi levado e rever a motivação do seu agir que se orienta pelo interesse pessoal, pela inveja e pela ganância pessoal. Será preciso comprar menos e compartilhar mais. Na realidade não se trabalha para o que se precisa mas para as necessidades que o mercado dita.
Os dinos do poder mundial e seus acólitos baseiam-se na ideologia simplicista, segundo a qual, na sociedade basta haver dois grupos sociais: a camada baixa (grande maioria) e a camada alta (reduzida elite oligárquica); para a sociedade baixa chega o trabalho como ideário de vida; para a classe alta o papel de pensar e manter o proletário sob a sua batuta. A proletarização social e nacional encontra-se em aceleração total por uma estratégia destruidora do ideário cristão, da economia social e do redireccionamento das democracias e estados.

António da Cunha Duarte Justo