quarta-feira, 19 de abril de 2023

DIRECTIVA EUROPEIA SOBRE CARTA DE CONDUÇÃO CRIA MAIS CONTROLO E DEPENDÊNCIA

                                      O Polvo alonga os seus Braços ao reduzir Direitos

Está em via de entrar em vigor a 4ª diretiva da UE para a carta de condução a fim de padronizar os requisitos da carta de condução em toda a União Europeia. Só precisa de ser aprovada pelo Conselho da UE e pelo Parlamento da EU. Os países membros terão dois anos para incorporarem a directiva na lei nacional.

A primeira carta terá validade por 15 anos sendo depois renovada em espaços iguais.  No futuro, os idosos com mais de 70 anos terão de ser submetidos a exames de aptidão cada cinco anos. (Os detalhes de tal teste físico e mental ainda não foram esclarecidos).

A troca da carta é obrigatória: Quem continuar a conduzir com a carta de automóvel ou moto antiga e deixar expirar o prazo corre o risco de ser multado no valor de 10 euros, não sendo registado com falta crime; quanto às carteiras de motorista de caminhão e autocarros há clausulas agravantes!

Os alunos de condução devem ter a oportunidade, independentemente do seu local de residência, de fazer o exame de condução em qualquer dos estados membros da UE.

Segundo o relatório “ADAC”, este projeto de lei encontra resistência em Baden-Vurtemberga. De facto: “Uma proibição de conduzir imposta na Itália também se aplicaria na Alemanha, etc.”.

O polvo alonga os seus braços ao reduzir direitos dos cidadãos; o Estado limita cada vez mais a liberdade do cidadão e torna-o directamente controlável centralmente. A China está a entrar-nos em casa sem que notemos; o irmão grande cada vez nos tem mais debaixo do olho, seja com medidas internacionais como estas, através do controlo dos bancos, das finanças, da saúde, dos órgãos de aplicação da lei na Europa, etc.!

 

António CD Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8467

segunda-feira, 17 de abril de 2023

A EUROPA AUTODESTRÓI-SE SE CONDUZIDA POR UMA VISÃO UNILATERAL AMERICANO-ALEMÃ


Ministra dos Negócios Estrangeiros alemã fez má Figura na China

As últimas visitas da França (Emmanuel Macron) e da Alemanha (Annalena Baerbock) à China são sintomáticas e expressão de dois polos europeus (nórdico e latino) que, no fundo, se contradizem, quando seria da sua natureza complementarem-se. De um lado Mácron e do outro lado a ministra alemã dos Negócios Estrangeiros (1): o francês representando mais a diplomacia europeia foi recebido na China em festa e despedido honrosamente e a alemã mais representante dos anglo-americanos, foi recebida com distância e despedida sem sequer um aperto de mão, como se pode ver na conferência final de imprensa comum. A política alemã ao identificar-se com a política militar americana já não tem muito a dizer numa política mundial a delinear-se na multipolaridade. O fatal na questão não é tanto o problema alemão, mas o facto de com ele ser também arrastada a política europeia. Um vislumbre de esperança oferece a posição do presidente francês para a Europa que poderia levar os governantes europeus a deixarem de ser meros atrelados da visão anglo-saxónica.

A sobranceria do comportamento germânico repetidamente manifestada nas “aparições” da sua ministra Baerbock é descabida porque de facto, a Alemanha  não tem força nem peso militar, perdeu a energia barata da Rússia e com isso a força económica, não tem conceito político próprio,  tem uma cultura  cada vez mais enfraquecida com o paulatino abandono do idealismo alemão em benefício da anglo-saxónica (2);  na pessoa de Baerbock a Europa arvorou-se em juíz da China sem atender sequer aos bons  costumes da diplomacia seguindo as pegadas da arrogância provinciana e teatral de Zilenskyl! Baerbock e com ela a Alemanha pouco tem a dizer aos chineses e menos ainda quando reduzida (pelo menos exteriormente) a mera embaixadora da atitude militar americana. A China sabe que a administração americana não respeita ninguém e por isso pode permitir-se não tomar a sério a representante da Alemanha.

No que toca à guerra entre os EUA/OTAN e a Federação Russa na Ucrânia, a China sabe também que a opinião pública europeia se encontra equivocada devido a uma comunicação social europeia profundamente comprometida com os interesses americanos e por isso mais interessada em induzir em erro do que interessada numa discussão pública objecctiva.

Em nome de uma crise que nós mesmos provocamos com o boicote económico sacudimos do próprio capote os males que encomendamos ao, desavergonhadamente, explicar-se o encarecimento da vida com a culpa de outros! Vamos esperando que esta loucura passe.

No meu entender, a China ao contrário dos EUA tem apostado na economia e numa relaç1bo económica interesseira mas séria com outros países e não na força militar como cuidam os EUA; por isso a China que se transformou em primeira potência económica mundial tem a melhor posição para se tornar numa verdadeira medianeira da paz! Na Ucrânia os sinos já tocam a finados para a despedida do século americano no mundo! A má informação europeia relativamente à guerra da OTAN e da Federação russa na Ucrânia não tem em consideração o desenvolvimento das nações a nível de blocos no mundo nem a geopolítica a jogar-se na Ucrânia que não considera os interesses vitais da Rússia na passagem para o Mar Negro, contencioso semelhante ao que se está a preparar no estreito de Taiwan (Formosa) devido aos interesses do Ocidente no estreito, como estrada comercial importantíssima onde passa 50% das mercadorias mundiais. Só uma política de paz poderá resolver de modo a respeitar os interesses da Federação russa numa região e os interesses ocidentais na outra. Doutro modo a seguir à guerra na Ucrânia teremos a guerra na Formosa.

António CD Justo

Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8462

 

(1)  Com a passagem do poder da Chanceler Angela Merkel para Olaf Scholz a Alemanha consumou a traição do idealismo alemão iniciada em 9.11.1989 com a absorção da DDR na BRD (a). Em vez de se completar fazendo a síntese de socialismo e capitalismo a Alemanha unida adoptou o capitalismo liberal e a ideologia anglo-americana, contrariando o ideal da União Soviética que via na casa europeia a sua chance. Com a viragem militarista de Olaf Scholz em 2022 a Europa iniciou um capítulo que não promete futuro para a Europa. Brilha uma luz no fim do túnel ao pensarmos que a Europa do Sul com o presidente da França, Mácron, poderá ajudar a corrigir e a dar volta à roda da história.

(2) Cfr. meu Artigo „Wohin Deutschland? Der Verrat am deutschen Idealismus“ na revista „Gemeinsam“ Heft 6, März 1990.

O Presidente Mácron solicita mais soberania para a Europa irritando assim a Alemanha: https://www.gentedeopiniao.com.br/opiniao/quem-sao-os-rivais-se-a-europa-e-considerada-inexistente

domingo, 16 de abril de 2023

SOCIALISMO E CAPITALISMO RESULTANTES DE DIFERENTES ÉTICAS - A CATÓLICA E A PROTESTANTE


Atualidade da matriz católica e da matriz protestante

A ideia leva à acção como garantia de desenvolvimento (1).

No atual conflito internacional (ocidente-oriente) devido à preponderância ocidental mundial assiste-se à continuação do debate entre a matriz social/antropológica católica e a matriz social/antropológica protestante. Estes são como que os dois polos de uma mesma realidade no processo de desenvolvimento social e individual. Se por um lado no catolicismo se destaca o movimento centrípeto (a comunidade) no protestantismo e na sociedade anglo-saxónica acentua-se o movimento individual centrífugo em relação à comunidade.

A sociedade e a natureza deixam-nos livres, mas também presos; nelas se constata que a autonomia só é possível no relacionamento. Daí a emancipação ter de ser vista num relacionamento processual de maturação recíproca e como processo de complementaridade inclusiva.  Antropológica e sociologicamente tem como sujeito comum o humano em tensão entre comunidade e indivíduo, tradição e inovação, entre terra e céu (Que seria da árvore sem a terra que a sustenta? A negação de uma significaria o fim das duas!). Assim uma sociedade saudável terá de integrar o fenómeno da individuação (autonomia) e da socialização (comunidade) como processo de desenvolvimento recíproco. A sociedade ocidental tem-se desenvolvido mais no sentido da individuação (afirmação do ego) mas tem desprezado o seu aspecto comunitário (afirmação do nós)  e deste modo em crise devido ao processo de autodestruição porque afirma o “movimento de rotação” sem contemplar o “movimento de translação” que incorpora aquele numa constelação ou sistema comunitário e sem isso conduz a uma desconstrucção tornada inerente ao sistema.

Uma emancipação Voluntária (2) acontecerá entre a emancipação familiar/social/individual e a emancipação legal/institucional e não numa conexão de subjugação de uma em relação à outra. Se observamos o sistema solar poderemos identificar os diversos planetas, mas todos eles recebem a consistência do Sol (a Terra sem o Sol seria impensável). A verdadeira emancipação (autonomia individual) não pode esquecer a sua natureza relacional, a necessidade de um habitat cultural (Deus, “Pátria” e Família) doutro modo transforma-se em meteorito, fora de órbitra, que se autodestrói devido à inércia e à resistência do espaço-tempo ou acaba num buraco negro que tudo sorve!

De momento vivemos numa sociedade precocemente envelhecida sem consciência do equilíbrio necessário das várias forças condutoras que lhe dariam vitalidade e sustentabilidade. A emancipação terá de ser entendida como processo individual e colectivo sem que um se oponha ao outro. O relacionamento recíproco entre o indivíduo e o grupo acontece num processo de autolibertação e desenvolvimento quer do indivíduo quer da comunidade numa cumplicidade solidária de dar e receber! O processo de autoafirmação em oposição à comunidade só poderá ser compreendido como fase adolescente numa conjuntura especial de individuação, mas não como atitude sã e equilibrada permanente (a tensão interpolar é o factor de desenvolvimento em intercâmbio).  Como exemplo dos extremos de individuação e de colectivismo temos o capitalismo e o socialismo, a sociedade ocidental e a sociedade islâmica.

Enquanto a sociedade islâmica se apropria da singularidade individual subjugando-a à comunidade (aquisição de valor pela funcionalidade), a sociedade ocidental destrói as ligações à comunidade de maneira à pessoa se tornar num indivíduo sem características que o definam (e na consequência caminha-se para a anonimidade da pessoa como um abstrato funcional pragmático sem capacidade de autorresponsabilidade); na deficiência do caracter da comunidade ocidental afirmar-se-á o islamismo de maneira avassaladora na europa para ocupar este défice europeu e por outro lado o islão é aproveitado pelo globalismo mundial por atribuir à pessoa apenas um caracter funcional, o que o que facilita o estabelecimento de uma plutocracia mundial.

Um individualismo despersonalizado e demasiado acentuado afirma-se à custa  leva da comunidade favorecendo a criação de uma pequena elite mundial de déspotas iluminados que ditem normas e condutas de vida para as pessoas já descaracterizadas e regiões também elas sem caracter próprio e anonimizadas.

Passo a referir-me às diferenças éticas (católica e protestante) para melhor se entender os diferentes ideários entre os povos nórdicos e os povos do sul da Europa e a luta a decorrer entre o polo ocidental e o polo oriental. Muitas vezes combatemo-nos esquecendo que somos irmãos gémeos e de quem somos filhos. Diferentes teologias deram origem a diferentes éticas (salvaguardem-se muitas interpretações e expressões diferentes).

Em geral, a ética protestante baseia-se na crença no trabalho árduo, na economia e na necessidade de se submeter à vontade de Deus (aqui está certamente um dos factores que levou os países protestantes a tornarem-se mais ricos). Se a ética protestante acentua a consciência individual baseada na Bíblia (o indivíduo), a Igreja católica baseada nos ensinamentos da Igreja Católica acentua a autoridade transmitida através da igreja (a comunidade) e das tradições. A ética protestante enfatiza a justificação só pela fé (aspecto individual) e a ética católica além da fé acentua também a importância das boas obras e da cooperação com a graça (aspecto comunitário). Se para o protestantismo o importante é o relacionamento pessoal com Deus (distinção individual) a ética católica afirma especialmente a importância da graça e dos sacramentos (timbre comunitário) e não esquece a relação pessoal directa com Deus na mística e a nível moral a consciência individual como juiz soberano. Também no que respeita às virtudes há acentuações diferentes; se a ética protestante acentua a importância de virtudes como diligência, economia e responsabilidade pessoal, a ética católica enfatiza a importância de virtudes como misericórdia, caridade e solidariedade. De resto, a ética protestante tem uma forte incidência no trabalho e acentua a responsabilidade pessoal pelo sucesso na vida, a ética católica acentua o amor e a misericórdia para com os outros e a importância da comunidade e de defender os fracos (justiça social). Neste sentido a ética católica frisa a importância de virtudes como humildade, paciência, modéstia, bravura e justiça e convida os fiéis a viver e expressar essas virtudes nas suas ações diárias; exorta os fiéis a expressar a sua fé por meio das suas acções e a usar a razão no que toca a tomar decisões morais!

Também a cultura europeia não deveria tornar-se propriedade nem presa fácil de sistemas alheios a ela nem de mundivisões internas de esquerda ou de direita. Os dois polos para continuarem a ser integrais europeus ou globais terão de respeitar-se como partes integrantes do todo: o combate recíproco serve a autodestruição e a absorção por forças alheias mais fortes. O partidarismo aferrado e não tático apressa a derrocada da cultura europeia. Embora a opinião pública se deixe mover por posições extremas seria de pressupor nas elites dirigentes critério suficiente para não se deixarem cair na mesma dinâmica.

A divisão da ética cristã abrangente em dois polos opostos estilhaça a unidade e a perfeição cristã e com ela a alma cultural da Europa. Temos de nos encontrar para voltar a reencontrar a Europa e as suas fontes e nela o mundo. O cristianismo não ideologizado continua a ser a oferta integradora de indivíduos e sociedades numa relação fraterna de povos, religiões e culturas. Comunidade e individualidade são as rodas de um mesmo eixo que proporcionam o desenvolvimento humano e histórico.

A matriz católica e a matriz protestante expressam uma certa atualidade nos motivos da guerra a decorrer na Ucrânia onde se debate o sistema individualista anglo-saxónico com o sistema comunitarista oriental.

Devemos encontrar um meio-termo que abarque os dois polos para que os dois sistemas (um excessivamente individualista e outro excessivamente comunitário) se combinem de forma complementar num caminhar comum e numa só direção esperançosa (usamos o pé esquerdo e o pé direito, para avançarmos).

Neste sentido, a guerra na Ucrânia entre o Pólo Ocidental e o Pólo Leste é um grande desfasamento da história e apenas manifesta a estupidez, a arrogância e a falta de consciência das elites para com uma cultura que deveria começar por reconciliar-se a si mesma na Europa (de Lisboa aos Urais ) para assim se se possibilitar a reconciliação no mundo!

António CD Justo


Texto completo e notas em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=8457