sexta-feira, 29 de maio de 2026

A UE À MARGEM DA “PAZ” QUE FINANCIOU!

 

Bruxelas reclama lugar nas negociações, mas Moscovo recusa-a como mediadora e Washington já não a consulta

 

A União Europeia encontra-se hoje perante uma contradição diplomática de difícil resolução: após a escalada do conflito em 2022, os aliados ocidentais de Kiev romperam laços com Moscovo e adoptaram uma estratégia de isolamento total da Rússia, e agora vê-se excluída das negociações de paz que se desenvolvem sem a sua presença efectiva.

Estão em curso negociações trilaterais com os Estados Unidos, a Federação Russa e a Ucrânia nos Emirados Árabes Unidos, o que coloca em evidência o papel marginal da UE nos esforços diplomáticos para pôr termo à guerra que decorre no seu próprio continente. O Parlamento Europeu reconheceu formalmente que a marginalização da UE destas conversações é uma consequência directa da sua incapacidade de seguir uma estratégia diplomática autónoma, caracterizada pela ausência de iniciativa própria e por uma dependência excessiva de abordagens militarizadas, alinhadas pelos EUA e pela NATO...

Moscovo, pela voz do ministro Lavrov, classificou as condições impostas pela UE como "idióticas", e acusou a União Europeia de praticar "diplomacia de megafone", emitindo ultimatos públicos em vez de procurar negociações substantivas.

Internamente, a UE debate-se com a questão de quem a poderia representar junto de Moscovo...

... inteligentemente, o primeiro-ministro português Luís Montenegro voltou a defender que é preciso dialogar com a Rússia para alcançar "uma paz justa e duradoura na Ucrânia" e incentivou a Europa a "tomar a iniciativa" de um processo de paz bilateral (1)...

A população europeia não beneficia em nada desta estratégia e, pior ainda, terá de pagar a conta da guerra, como se vê no apelo de Von der Leyen de 135 mil milhões de euros aos Estados-membros para 2026-27. Sob a administração Trump, os Estados Unidos abandonaram a estratégia de isolamento da Rússia e reposicionaram-se como mediadores do processo de paz, deixando Bruxelas a reivindicar um papel central numa mesa onde, por ora, não tem assento.

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=10980

 

 

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