sábado, 21 de dezembro de 2024

BOAS FESTAS DE NATA E ANO NOVO


Nesta comemoração de um sonho que permanece a apontar para a Realidade, não se deixando dissolver na frívola magia de um sentimento qualquer, venho dar as Boas Festas a amigos e visitantes..

O ano está quase a passar e tem sido de muitas preocupações. Tantas crises, guerras e catástrofes no mundo, tantas carências dentro e fora dos nossos corações!

E também nas nossas vidas privadas, muitos de nós estávamos sobrecarregados por doenças, lutos e outras preocupações. No entanto, sempre prevalece em nós aquela chama outrora incendiada no presépio de Belém e depois sempre lembrada por cada um de nós em atuais experiências e eventos bonitos de que gostamos.

Por isso, o que me move hoje é sobretudo a esperança de que 2025 nos traga menos preocupações, mais paz, alegria e beleza. Que 2025 possibilite a realização de muitos e diversos sonhos.

Saúdo-vos a todos com um abraço caloroso com os melhores votos extensivos a familiares e amigos. 

 

 Pode ser um desenho

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

MÁRTIRES DA REVOLUÇÃO FRANCESA CANONIZADAS

A 18 de novembro de 2024, o Papa Francisco ordenou que os nomes de 16 freiras carmelitas degoladas pela guilhotina do regime de terror (Robespierre) da revolução francesa, fossem inscritos no catálogo dos santos.

A 2 de novembro de 1789, as propriedades da Igreja foram confiscadas e entregues ao Estado francês com o pretexto de ser resolvida a crise financeira. A 13 de fevereiro de 1790, todas as ordens monásticas e congregações religiosas foram extintas. Também os sindicatos regulares são dissolvidos por decreto. Os votos que os religiosos deram ao ingressarem nos conventos são declarados “nulos” e é proibida a emissão de qualquer novo tipo de voto religioso.

A 14 de setembro de 1792, as Carmelitas do convento de Compiègne foram expulsas sendo acolhidas por algumas famílias. Na clandestinidade continuaram a praticar em comum a sua vida religiosa.

A 17 de julho de 1784, na revolução francesa, as 16 freiras carmelitas descalças de Compiègne foram guilhotinadas.

As 16 freiras carmelitas, foram condenadas à morte e guilhotinadas por resistirem à proibição da vida religiosa e recusarem secularizarem-se, sendo consideradas culpadas de serem “inimigas do povo”. Antes de subirem ao cadafalso rezaram pelos moribundos, e cantaram o Te Deum, seguido do Veni Creator e a renovação dos votos religiosos.

Os juízes da Revolução, não compreendem que as freiras estejam dispostas a renunciar à sua liberdade e submeter-se a uma regra de vida em comunidade onde "renunciam a todos os seus bens”. Este apego à sua fé parece suspeito e, por isso, criminoso. Este é o motivo central da sentença de morte (1).

Um século antes uma irmã carmelita do convento de Compiègne tinha tido um sonho profético segundo o qual a comunidade inteira seria martirizada.

Muitos contemporâneos viram na queda do regime de Robespierre, a resposta positiva à oração e dedicação das Carmelitas de Compiègne.

A Revolução Francesa, com o seu lema “liberdade, igualdade, fraternidade” foi um dos episódios mais vergonhosos da história humana conhecida.

António da Cunha Duarte Justo

Nota em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9666

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

PRESÉPIO: O BERÇO DE HUMANIDADE E SÍMBOLO UNIVERSAL DE PAZ

 

Belém o ponto de encontro de Oriente e Ocidente

 

O Natal, simbolizado pelo presépio de Belém, revela-se como ponto que rasga fronteiras, como o ponto de encontro entre o Oriente e o Ocidente, um espaço onde cada pessoa é convidada a iniciar uma caminhada conjunta rumo a uma cultura de paz. Na narrativa do presépio, as contradições humanas encontram-se integradas, revelando a união entre matéria e espírito, entre o divino e o humano e a necessidade de Ocidente e Oriente se encontrarem num espírito inclusivo...

Num presépio simples, que acolhe humanos e animais, Jesus manifesta a vontade do Pai de habitar nos corações, não no vazio ou num lugar distante...

O Natal inaugura uma história inclusiva, que acolhe todas as narrativas e as coloca em relação, sem exclusões. O nascimento de Jesus em Belém, uma cidade rica em simbolismo para os judeus, e um sinal também para toda a humanidade, transforma o presépio numa casa universal...

É como se todos passássemos a ouvir o nosso próprio canto na voz dos passarinhos ou víssemos as cores das flores como parte de nós, debaixo do mesmo arco-íris com espírito de sintonia.

No presépio, Jesus faz parte do mundo sem ser idêntico a ele...

As aparentes contradições da vida onde nos perdemos no nosso dia-a-dia – o divino e o humano, a matéria e o espírito – são reconciliadas no presépio...

No presépio, Deus manifesta-se em Jesus Cristo, mas esconde-se no mundo para dar aos seres humanos a possibilidade de se definirem...

O presépio simboliza esse novo mundo, onde o divino se revela no humano e a criação se plasma em harmonia. Jesus, o protótipo da humanidade e da criação, une o divino e o humano numa síntese perfeita. O presépio é o berço da humanidade, onde a diversidade e as contradições convivem em liberdade e paz.

A presença dos reis magos – representantes de diferentes regiões e mundividências – reforça essa visão universal do presépio...

O pensamento do Extremo Oriente, desprovido de entidades sobrenaturais, encara a vida como uma mera caminhada...

O Ocidente, pelo contrário, busca transcender a imanência cíclica da vida, procurando dar-lhe um sentido linear, com princípio e fim, considerando o mundo também sua casa. No gesto dos reis magos, emerge um espaço de diálogo entre essas duas visões: a vida como caminhada e a vida com uma meta (com princípio e fim) ...

Eles encontram ali, de maneira antecipada, a realidade e o sentido do mundo, compreendendo que a cultura é o campo onde o espírito lavra para unir as diferenças num solo comum...

No presépio, a história linear do Ocidente e a fluidez cíclica do Oriente encontram um ponto de convergência, simbolizando a criação de um novo espaço onde a diversidade não é rejeitada, mas integrada.

Neste contexto de Natal e de Presépio, o mundo criado torna-se o verdadeiro templo de Deus e do humano, um espaço sagrado onde tudo o que foi criado encontra o seu lugar e o seu sentido. O presépio, símbolo do Natal, revela-se como a morada onde matéria e espírito, razão e fé, se reconciliam numa cultura de paz e pertença.

Natal encontra-se por realizar enquanto a maldade humana continuar a afirmar-se, do homem contra o homem,  através de uma cultura da guerra afirmada contra a cultura da paz que permanece ainda reservada ao foro privado-individual.

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9650

 

 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

MIRAGENS DO PODER JIHADISTA

 No deserto imenso, a alma se inflama,

Sob o véu do Islão, ergue-se a trama.

Política e fé, num só coração,

Unem tribos dispersas numa nação.

 

Do solo árido, a miragem brotou,

Espelho de sonhos, que a areia sulcou

E a luta do Corão em ventos sem fim,

Modela espíritos, duros assim.

 

A fé que invade, força e visão,

Confunde a aridez com a ilusão.

Mas no encontro do sagrado e do poder,

Surge um sistema que consegue vencer.

 

Na democracia forjada na crença,

"Deus" só une, enquanto compensa.

Longe do conforto das democracias,

Aqui, a unidade é que desafia.

 

E no contraste, o devoto se verga,

Com feminilidade que o espírito rega.

Enquanto líderes, com força viril,

Guiarem miragens de um povo febril.

 

Assim é o Islão, deserto e clarão,

Miragem concreta, força e paixão.

Um mundo que ecoa a sua razão,

Num espelho eterno, de fé e nação.

 

António da Cunha Duarte Justo

In Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9655

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

GEÓRGIA NAS PEGADAS DA UCRÂNIA


... Na Geórgia, nas eleições parlamentares de outubro, o partido "Sonho Georgiano" recebeu 54% dos votos e a aliança da oposição ocidental 38%. Resultado: a Geórgia tem um presidente eleito Mikheil Saakashvili pró-rússia e uma presidente cessante Salome Zurabishvili pro União Europeia/EUA que não abdica.

Mikheil Saakashvili fez propaganda contra o “Ocidente decadente” e jogou com o medo da população de entrar em guerra contra Moscovo através do Ocidente. Por sua vez Salome Zurabishvili defendia os interesses da União Europeia na Geórgia. “O que está a acontecer na Geórgia é uma tentativa de mudança geopolítica”, disse a analista georgiana Ekaterina Metrveli.

Se Mikheil Saakashvili é acusado de defender os interesses russos na Geórgia, por seu lado, Salome Zurabishvili, de nacionalidade francesa, depois de uma carreira diplomática brilhante ao serviço da França desde 1974, adquiriu a cidadania georgiana em 2004 para poder trocar o cargo de embaixadora francesa para o de ministra dos Negócios Estrangeiros da Geórgia, o que lhe valeu a fama de “agente” de potências estrangeiras (1)....

No âmbito geoestratégico temos, por um lado uma OTAN que quer ver a sua zona militar e económica alargada aos antigos territórios que faziam parte da União Soviética e por outro lado a Rússia que os quer ver neutros na sua fronteira e deste modo manter a sua influência....

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo e nota em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9647

domingo, 15 de dezembro de 2024

O OCIDENTE LEGITIMA NO GOVERNO DA SÍRIA O AL-QAEDA QUE ANTES DIZIA COMBATER


Os beneficiados directos do novo regime serão a Turquia e Israel

 

Na Síria há festa para os muçulmanos sunitas radicais, pesadelo para os cristãos sírios e grande incerteza para grupos étnicos como os Curdos.

Síria cai nas mãos do jihadismo com Abu Mohammed Al Golani, o novo líder máximo do país. O designado responsável pela justiça já disse que quer depor todas as juízas do país...

Mais de dois milhões de sírios vivem na Europa com o estatuto de refugiados...

Em 2011 (início da guerra civil na Síria, sob os auspícios eufemistas da Primavera Árabe), havia na Síria 1,5 milhões de cristãos (10% da população). Hoje, este número ronda os 300.000!...

Os políticos ocidentais e os media apressam-se a lançar foguetes com a chegada dos grupos extremistas ao poder para que o povo se distraia a correr atrás das canas.

A dor e a justiça não interessam às potências, chamem-se elas OTAN ou Rússia, que usam da estratégia das insurreições e das guerras para afirmarem os seus interesses económicos e estratégicos nas várias regiões do globo.  A Síria encontra-se à disposição de interesses estranhos a ela e o “Ocidente” interessado apenas na expansão económica e política ignora o baluarte que é o Islão que, como o regime chinês, a longo prazo, consegue afirmar-se a custo da erosão democrática ocidental.

Seria de lembrar: O islão é uma política sob a forma de religião. Ele teve o histórico mérito de se tornar a alma árabe dando-lhe corpo ao unir as tribos árabes em “nação”. Ele teve a inteligência de unir o espírito agressivo do deserto à vivência das miragens que o próprio solo condiciona e assim se criou o melhor espelho dessa miragem no islão. A imensidão árida do deserto amplia o desejo humano de a vencer não deixando lugar para almas macias.  Este espírito concretizou-se no islão no seu caracter agressivo de maneira especial expresso nos grupos jihadistas que acantonados no meio do povo recebem caracter e legitimação democrática. A identificação do poder político com o religioso confere aos povos muçulmanos um tom democrático inerente ao sistema e como tal o sistema islâmico, afirma-se com mais sustentabilidade do que as nossas democracias liberais, que, a-religiosas ou demolidoras do cristianismo fazem da economia a sua transcendência comum e as torna frágeis porque só condicionadas ao bem-estar económico. ...

Um outro capítulo é a religiosidade inocente de muçulmanos devotos que compensam com a sua feminilidade religiosa a masculinidade agressiva do seu sistema e líderes.

Aos cristãos espera-lhes a mesma sorte que no Iraque! O líder de origem árabe, e como tal, fruto da dureza do deserto não tem nada a ver com uma Síria multicultural...

A coligação dos líderes islâmicos suportará as outras etnias enquanto não tiverem poder suficiente nas mãos para poderem instalar a teocracia muçulmana...

Permanece como único instrumento moderador do novo regime a sua dependência económica e de armas das potências estrangeiras presentes na região.

 

António da Cunha Duarte Justo

Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9641

 

sábado, 14 de dezembro de 2024

A BUROCRACIA AMEAÇA TORNAR-SE NA GRANDE PEIA DA ECONOMIA E DA LIBERDADE

Na Alemanha, a economia queixa-se de que “a burocracia constitui a maior desvantagem competitiva, ainda à frente da escassez de mão-de-obra e dos custos de energia” (de acordo com a Dra. Giesela Meister-Scheufelen (1).

“Os custos da burocracia para a economia devido às leis federais ascendem agora a 65 mil milhões de euros”.

Também a UE tem aumentado o fardo da burocracia produzindo leis e regulamentações a torto e a direito. A instituição de Bruxelas tornou-se num monstro burocrático!  

 A burocracia que cria regulamentos sem sentido continua a manter a sua validade sem análise nem controlo. Por detrás disto está o desejo dos políticos de controlar tudo. Os cidadãos estão lentamente a ter a impressão de que estão a ter uma vida supervisionada como no socialismo, que não confia na responsabilidade dos cidadãos. A economia social de mercado, o sistema económico que melhor se adapta a uma democracia, deve ser caracterizada pela confiança.

No estado do Hesse já há um ministro para a desburocratização.

O motivo que me levou a escrever este texto foi o facto de ter verificado de em Portugal, pessoal burocrático ir dar “formação” a empresas tendo elas de pagar os custos.

Exagerada burocracia aumenta o peso ineficiente do Estado quando a formação deveria ser da iniciativa das empresas e seus empregados interessadas em formações e especializações que poderão dar mais rendimento e contribuir para e inovação; frequência de cursos de formação pode então servir de factor de promoção do pessoal dentro da empresa. Só a empresa sabe dos ramos de inovação que precisa. Por outro lado, demasiado emprego dependente do Estado pode impedir desenvolvimento e iniciativa e fomentar a estabilização partidária no sistema baseada em favoritismo ou peso de voto de eleição nos partidos do arco do poder.

Naturalmente um liberalismo sem regras no sentido do globalismo também não beneficia os Estados.

António da Cunha Duarte Justo

Nota em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=9636