sábado, 17 de novembro de 2007

Domingo - Um Valor Cultural a Defender

Domingo – Um Oásis à Margem do Consumo

As Igrejas, Católica e Evangélica, recorreram ao Tribunal Constitucional Alemão, para impedirem que o Estado de Berlim imponha a abertura do comércio ao público, durante dez domingos por ano. Noutras partes da Alemanha as igrejas têm tido sucesso no impedimento de transformar o Domingo em dia de trabalho tendo recebido o apoio das mais diferentes iniciativas e até mesmo de muitas Câmaras Municipais.

As Igrejas são de opinião que uma sociedade precisa de dias livres para descansar e se dedicar ao cultivo do espírito, ter espaço e tempo para o cultivo de valores imateriais.

O consumo tornou-se num substituto de religião pelo que, para muitos, os templos de consumo deverão estar sempre abertos. Antigamente nas cidades sobressaíam as torres das Igrejas, hoje sobressaem as torres dos bancos e dos Centros Comerciais. Óbvio seria que sobressaísse a grande “Torre”, o Homem, do mais pequeno ao maior.
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A sociedade precisa de tempos livres de trabalho, de tempos festivos. É verdade que muita gente (sem acesso ou sem consciência da necessidade de consumir cultura) não sabe que fazer com o tempo livre. Os templos do consumo, no seu próprio interesse, para atraírem o pessoal e as crianças, criam ofertas de distracção também para as famílias. As Juntas de Freguesia, as Paróquias e outros agrupamentos culturais estão empenhados em oferecer actividades de tempos livres para cultivarem nos seus “clientes” interesse por valores culturais. A Alemanha nação da cultura e da inovação consegue manter a importância da tradição e da cultura e ao mesmo tempo estar na vanguarda do desenvolvimento. A insidiosa tentativa do Burgomestre de Berlim, da mesma criação de Sapateiro e de Sócrates, sem respeito pela tradição, dificilmente irá à frente. O tempo das ramboiadas e das vacas gordas já passou!

Muitos cidadãos criam dívidas nos bancos ou vivem ao Deus dará, sempre na dependência. A sociedade de consumo não conhece pessoas, só lhe interessam consumidores; quanto mais eles irreflectidos forem melhor para o comércio e para o Estado. O comércio vive das compras e o Estado dos impostos, quanto menos dinheiro ficar na bolsa dos cidadãos maior é o proveito para o Estado. Por cada dia santo a menos, o Estado vê a sua bolsa aumentar. Por isso o Estado, de mãos dadas com o capital, não quer dar a hipótese de se pensar sobre a vida e o seu sentido, aquilo que pretendem as Igrejas ao pretenderem manter o domingo livre do trabalho.

O Domingo oferece uma outra atmosfera ao país, também nas ruas e nas estradas há mais paz.
No Domingo sai-se do normal, do rotineiro ficando mais tempo disponível para si próprio, para a família e amigos.

O homem não vive só de pão. Para os cristãos o Domingo é o primeiro dia da semana, dedicado a Deus e ao Homem. Já no Antigo Testamento a religião ordenava o descanso sabático para animais e serviçais. Na Idade Média a redução do Homem a homo faber era contrariada com o mandamento de abstenção de trabalho nos Domingos e Dias Santos. Estes ocupavam uma significante parte do ano. Não se trata de defender aumentar os dias de descanso, mas de não deixar reduzir a pessoa humana a mero instrumento do Comércio e do Estado. A avidez do Estado cada vez escava mais o interior das pessoas no sentido do “não importa” e dum “é igual”indiferente. A precariedade e a falta de referências das pessoas tornam mais fácil a sua manipulação e escravização. Certas elites, ligadas ao negócio da economia e da política, querem ver o cidadão reduzido a proletariado, a colectivo preocupado só com o pão. O bem cultural do Domingo é um impedimento aos seus interesses pelo que fazem tudo por tudo para o colocar à sua disposição e serviço.

António Justo
António da Cunha Duarte Justo

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